Da Redação
“Competir desde cedo com os melhores pilotos do Brasil e em pistas de alto nível foi muito importante pra mim.” A frase resume a forma como Fernando Endo, o Fernandinho Endo, de 10 anos, enxerga a própria trajetória no motocross. Nascido em 19 de maio de 2015, ele iniciou no esporte ainda na primeira infância e, em poucos anos, passou a disputar campeonatos estaduais, nacionais e até internacionais.
A relação com as motos começou aos quatro anos, de forma recreativa. “Comecei a andar de moto com 4 anos, mas só por diversão. No meu aniversário de 6 anos ganhei minha primeira moto de motocross de 50cc e aí comecei a ir para as competições”, conta. A primeira corrida foi de velocross, em Sidrolândia, em agosto de 2021. A segunda experiência já foi em âmbito nacional, no Campeonato Brasileiro de Motocross, em Faxinal (PR).
O ambiente familiar teve influência direta nesse início. O pai já foi piloto de motocross, o que facilitou o contato precoce com a modalidade. Ainda assim, Fernandinho faz questão de destacar que a decisão de competir partiu dele. “Meu pai já foi piloto de motocross, por isso aprendi cedo a andar de moto, mas ele e minha mãe sempre me incentivaram a fazer qualquer modalidade de esporte. A vontade e a decisão de competir no motocross foram minhas”, afirma.
A participação no campeonato brasileiro ainda na categoria 50cc marcou um ponto de virada. “Minha segunda corrida já foi no Brasileiro de Motocross, na categoria 50cc. Competir desde cedo com os melhores pilotos do Brasil e em pistas de alto nível foi muito importante pra mim”, relata. Segundo ele, a convivência com adversários experientes contribuiu para a evolução gradual. “A cada corrida eu ia evoluindo e melhorando meus resultados. No ano de 2023 consegui dois pódios no Brasileiro de Motocross 50cc e terminei o campeonato em terceiro.”
Os resultados acumulados incluem dois títulos de campeão sul-mato-grossense de motocross, um na categoria 50cc e outro na 65cc. Ele também conquistou o título da Copa 4B Racing na 50cc e foi vice-campeão do Arena Velocross na mesma categoria. No cenário nacional, subiu ao pódio duas vezes no Campeonato Brasileiro de Motocross 50cc e uma vez na 65cc, além de um pódio no Arenacross, também na 50cc.
Entre as experiências que mais o marcaram está a participação em competição internacional. “Em janeiro deste ano fui ao pódio com um terceiro lugar no campeonato Winter Am, na Flórida, nos Estados Unidos. Fiquei muito feliz com meu resultado”, relata, ao lembrar da corrida fora do país.
Fora das pistas, a rotina inclui preparação física regular. “Faço atividade física três vezes por semana: natação, bike, corrida na esteira, fortalecimento e treino de equilíbrio.” A preparação busca dar suporte às exigências técnicas do motocross, modalidade que envolve resistência, coordenação e controle da motocicleta em diferentes tipos de terreno.
Entre as dificuldades enfrentadas até aqui, ele aponta o aspecto emocional das competições. “Lidar com resultados ruins, quando eu poderia ter vencido”, resume. A frustração após provas em que o desempenho não corresponde à expectativa é parte do aprendizado no esporte.
Momentos antes da largada, a concentração é direcionada a dois pontos. “Que Deus está me protegendo e que preciso dar o meu melhor para ter bons resultados.” A referência esportiva é o piloto brasileiro Enzo Lopes, que atua em competições internacionais.
A conciliação entre estudos e competições é um dos principais desafios na atual fase. “Não é muito fácil, pois quando iniciam os campeonatos, geralmente de março a setembro, preciso renunciar a muitas coisas legais que gosto de fazer, como brincar, ir a festas de aniversário dos amigos e participar de algumas atividades escolares”, explica. As viagens também exigem ausências na escola. “Sempre preciso faltar alguns dias quando a corrida é muito longe. Quando retorno, preciso recuperar todo o conteúdo perdido.”
Ao falar sobre o cenário do motocross em Mato Grosso do Sul, ele aponta a necessidade de mais apoio. “Mais incentivos das equipes e organizadores das corridas, pois o esporte a motor tem um custo alto, e a falta de incentivos diminui a quantidade de pilotos que poderiam também estar competindo.”
Para a temporada, Fernandinho integra a equipe Magiila MX School, projeto voltado ao incentivo de jovens pilotos. Ele prevê participação no Campeonato Brasileiro de Motocross, no Arenacross e no Sul-Mato-Grossense de Motocross. “Meu objetivo é ter o título de campeão brasileiro de motocross”, afirma.
Ao final, o piloto registrou agradecimentos. “Quero agradecer ao Esporte Ágil pela oportunidade de poder contar minha história, à minha nova equipe Magiila MX School, à Motor+ Preparações, que cuida da minha moto, à American MX e à Endo Car, que acreditam no meu potencial para juntos conquistarmos mais títulos.”
Aos 10 anos, Fernandinho Endo soma títulos estaduais, pódios nacionais e uma experiência internacional, enquanto mantém a rotina escolar e a preparação física. Entre viagens, treinos e provas, ele resume o que considera essencial antes de cada largada: “preciso dar o meu melhor para ter bons resultados.”