Terça-feira, 28 de julho de 2026, 04:41

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Representante da ONU conheceu o Pintando a Liberdade

Representante da ONU conheceu o Pintando a Liberdade

O conselheiro especial da Organização das Nações Unidas (ONU) visitou ontem o programa Pintando a Liberdade, que funciona no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O suíço Adolf Ogi, que veio ao Brasil para lançar o Ano Internacional do Esporte e da Educação Física e conhecer os programa brasileiros de inclusão social pelo esporte, elogiou o trabalho realizado com os detentos.

"Fiquei impressionado com esse exemplo de levar essa idéia para outros países, como Moçambique e Angola. Esse é o caminho para se criar um mundo mais pacífico e melhor", elogiou o conselheiro especial da ONU.

Para o ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, a visita do conselheiro da ONU ao programa Pintando a Liberdade é importante para ajudar a combater a pobreza no mundo.  "Com o apoio da ONU poderemos mandar esse material para outros países, socializando e democratizando nossa experiência para ajudar a diminuir as desigualdades e ajudar no desenvolvimento integral das crianças", destacou o ministro.

O programa Pintando a Liberdade, do Ministério do Esporte, tem como objetivo ajudar na ressocialização de presos por meio da produção de material esportivo. São 63 unidades espalhadas por 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, beneficiando 12.700 detentos. Só no ano passado foram produzidas 900 mil bolas que beneficiaram 18 milhões de crianças.

Os detentos também aprendem a produzir redes, raquetes de tênis de mesa, bandeiras, mochilas e uniformes. Produtos como bolas com guizo, utilizadas em torneios internacionais de futebol e futsal para portadores de deficiência visual, já foram distribuídas para Inglaterra, Japão, Itália, China, Alemanha, Estados Unidos, Portugal, Canadá e França.

Durante a visita ao Complexo Penitenciário da Papuda, o conselheiro da ONU conheceu de perto o trabalho desenvolvido pelos presos. A fábrica emprega a mão-de-obra direta de 500 detentos. Além de aprender um ofício, os detentos recebem cerca de R$ 250 por mês para ajudar nas despesas familiares. A cada três dias de trabalho, o preso tem descontado um dia em sua pena.

Agildo dos Santos, de 34 anos, cumpre pena de 26 anos por roubos em residência. Ele está há 15 anos na Papuda e trabalha no Pintando a Liberdade há três. Para ele, a oportunidade de participar do programa criou condições para criar os três filhos e poder aprender uma profissão.  "É muito ruim ficar sem nada para fazer. É importante ocupar o tempo dentro da prisão", declarou. 

Isolino Pereira, de 48 anos, que foi condenado por assalto a 81 anos de prisão, há dez deixou o presídio em Curitiba (PR), e hoje trabalha como instrutor do programa Pintando a Liberdade. Está em Brasília há um ano e recebe cerca de R$ 2 mil por mês. "Esse trabalho foi muito importante para a minha vida, pois permitiu que de dentro da prisão eu criasse meus seis filhos", destacou.
 

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