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“Quem sonha conquista”: a meta de Yasmin Santana de Brito

da redação - 3 de mar de 2026 às 16:45 20 Views 0 Comentários
“Quem sonha conquista”: a meta de Yasmin Santana de Brito Da Redação

“No futebol eu não só jogo, eu me encontro. É onde minha mente fica em paz e meu coração vibra. Quando eu entro em campo, tudo se acalma.” É assim que Yasmin Santana de Brito define a relação que construiu com a bola desde a infância. Aos 18 anos, prestes a fechar o primeiro contrato com um time da capital sul-mato-grossense, a jovem atleta carrega na trajetória marcas de mudança, resistência e afirmação dentro e fora de campo.

 

Yasmin nasceu em 11 de fevereiro de 2008, em Mara Rosa, Goiás. O futebol esteve presente desde cedo em casa. “Quando eu era criança, eu sempre via meu pai comentando sobre o futebol, porque ele joga e quase foi para o profissional de Goiânia, mas por causa de uma lesão ele encerrou a carreira dele.” A história interrompida do pai se transformou em referência. O interesse, no entanto, ganhou forma própria quando ela passou a jogar na rua. “A partir do primeiro momento em que eu joguei bola com os meninos na rua, eu acabei me apaixonando pelo esporte.”

 

Ela começou a jogar de forma mais organizada aos 11 anos. Hoje, sete anos depois, vê o início de um novo ciclo se aproximar. “Comecei a jogar com 11 anos e hoje estou com 18 e prestes a fechar meu primeiro contrato com um time da capital.” A mudança de estado foi um dos pontos de virada na trajetória. Após sair de Mara Rosa, Yasmin passou a morar em uma aldeia em Mato Grosso do Sul. O deslocamento diário e a estrutura limitada impuseram obstáculos. “Depois que me mudei de Mara Rosa para uma aldeia no Mato Grosso do Sul, a distância até a cidade mais próxima foi um grande obstáculo, e também a falta de apoio que eu tinha antigamente.”

 

Mesmo com as dificuldades, ela manteve a rotina de treinos. “Eu treino dois dias por semana e, todo final de semana, tenho campeonatos e torneios para jogar aqui na região.” A primeira viagem para competir fora do local onde mora segue como um marco pessoal. “Foi quando eu viajei pela primeira vez para jogar fora, e foi em Sidrolândia, representando a aldeia onde moro.” A experiência ampliou horizontes e consolidou a decisão de seguir no esporte.

 

Dentro de campo, Yasmin encontrou posição e identidade. “Eu me sinto bem jogando nas laterais, porque sou uma atleta que gosta de correr.” O estilo de jogo rendeu até apelido. “Quando fui jogar em uma aldeia na região de Bodoquena, me apelidaram de ‘motorzinha’, pelo fato de eu correr muito.” A característica física virou parte do perfil competitivo que ela construiu.

 

As referências esportivas ajudam a sustentar o projeto pessoal. Yasmin cita a atacante Marta e o jogador Neymar como inspirações dentro de campo. “A história deles é incrível. Eles começaram do zero e hoje são alguns dos maiores jogadores do mundo.” Fora das quatro linhas, a principal influência vem de casa. “Eu me inspiro muito na minha mãe. Ela é uma guerreira, uma mulher muito forte, que também jogava na adolescência, mas teve que parar.”

 

A condição de atleta indígena também faz parte da vivência esportiva. Yasmin relata ter enfrentado preconceito em competições. “Sou indígena, e os indígenas sofrem muito por isso. Uma vez fui jogar um campeonato em Aquidauana e agiram com preconceito comigo e com a minha equipe.” A situação gerou desconforto, mas não alterou a postura em campo. “Eu não gostei e me senti mal, mas em momento algum me rebaixei por isso, porque eu sei do que sou capaz.”

 

O futebol, segundo ela, foi além da competição. “O futebol na minha vida foi algo que me ajudou muito. Foi a cura de problemas e a paz que eu precisava. Mas também há desafios e obstáculos que é preciso ser forte para superar e prosseguir.” A rede de apoio, mesmo reduzida, tem peso decisivo. “Não são muitos que apoiam, mas os poucos que estão do lado fazem a diferença.”

 

Em 2025, Yasmin concluiu o ensino médio e se prepara para iniciar a graduação em Educação Física. A escolha dialoga diretamente com o projeto de vida. “Vou começar a faculdade de Educação Física, porque o futebol é literalmente a minha vida.” A família segue como base. “Minha família é minha base para tudo. Estão sempre do meu lado, sempre que podem.”

 

Ao falar sobre o que a motiva a continuar, ela retoma o sentimento que descreveu no início. “No futebol eu não só jogo, eu me encontro.” A frase resume a relação construída desde as partidas na rua, ainda na infância, até os campeonatos regionais e a possibilidade de contrato profissional.

 

O foco agora está nos próximos passos. “Focar mais no meu sonho e alcançar meus objetivos.” Para outras meninas que pretendem seguir no esporte, deixa um recado direto: “Nunca desista. Há desafios, há obstáculos, mas sempre haverá conquista. Quem sonha conquista, e quem conquista realiza.”

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