Da Redação
“Comece, dê o primeiro passo, e faça por você.” A frase resume a forma como Gleisla Lorraine de Santana dos Santos enxerga a corrida de rua e também ajuda a contar a própria história dentro do esporte. Natural de Primavera (SP) e atualmente morando em Rosana (SP), a atleta começou recentemente na modalidade, em abril, e já acumula resultados que marcaram o início da sua trajetória.
Gleisla conta que a corrida surgiu de forma simples, no convívio familiar. “A corrida entrou na minha vida em abril. Comecei caminhando com minha mãe e intercalando com corrida”, relata. A influência direta da família foi determinante para a continuidade. “A minha motivação a continuar correndo, aos poucos, foi minha mãe, família e amigos próximos.”
O que começou como uma atividade compartilhada evoluiu rapidamente. Segundo ela, a mudança de perspectiva aconteceu ao perceber a própria evolução. “O momento que eu percebi que a corrida poderia ser algo mais sério, além de um hobby, foi ver a minha evolução e a vontade em querer fazer dar certo.” A partir disso, a prática passou a exigir mais disciplina e organização na rotina.
Atualmente, Gleisla mantém uma frequência de treinos entre cinco e seis dias por semana, concentrados no período da tarde para a noite. Mesmo com a regularidade, ela aponta limitações estruturais como um dos principais desafios. “Os maiores desafios atualmente são lugar bom para fazer treinos de velocidade nas ruas aqui.” A dificuldade em encontrar espaços adequados para treinos específicos é um obstáculo comum entre corredores fora dos grandes centros.
Apesar do pouco tempo na modalidade, Gleisla já destaca algumas provas como marcos pessoais. O primeiro pódio veio em julho de 2025, em Ivinhema (MS). “Foi o primeiro pódio que peguei, dia 26 de julho de 2025, 3º lugar na categoria de idade. Apesar de ser 3ª colocação, fiquei imensamente feliz.” Outro resultado citado por ela foi a primeira meia maratona, em novembro do mesmo ano. “Fiquei em 1º lugar na categoria de idade.”
Entre as experiências recentes, ela também menciona a participação na Alpha Run, em Presidente Prudente. “Foi meu primeiro pódio geral, 4º lugar, e 1º lugar na categoria. No dia era somente até o 3º lugar, mas fiquei imensamente feliz com o resultado.” Os resultados reforçam o processo de evolução descrito pela atleta desde o início.
Ao analisar o cenário da corrida de rua, Gleisla considera que há pontos positivos, mas também desafios. “Eu avalio um cenário bom, porém desafiador em alguns pontos, como lugar para treinar específico.” A observação dialoga com a realidade de muitos atletas que treinam em cidades menores, onde a estrutura esportiva é mais limitada.
A rede de apoio aparece como elemento central na continuidade do trabalho. “Atualmente conto com o apoio da minha família e amigos.” Além disso, ela destaca a importância do acompanhamento profissional. “Tenho um treinador, Maurício Rodrigues, que com ele obtive resultados excelentes.”
Nos últimos meses, Gleisla também passou a contar com patrocinadores. “Consegui patrocínio atualmente com a Megaredes Telecom, que vem apoiando bastante, MS Confecções e Wdson Personal, que me ajuda com academia e treinos específicos.” Para ela, esse suporte faz diferença no dia a dia. “Eu acho muito importante ter essa rede de apoio, pessoas que te incentivam a ser melhor e a continuar, pois a corrida de rua nem sempre todo dia é sorriso. Tem dias que não tem vontade de treinar, e um apoio de alguém te ajuda.”
A questão financeira, inclusive, é apontada como uma das principais barreiras para quem pratica o esporte. “Eu acho que uma das maiores dificuldades enfrentadas por atletas da corrida de rua é o financeiro, o apoio para continuar treinando com recursos melhores. Nem todos têm um apoio para começar.” Ela também menciona a necessidade de maior valorização. “Mais valorização aos atletas.”
Ao falar com quem pretende iniciar na modalidade, Gleisla retoma a ideia que marca sua própria trajetória. “O meu conselho para quem quer começar na corrida de rua é: comece, dê o primeiro passo e faça por você. Não ligue para comentários alheios.” A mensagem reforça a dimensão pessoal do esporte, além da competitiva. “Você pode, você consegue.”
Por fim, ela amplia o incentivo para além da experiência individual. “Sempre que puder, incentive e apoie alguém a começar também, pois precisamos ser mais unidos no esporte. Juntos podemos somar, e todos já começaram do zero um dia.” A fala sintetiza não apenas o início recente na corrida, mas também a forma como a atleta enxerga o crescimento coletivo dentro da modalidade.