Bate-Bola | Jones Mário/Da redação | 09/07/2013 13h00

Bate-Bola: Marcelo Batista

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Marcelo Batista

Marcelo Batista tem 28 anos e trabalha na área de Informática, mas como aqui o assunto é esporte, ele fala de outra coisa. Marcelo é presidente do Campo Grande Gravediggers, primeiro time de Futebol Americano criado em Mato Grosso do Sul. O esporte é um tanto inusitado e pouco difundido no Brasil, mas a paixão dos atletas dos “coveiros” levou sua equipe para a disputa do Torneio Touchdown, principal competição nacional da modalidade.

Em entrevista ao Esporte Ágil, Marcelo Batista conta sobre o cenário do Futebol Americano em Campo Grande e no Estado, sobre as expectativas para o Torneio TD e sobre os projetos futuros do Diggers. Confira:

Esporte Ágil - Como você descobriu o Futebol Americano?

Marcelo Batista - Nunca gostei de Futebol Americano. Eu tive a oportunidade de morar nos Estados Unidos por dois anos e não gostava do esporte. Quando voltei pra cá comecei a dar aulas de inglês, e um dos meus alunos um dia apareceu com uma camiseta do (Campo Grande) Gravediggers. Aí eu chamei um amigo meu que também era professor e fomos conhecer. E aí mudou todo aquele estigma que eu tinha do Futebol Americano que você vê na televisão, aquele jogo parado, toda hora entrava intervalo, aquele monte de cara se batendo, trombando.

EA - E o que te fez gostar do esporte? Qual foi o diferencial?

MB - Foi a parte de estratégia. Todo esporte tem essa parte, mas no Futebol Americano é diferente. Se você não fizer sua parte, dá errado. Um atleta não consegue fazer a diferença sozinho.

EA - Quando começou a praticar o FA?

MB - Justamente neste dia em que fui conhecer o Gravediggers. Na época, há quase quatro anos, você chegava e os colegas já te ensinavam como que é, como se joga, e fui pegando gosto.

EA - Como surgiu o Gravediggers?

MB - O fundador foi o Silvio Torres, que é técnico em Necrópsia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Ele foi pro Rio de Janeiro fazer um curso e lá ele conheceu o Futebol Americano de Praia. Quando ele retornou, quis jogar, mas não tinha ninguém em Campo Grande que jogava.

Na época e ainda hoje a ESPN transmitia jogos da NFL (National Football League), em que eles lêem e-mails e comentários ao vivo durante a transmissão. E o SIlvio mandou um e-mail dizendo que queria montar um time em Campo Grande, que foi lido no ar, e deixou o contato dele lá. Um pessoal entrou em contato com ele e até que em 2008 eles realizaram o primeiro treino da equipe, no Morenão.

EA - Como você saiu de interessado à presidente do CG Gravediggers?

MB - Logo em seguida que eu entrei, o time foi fazer o primeiro amistoso, que foi em Cuiabá, na abertura do Torneio Touchdown. E com isso nós voltamos super empolgados, querendo fazer o Gravediggers acontecer, querendo comprar os equipamentos, capacetes e jogar campeonatos. Mas passou um mês e todo aquele entusiasmo já tinha acabado. E o time quase acabou, que foi quando o Jacarés do Pantanal foi criado.

No final de 2010 o time estava pra fechar e um dos jogadores, chamado Cuca Moraes, disse que não queria que o time acabasse. Aí pensamos em criar uma nova diretoria e tocar o barco. Foi quando montamos a nova diretoria com o pessoal que ainda estava treinando.

EA - Como funciona a seleção dos atletas?

MB - Na época, quando reformulamos a diretoria, pensamos que o jeito mais fácil de achar novos atletas era chamando nossos amigos pra jogar. E foi assim, cada um foi chamando mais amigos. Em quatro meses a gente saiu de cinco pra quarenta pessoas treinando.

Hoje em dia a gente age diferente. Nós adicionamos jogadores por meio de seletivas, a famosa peneirada. Até porque nós temos que ser mais organizados, não dá pra adicionar jogadores novos a cada treino. No começo do ano nós fizemos a primeira.

EA - Quanto custa jogar FA no Brasil?

MB - Já deu uma barateada boa, mas pelo menos, uma pessoa vai gastar mil reais com ombreira, capacete, outras proteções, uniforme. Até porque os times aqui não têm condições de bancar isso pra cada jogador.

EA - Como é o investimento público no Esporte?

MB - No ano passado tivemos o apoio da Fundesporte e da Funesp. A Funesp nos jogos dentro de casa e a Fundesporte com os jogos fora. Esse ano não. A Funesp ainda ajuda quando precisamos do Centro Esportivo Vila Nasser. Atualmente estamos em negociação com a Fundesporte para ajudar nas próximas partidas.

EA - A rivalidade entre Gravediggers e Jacarés do Pantanal, outra equipe de Campo Grande, é quente, certo?

MB - Se você ver o histórico, já foi muito pior. Logo que separou ficava aquele negócio de um roubar jogador do outro. Foi essa separação que criou a rixa. Hoje em dia ela existe, mas não tem nada de muito forte, até porque os dois não se enfrentam.

A gente teve um jogo em 2010, logo depois da separação, em que o Gravediggers ganhou. Depois nunca mais jogamos. Esse ano a gente quis jogar contra eles, porque ambos iriam jogar campeonatos em 2013, mas eles desistiram de última hora.

EA - O que você espera da participação do Gravediggers no Torneio Touchdown este ano?

MB - Eu acho que nossa participação vai ser muito melhor do que foi no ano passado, porque o time amadureceu bastante, mesmo que o jogo contra o Flamengo não tenha mostrado isso. Se você comparar o Gravediggers que jogou contra o Flamengo com o que jogou contra o Botafogo Challengers no começo do Torneio Touchdown do ano passado, é outro time, outra mentalidade.

Ano passado fizemos uma campanha com duas vitórias e cinco derrotas. Este ano, é perfeitamente possível que façamos uma campanha com mais vitórias do que derrotas. Quatro triunfos eu acredito que são perfeitamente possíveis da gente conseguir.

EA - O que você projeta para o futuro do Gravediggers e da modalidade no Estado?

MB - A gente tem conseguido abrir mais portas pro Futebol Americano no Estado. Desde o ano passado é vontade nossa jogar no Morenão e esse ano a gente conseguiu.

A gente projeta um Gravediggers cada vez mais forte, por isso escolhemos jogar o Torneio Touchdown, porque ele nos dá condições e maior estrutura de crescimento.

Nós queremos um lugar fixo pra treinar, pra conseguir desenvolver as categorias de base, pra mostrar que o esporte em Campo Grande pode ser grande como é lá fora.

A gente precisa cativar o campo-grandense a nos apoiar, porque ele é carente de esporte e fica muito com o pé atrás por causa das experiências negativas que já teve no passado,

Nós agradecemos a Bigolin, que nos patrocina, nossos apoiadores que são a Blink 102, a Uniodonto Campo Grande e a Alta Vista Importados, e estamos de portas abertas para novos incentivos

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