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Rodrigo Mussini amplia projeto para formar e transformar vidas

da redação - 21 de ago de 2025 às 14:24 537 Views 0 Comentários
Rodrigo Mussini amplia projeto para formar e transformar vidas Da Redação

Natural de Aquidauana (MS), Rodrigo Mussini encontrou no basquete o caminho para devolver às comunidades aquilo que recebeu do esporte em sua juventude. Hoje, ele atua como técnico em São Paulo, lidera o projeto Recanto Basketball no extremo leste da capital paulista, é professor no Colégio Liceu Jardim em Santo André e mantém uma relação consolidada com a NBA no Brasil. Sua trajetória é marcada pelo objetivo de usar o esporte como ferramenta de formação.

 

“Minha trajetória iniciou em 2018 participando da Competição Jr. NBA no Brasil, conquistando o primeiro lugar e acompanhando as meninas no mundial em Orlando, nos Estados Unidos, no mundial de basquete sub-14”, lembra. No ano seguinte, veio o bicampeonato da Jr. NBA, o que abriu portas para uma aproximação ainda maior com a liga americana. “De lá pra cá minha relação com a NBA estreitou e comecei a participar das clínicas e cursos”, conta.

 

Em 2020, o projeto deu um salto. “Nos tornamos o primeiro núcleo social da NBA no país, com matérias exibidas na ESPN, Band, GE e G1, também com reportagens no Globo Esporte”, relata. Três anos depois, a parceria trouxe outro reconhecimento. “Em 2023, além dessa parceria, escolheram nosso projeto para receber a premiação de 75 anos da NBA e ganhamos a reforma da nossa quadra e um camp de elite.”

 

A decisão de seguir no basquete como treinador nasceu do desejo de devolver o que recebeu no esporte. “Oferecer um pouco do que aprendi em Aquidauana e Corumbá, locais em que aprendi a jogar basquete e que transformou minha vida”, resume. O bairro onde atua em São Paulo não contava com espaços de esporte, cultura ou lazer, e isso motivou a criação do projeto. “Vi a necessidade de construir um projeto que atendesse, formasse e transformasse vidas. E as coisas foram acontecendo.”

 

O vínculo com a NBA deu força a essa iniciativa, mas Mussini destaca que seu papel vai além da técnica. “Represento uma comunidade carente e sei da importância social desse projeto para as meninas, e por isso a NBA tem uma parcela enorme da construção de tudo isso.”

 

Sobre o basquete brasileiro, ele aponta que ainda há muito a avançar, principalmente na base. “Temos muitos pontos sensíveis a evoluir, principalmente em políticas públicas voltadas ao esporte. Muitos clubes ainda pensam em serem campeões momentaneamente, ao invés de promover formação a longo prazo. Especializam precocemente atletas em posições específicas, entre outras.”

 

Vindo de uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul, Mussini reconhece os desafios enfrentados por quem cresce longe dos grandes centros. “Perdemos muitos talentos nesse processo. O interior é muito rico em crianças que já chegam ao esporte com muitas vivências motoras e tomadas de decisão, construídas em brincadeiras de ruas, bicicletas entre outras. O que a cidade grande já não mais oferece.” Porém, o maior obstáculo está nas oportunidades. “Infelizmente, poucos têm condições de sair da sua cidade para viver do esporte. Ou poucas cidades oferecem apoio aos atletas locais para sua formação, tendo que muitas vezes entrarem cedo no mercado de trabalho e largar sua jornada de atleta.”

 

Os aprendizados com a NBA trouxeram outra visão sobre treinar e ensinar. “Proporcionar excelência nos treinamentos. Cuidar de detalhes na ampla formação cognitiva, psicomotora e emocional nos treinamentos”, resume. Ele cita a experiência adquirida em cursos com técnicos de franquias como Golden State Warriors, Sacramento Kings e Denver Nuggets. “Aprendi que a evolução está nos detalhes, principalmente na leitura de jogo para uma melhor tomada de decisão, no de uma ação defensiva ou ofensiva.”

 

Mussini também aponta a falta de caminhos de formação para os treinadores no Brasil. “Ainda vejo uma dificuldade em encontrar cursos para nossa formação e evolução profissional, principalmente nas cidades e estados longe das grandes metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Me lembro que frequentei muitos clubes para aprender com técnicos que já atuavam há muito tempo com alto rendimento.”

 

Entre as histórias que marcaram sua trajetória, ele cita a de uma atleta que começou ainda criança no projeto. “Raiane Dias dos Santos iniciou aos 10 anos no meu projeto e hoje atua na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, e atualmente defende a seleção brasileira sub-23.” Outras atletas seguiram caminhos semelhantes, seja no esporte universitário ou como bolsistas. “Meninas que trabalham comigo como estagiárias de educação física e são bolsistas em universidades.”

 

A formação que o projeto busca vai além das quadras. “É muito rico porque formamos cidadãs capazes de fazerem a diferença no mundo. Disciplinadas, honestas, resilientes”, afirma.

 

Sobre o futuro, Mussini explica que sua prioridade está em ampliar o impacto do Recanto Basketball. “Almejava chegar à seleção brasileira, mas hoje meu papel é aumentar o projeto Recanto Basketball para formarmos e transformarmos ainda mais vidas.”

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