Idealizada ainda em 2014, mas colocada em prática somente em 2023, a Academia de Futebol G12 completa três anos de funcionamento em 2025 com um objetivo claro: oferecer oportunidade para crianças e adolescentes crescerem no esporte sem cobrança de mensalidades. O projeto é coordenado pelo professor Carlos Eduardo da Silva, que atua há quase duas décadas no futebol sul-mato-grossense como treinador de goleiros e em escolinhas de bairro.
“Desde 2014 eu vinha idealizando montar minha própria escolinha. Isso aconteceu em 2023”, lembra o professor. Antes, ele acumulou passagens por clubes profissionais como Comercial, Operário, Guaicurus e Clube de Campo Grande.
A primeira semente da G12 foi lançada em 2019, quando Carlos iniciou trabalhos como personal com treinamentos específicos para goleiros. “No segundo semestre de 2022 comecei a montagem e idealização da escolinha de futebol, a Academia de Futebol G12, por gostar de ensinar e adorar mexer com criança. Em março de 2023, iniciamos os trabalhos no campo do Jardim São Conrado”, explica.
A G12 atende atualmente jovens de 5 a 15 anos, com categorias que vão do baby foot ao sub-15. A rotina de treinos varia entre treinos diários e duas vezes por semana, de acordo com o perfil de cada aluno.
Mais do que a prática esportiva, Carlos reforça a importância de princípios que regem a academia. “Respeito com pais e atletas e compromisso com a escola. Nota baixa na escola tem suas consequências. Priorizamos muito esses valores”, afirma.
A seleção dos atletas não é feita por meio de peneiras, mas pelo comprometimento. “Hoje na G12 não existe seleção. Aqui é academia de futebol, que ensina jovens a evoluir nos treinamentos. Mas existe uma diferença: aqueles atletas que têm comprometimento e seriedade treinam todos os dias. Já aqueles que só vêm para praticar um esporte treinam duas vezes na semana. Assim, naturalmente, acabam se formando equipes e pré-equipes”, detalha.
Apoio e manutenção
Para manter a estrutura gratuita, a G12 conta com apoio de patrocinadores e do poder público. “Hoje temos patrocínios como BDM Digital, Completa Mix, Prefeitura, Funesp e Rcor Tintas. Todos estão desde o início do nosso projeto e auxiliam na manutenção e nas despesas com professores”, explica.
O coordenador destaca que a decisão de não cobrar mensalidades foi intencional. “Se o atleta está representando o nome G12, creio eu que podemos oferecer pelo menos o mínimo de estrutura. Lógico que os pais ajudam com despesas de inscrição e arbitragem para competições e com a compra dos uniformes, mas não cobramos mensalidades. Trabalhamos do alto rendimento ao social, sempre dando suporte a quem precisa”, afirma.
Avaliações e conquistas
Em fevereiro de 2025, a academia recebeu a visita do avaliador do Fluminense, Leiva Duarte, que observou atletas em Campo Grande. “Na ocasião encaminhamos três jogadores: Isac Ojeda, lateral esquerdo da categoria sub-10; Davi, goleiro sub-10; e Júlio William, goleiro, que passou na primeira avaliação e retorna em novembro para uma nova apresentação”, relata Carlos.
Em termos de resultados esportivos, a G12 vem conquistando espaço em competições locais. “Todo início de trabalho tem suas dificuldades, mas nesses três anos chegamos às semifinais da Copa Metropolitano, nas categorias sub-12 e sub-14 no ano passado. Este ano já estamos nas semifinais do sub-11 e nas quartas de final do sub-14, na Copa Campo Grande”, enumera.
Atuação social
O projeto não se limita ao futebol. Segundo Carlos, a academia atua em conjunto com o Instituto Social Teresa da Silva, que promove ações de assistência às famílias e cursos profissionalizantes. “Também realizamos ações em datas comemorativas, envolvendo a comunidade”, conta.
Essa dimensão social se conecta ao propósito da G12. “Trabalhamos com meninos e meninas que participam buscando o sonho de ser jogadores e de dar uma vida boa para suas famílias”, resume o professor.
Desafios e futuro
Entre os principais desafios, Carlos cita a visibilidade. “Hoje o desafio é dar mais visibilidade ao projeto e criar uma identidade. Isso está sendo construído com os trabalhos aplicados. Sempre falo que reclamar não resolve os problemas. Para muitos deles há solução, e com calma e trabalho sério tudo se resolve”, afirma.
O planejamento futuro inclui consolidar a G12 como espaço de formação e apresentação de atletas para clubes de fora. “O intuito é revelar jogadores e dar oportunidade para eles. Não é nossa intenção segurar atletas apenas para ganhar competições locais, tirando a chance de uma avaliação em outros clubes”, explica.
Além disso, a academia pretende ampliar o atendimento. “Nosso planejamento é montar também o feminino. E com ajuda da Prefeitura, com a liberação de uma área pública, vamos dar início à construção da sede, com salas para diversas atividades e estrutura para a G12 e outras ações, em 2026”, projeta.