Da Redação
Quando Brigitte Conceição Barbosa Giurizzatto afirma que “o ciclismo ressignificou a vida”, a frase sintetiza uma mudança que começou depois dos 50 anos e segue influenciando sua rotina, suas relações familiares e sua forma de encarar o envelhecimento. Nascida em 20 de março de 1960, em Aquidauana, Brigitte encontrou na bicicleta mais do que uma atividade física. Hoje, aos 65 anos, encontrou um ponto de equilíbrio entre corpo, mente e convivência.
O primeiro contato com o ciclismo não teve, inicialmente, caráter competitivo ou simbólico. “O ciclismo entrou na minha vida como uma forma de me manter em forma, por incentivo de um amigo”, relata. A transformação aconteceu quando percebeu que os benefícios iam além do físico. “A paixão nasceu de verdade quando percebi que, além de cuidar do corpo, a bike fazia um bem enorme para a mente.” A partir desse momento, pedalar deixou de ser apenas exercício e passou a ocupar um espaço fixo na rotina, como um cuidado diário com a saúde física e emocional.
A prática do ciclismo passou a coexistir com outras responsabilidades. Mãe, avó, profissional e dona de casa, Brigitte afirma que a bicicleta se integrou naturalmente ao cotidiano. “A bike faz parte da minha vida, assim como o trabalho, a casa e a família.” Mesmo com a agenda cheia, ela mantém o esporte como prioridade. Segundo Brigitte, o envolvimento da família se tornou um fator decisivo para essa continuidade. “Nada se compara à alegria de ter meus filhos e netos presentes nas provas, torcendo e compartilhando esses momentos comigo.”
Conciliar a rotina familiar com os treinos exigiu ajustes, principalmente no início. “O maior desafio foi no começo, principalmente na organização do tempo.” Com o passar dos meses, o que parecia um obstáculo se transformou em aproximação. “Logo meu marido e minhas filhas começaram a pedalar também, e o ciclismo acabou se tornando um esporte familiar.” Hoje, segundo ela, o pedal representa mais um espaço de convivência do que uma atividade individual.
Brigitte iniciou no ciclismo em uma fase da vida em que, para muitos, a expectativa social é de desaceleração. Para ela, o efeito foi inverso. “Comecei a pedalar depois dos 50 anos, numa fase em que muitas pessoas costumam desacelerar. Para mim, foi exatamente o contrário.” A prática esportiva trouxe mudanças perceptíveis na disposição e na forma de lidar com o tempo. “O ciclismo ressignificou a vida, trouxe mais disposição, alegria e um profundo sentimento de bem-estar em cada nova etapa.”
Quando questionada sobre conquistas, Brigitte não cita pódios ou resultados específicos. O foco está na experiência pessoal. “Cada prova concluída, cada percurso mais longo vencido é uma conquista especial.” Para ela, o significado está no processo. “A sensação de superação, de bem-estar e de saber que sou capaz fortalece não só o corpo, mas também a confiança em mim mesma.”
A participação da família vai além da presença em provas e eventos. O ciclismo também ampliou o círculo social. “Meu marido, filhas, sobrinhos e amigos acompanham, incentivam e vibram juntos.” Esse vínculo se materializa no grupo de pedal do qual faz parte. “Temos até um grupo chamado ‘Sob o Manto da Fé’, que representa bem essa união, amizade e espiritualidade.” Para Brigitte, pedalar também é um exercício coletivo. “O ciclismo me ensinou que, ao girar os pedais, a gente não segue sozinho.”
Ao observar o cenário atual, ela acredita que o ciclismo pode cumprir um papel inspirador. “Todos somos capazes. O esporte traz inúmeros benefícios e mostra, na prática, que nunca é tarde para começar.” Brigitte avalia que, embora as mulheres estejam conquistando mais espaço, ainda há caminhos a percorrer. “Ainda sinto falta de mais ciclistas na minha faixa etária”, afirma, destacando, no entanto, o apoio mútuo entre mulheres mais experientes.
A mensagem para quem hesita em começar é direta e baseada na própria vivência. “Eu comecei depois dos 50 anos. Todas são capazes, sim.” Para ela, o ciclismo se tornou um instrumento de transformação pessoal, autonomia e qualidade de vida.
Ao falar sobre o futuro, Brigitte projeta um sonho que une esporte, espiritualidade e experiência pessoal. “Meu grande sonho é fazer o Caminho de Compostela.” Mais do que metas esportivas, ela destaca objetivos ligados ao bem-estar. “Buscar qualidade de vida, aproveitar cada fase, curtir meus netos e viver a maturidade com saúde, alegria e plenitude.”