Da Redação
“Quando eu entro em quadra é como se eu ficasse mais leve, e tudo parasse de doer.” A frase resume o papel que o handebol passou a ter na vida de Vitória Sandim Alban, jovem atleta nascida em 18 de janeiro de 2012, em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul. O esporte surgiu de forma inesperada, mas rapidamente se tornou parte central da rotina e também um suporte emocional.
“O handebol entrou na minha vida por acaso, foi o acaso mais lindo que já aconteceu”, relata. Segundo ela, o primeiro contato aconteceu em 2023, quando a escola precisava de alunas para disputar os jogos escolares da cidade. A partir desse convite, começou a frequentar os treinos e não parou mais. “Desde então eu me esforço diariamente nesse esporte.”
A dedicação se reflete na rotina semanal. Vitória treina cinco vezes por semana — segunda, terça, quarta, sexta e sábado — e concilia a prática esportiva com os estudos. “Eu consigo organizar bem a minha rotina, pois os treinos são no final da tarde e eu estudo no período da manhã.” A disciplina, segundo ela, tem sido essencial para manter a constância no esporte.
Mesmo no início da trajetória, os desafios já apareceram. Entre eles, a insegurança pessoal foi um dos principais obstáculos. “Os maiores desafios que enfrentei até agora foi a falta de confiança em mim mesma, eu duvidei muito do quanto eu poderia evoluir.” Apesar disso, ela destaca o apoio recebido dentro da equipe. “Nunca fui desamparada pelos meus treinadores.”
Entre as experiências mais marcantes, Vitória cita a participação nos jogos escolares em uma categoria acima da sua faixa etária. Enfrentando adversárias mais velhas, o time conseguiu a vitória em uma partida que ela define como difícil. “Jogamos contra as meninas mais velhas, foi um jogo difícil, mas conseguimos vencer.”
A atleta também aponta limitações estruturais como um dos fatores que impactam o desenvolvimento do handebol na região. “Até agora não saí muito da minha cidade para jogar, porque falta recurso e atletas com compromisso no nosso time.” Na avaliação dela, há necessidade de mais apoio para o esporte local. “O apoio do município, recursos, custos com o transporte, incentivo nas escolas a praticar esporte, melhorar o calendário de jogos nas categorias infantil, cadete e juvenil.”
Fora das quadras, Vitória enfrentou um período que considera decisivo para sua permanência no esporte. Ela relata ter passado por dificuldades emocionais, mas encontrou no handebol um ponto de apoio. “Teve um momento muito difícil em minha trajetória em que eu adoeci emocionalmente por conta de uns problemas, mas o esporte foi muito essencial para minha melhora.” A prática esportiva, segundo ela, teve impacto direto na sua recuperação. “Quando eu entro em quadra é como se eu ficasse mais leve.”
A evolução, nesse contexto, não foi apenas técnica. “Eu mantive meu foco no esporte, isso foi fazendo eu evoluir, melhorei fisicamente e emocionalmente.” O ambiente da equipe e a relação com o treinador também aparecem como elementos importantes nesse processo.
Dentro do esporte, ela cita como principal referência o treinador. “Meu treinador, professor Odeir Menezes da Costa, me ajudou muito e me ajuda todos os dias, sendo inspiração para mim.” A relação construída com o grupo também é destacada. “Ele é um paizão para todas nós meninas do time.”
Entre os nomes do handebol, a inspiração vem da atleta brasileira Bruna de Paula. “Ela lutou desde pequena para conseguir alcançar seus objetivos e sonhos.” Fora das quadras, o exemplo vem de casa. “Minha mãe e meu pai trabalham, se esforçam e lutam para que nunca falte nada para mim e para o meu irmão.”
Com pouco tempo de trajetória, Vitória já projeta os próximos passos. “Meu principal objetivo no handebol agora é evoluir cada dia mais para conseguir oportunidades de jogar fora do estado, ou para um clube grande.” A meta está diretamente ligada à busca por mais visibilidade e crescimento dentro da modalidade.
Ao falar com outros jovens que pretendem seguir no esporte, ela reforça a importância da preparação constante. “Se esforcem diariamente, a oportunidade vai chegar na porta de cada um, ninguém sabe a hora e nem o dia, então estejam prontos.” A mensagem também aborda as dificuldades que podem surgir ao longo do caminho. “Vai ter gente que vai julgar, às vezes você não vai ter o apoio que precisa, mas não deixe que ninguém tire o sonho de vocês.”
A orientação final é direta. “Bate no peito e fala para você mesmo que você vai conseguir, pode passar o tempo que for.”