Da Redação
“O esporte transforma vidas”. A frase resume a relação que Gustavo Cantos construiu com as lutas desde a adolescência e que segue presente mesmo em um dos momentos mais delicados de sua trajetória esportiva. Natural de Maracaju, no Mato Grosso do Sul, o atleta de jiu-jitsu acumula títulos estaduais, experiências em diferentes modalidades e agora concentra seus esforços na recuperação de uma lesão no ombro que o afastou das competições.
Nascido em 15 de fevereiro de 2000, Gustavo iniciou sua caminhada nos esportes de combate em 2013, aos 13 anos. Diferentemente do que muitos imaginam, sua primeira experiência não foi no judô, mas no jiu-jitsu.
“Minha relação com as lutas começou pelo jiu-jitsu, aos 13 anos, em 2013. Eu assistia aos primeiros eventos do UFC e fiquei impressionado ao ver um atleta de jiu-jitsu, Royce Gracie, representante da família Gracie, vencendo os primeiros torneios. Aquilo me despertou muita curiosidade e admiração pela modalidade”, relembra.
A oportunidade de começar a treinar surgiu por meio de um projeto social criado em sua cidade. As condições, porém, eram limitadas.
“Felizmente, na minha cidade surgiu um projeto social que iria iniciar aulas de jiu-jitsu e eu acabei me matriculando. O começo foi desafiador: treinávamos apenas uma vez por semana e nem tínhamos kimono para treinar. Mesmo assim, a paixão pelo esporte foi crescendo.”
Com o passar dos anos, Gustavo buscou novas experiências para complementar sua formação como atleta. O judô surgiu como uma ferramenta para aperfeiçoar a luta em pé e o trabalho de quedas.
“O jiu-jitsu sempre foi minha modalidade principal. Com o tempo, procurei o judô para complementar meu jogo, principalmente na parte das quedas e da luta em pé. Apesar de nunca ter graduado no judô, participei de competições e tive uma experiência muito importante na modalidade.”
Mais recentemente, em 2023, ele conheceu o Beach Wrestling durante a participação nos Jogos Universitários Brasileiros de Praia. A modalidade trouxe novos desafios e exigiu capacidade de adaptação.
“Conheci o Beach Wrestling através dos Jogos Universitários Brasileiros de Praia. Achei a proposta da modalidade muito interessante e decidi encarar esse desafio, que acabou sendo uma experiência incrível.”
Segundo o atleta, cada modalidade deixou contribuições específicas para sua evolução esportiva.
“O judô me ensinou a pensar tecnicamente dentro da luta e aprimorou minha visão estratégica do combate, especialmente nas quedas e movimentações. O Beach Wrestling foi um desafio novo que me tirou da zona de conforto e mostrou minha capacidade de adaptação. Já o jiu-jitsu sempre foi minha grande paixão. Foi a modalidade que moldou meu caráter, me levou para diferentes lugares e me proporcionou amizades e experiências que levarei para a vida toda.”
Apesar das semelhanças entre as modalidades de luta agarrada, Gustavo destaca diferenças importantes tanto no aspecto técnico quanto mental.
“O judô é muito explosivo e técnico nas quedas, exigindo rapidez de decisão. O jiu-jitsu envolve mais estratégia, controle e paciência durante a luta, principalmente no trabalho de solo e finalizações. Já o wrestling tem um ritmo muito intenso, exige pressão constante e alto condicionamento físico.”
A soma dessas experiências, segundo ele, teve reflexo direto em seu desempenho nos tatames.
“Treinar modalidades diferentes ampliou muito minha visão de luta. O judô melhorou minhas quedas e equilíbrio em pé, enquanto o Beach Wrestling trouxe intensidade e adaptação. Hoje vejo essas experiências como complementares e fundamentais para o meu desenvolvimento no jiu-jitsu.”
Entre as participações mais marcantes da carreira, Gustavo cita o Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu. Mesmo sem conquistar o título, a experiência permanece como uma das mais importantes de sua trajetória.
“A participação no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu certamente foi uma das experiências mais marcantes da minha trajetória. Mesmo sem ter conquistado o título, disputar aquele campeonato representou muito para mim, por ser considerado por muitos o maior campeonato de jiu-jitsu do mundo, muitas vezes até mais difícil que o próprio Mundial.”
A caminhada, no entanto, não foi construída sem obstáculos. Desde a falta de estrutura nos primeiros anos até a necessidade de conciliar estudos e competições, os desafios acompanharam o atleta ao longo da carreira.
“Os desafios começaram desde o início, com pouca estrutura e dificuldade de acesso aos treinos. Mais tarde veio o desafio de conciliar faculdade, competições e outras responsabilidades.”
Atualmente, o principal desafio é físico. Desde novembro de 2024, Gustavo está afastado das competições em razão de uma lesão no ombro, agravada após um problema antigo.
“Hoje enfrento talvez o momento mais difícil da minha trajetória esportiva: uma lesão no ombro, que me afastou dos tatames em novembro de 2024 após o agravamento de um problema antigo.”
A rotina atual é dedicada à recuperação.
“Atualmente estou focado na recuperação da lesão, realizando fortalecimento muscular e fisioterapia. É um processo desafiador e que exige paciência, mas estou comprometido com a recuperação para voltar aos tatames da melhor forma possível.”
Ao analisar o cenário das lutas em Mato Grosso do Sul, Gustavo acredita que houve evolução significativa nos últimos anos, especialmente na estrutura dos eventos e no nível técnico dos competidores.
“Hoje vemos grandes estruturas de eventos, atletas do estado competindo em alto nível mundial e até premiações em dinheiro.”
Ele também defende o fortalecimento de iniciativas voltadas à formação de novos atletas.
“Ainda acredito que precisamos ampliar a visibilidade do jiu-jitsu e fortalecer principalmente os projetos sociais e ações voltadas para crianças e jovens, porque muitas histórias no esporte começam exatamente por essas oportunidades.”
Enquanto trabalha para retornar às competições, Gustavo mantém objetivos claros para o futuro. O principal deles é voltar a competir em alto nível e continuar sua trajetória no esporte que conheceu ainda adolescente.
“Meu principal objetivo hoje é recuperar totalmente a lesão e voltar a competir em alto nível aqui no estado. O esporte sempre fez parte da minha vida e quero continuar escrevendo essa história.”
Dono de conquistas como 20 títulos em etapas do Campeonato Estadual de Jiu-Jitsu, campeão do Campeonato Pantaneiro de Jiu-Jitsu, campeão da Copa Dourados de Jiu-Jitsu, vice-campeão estadual de judô e medalhista de bronze nos Jogos Universitários Brasileiros de Beach Wrestling, Gustavo deixa uma mensagem baseada na própria experiência.
“Persistam. O começo nem sempre é fácil, muitas vezes faltam estrutura e recursos, mas o esporte transforma vidas, ensina disciplina, respeito e abre portas que vão muito além das competições e medalhas.”