“Minha mãe faz o possível e o impossível para eu seguir em frente sonhando.” A frase resume parte da trajetória do jovem atleta Arthur Gonçalves de Almeida Castro Gomes, de 15 anos, que divide a rotina entre escola, treinos e compromissos familiares enquanto busca construir um caminho no futebol.
Nascido em 5 de janeiro de 2011, em Campo Grande (MS), Arthur conta que a relação com o esporte começou ainda na infância, dentro de casa, em momentos simples com a família. “Desde pequeno, me lembro que ficava brincando com meu bisavô José e meu avô Enilson e também assistindo jogos na TV”, relata.
O primeiro contato com um ambiente de treino organizado veio aos cinco anos de idade. Segundo ele, foi o avô quem o levou para participar de atividades em um projeto social. “Meu avô me levou para treinar em um projeto social chamado Nota Dez, em um bairro vizinho ao meu, e foi ali que eu descobri meu dom e minha paixão pelo futebol. É o que eu quero realmente para minha vida”, afirma.
Desde então, Arthur passou a participar de competições e a se dedicar ao esporte de forma mais estruturada. Atualmente ele integra o clube União ABC e participa de treinamentos tanto no futsal quanto no futebol de campo.
A rotina do jovem atleta envolve organização para conciliar as atividades esportivas com os estudos e as tarefas do dia a dia. Ele cursa o primeiro ano do ensino médio no período matutino e, após a escola, precisa dividir o tempo entre responsabilidades domésticas e os treinamentos.
“Eu estudo de manhã e chego da escola às 12h30. Então almoço, faço minhas tarefas da escola, às vezes antes do treino, ajudo nos afazeres da casa, como louça, lixo, quintal e cachorro, e também ajudo meu avô. Depois organizo minha mochila de treino, com chuteira e água, e vou esperar o ônibus quando não consigo carona”, explica.
Os treinos são distribuídos ao longo da semana. “Na segunda tenho futsal. Na terça, quinta e sexta são treinos de campo. Na quarta procuro ir à academia para não perder o ritmo e também vou à igreja, na novena”, relata. Nos finais de semana sem competição, o tempo livre costuma ser dividido entre descanso e momentos com amigos. “Quando não tem competição pelo meu time, procuro relaxar com meus amigos, jogar game ou futebol na pracinha.”
Ao longo da trajetória nas categorias de base, Arthur afirma que alguns momentos tiveram impacto especial em sua formação como atleta. Um deles aconteceu em 2025, quando passou a ganhar mais espaço dentro da equipe.
“O ano de 2025 foi um ano de muitas bênçãos para o meu time. Um momento que me marcou foi quando deixei de ser reserva e comecei a ser titular em algumas competições”, conta. Segundo ele, a participação em torneios e títulos conquistados naquele período marcaram a temporada. “Pude ajudar o time a conquistar vários títulos. Um dos que mais me marcou foi quando fui campeão estadual de futsal sub-14 e também joguei a Taça Brasil de Futsal sub-14.”
Mesmo com os resultados positivos, o jovem atleta relata que a caminhada no esporte é acompanhada por desafios frequentes. Entre eles estão questões financeiras, deslocamento para treinos e oportunidades limitadas fora do estado.
“Existem inúmeros desafios. Alguns que se destacam são as oportunidades para peneiras em clubes fora do estado, a parte financeira da minha mãe para eu ir aos treinos e as inscrições de competições regularizadas no nosso estado para nível profissional”, afirma.
Arthur também menciona as dificuldades pessoais que fazem parte da rotina de muitos jovens atletas. “Já pensei em desistir quando estava bem acima do peso e não estava tendo um ritmo físico bom nos jogos. Também tive dificuldade com transporte e ficava cismado com minha altura. São coisas que a mente de adolescente fica pensando”, diz.
Segundo ele, o apoio familiar foi determinante para seguir no esporte. “Continuei porque minha família, principalmente minha mãe, sempre me aconselhou a não desistir. Ela diz que nem sempre tudo é fácil e que devemos batalhar com sabedoria, paciência, determinação e humildade.”
Dentro de campo, Arthur afirma que costuma atuar no meio-campo, posição em que consegue utilizar características que considera importantes para o seu estilo de jogo.
“Tenho características de passe, domínio e lançamentos em jogadas ensaiadas e rápidas. Nos treinos os técnicos fazem rodízio tático entre os atletas, mas sou canhoto e gosto mais de jogar de meia ou volante”, explica.
Entre as referências no futebol, ele cita dois jogadores que marcaram épocas diferentes no esporte. “Gosto muito do Toni Kroos. Ele é uma lenda de muita qualidade. Também gosto do estilo de jogo do Ronaldinho Gaúcho.”
Para os próximos anos, o jovem atleta afirma que pretende buscar oportunidades em clubes de outros estados e continuar evoluindo dentro do esporte. “Meus objetivos são fazer testes em clubes de outros estados e conseguir uma oportunidade. Quero jogar profissionalmente, ajudar a equipe e, se Deus permitir, chegar até a seleção brasileira.”
Ao falar com outros jovens que compartilham o mesmo objetivo, Arthur afirma que a persistência é parte fundamental do processo. “Nunca é fácil, mas o esforço gera a vitória, que acaba sendo a recompensa da perseverança para todo o crescimento.”