Da Redação
“No começo, tudo dói… o corpo reclama, o cansaço pesa e a mente tenta desistir. Mas é aí que começa a transformação.” A frase resume a visão de Jeová Evanilsom sobre o esporte que escolheu ainda na infância e que hoje orienta sua atuação como atleta e treinador na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Nascido em 31 de agosto de 1990, no estado do Paraná, e radicado no Paraguai, Jeová construiu sua trajetória nas artes marciais a partir de diferentes modalidades. O primeiro contato veio ainda criança, na capoeira, sob orientação do mestre Eduardo. Na sequência, iniciou no karatê com o mestre Diovani Natal Aparício, relação que, segundo ele, permanece até hoje.
“Comecei a treinar com o mestre Eduardo na capoeira ainda criança. Logo depois conheci o karatê Impacto com meu mestre Diovani Natal Aparício, com quem permaneço até hoje”, relata. A formação seguiu com dedicação contínua, culminando na conquista da faixa preta aos 19 anos. Atualmente, ele possui graduação avançada na modalidade, além de experiências em outras lutas.
Aos 24 anos, passou a treinar muay thai tradicional, alcançando graduação elevada. Também ampliou sua atuação para o kickboxing, onde obteve graduação em 2024. Em busca de evolução, passou por um período de treinos em Curitiba, onde ficou por seis meses treinando boxe com o campeão mundial Macarios do Livramento.
A decisão de seguir no esporte de forma mais consistente surgiu ainda cedo, a partir de uma experiência internacional. “Comecei a fazer as primeiras lutas em 2007, quando fui à Tailândia pela primeira vez, ainda menino. Foi ali que nasceu o desejo de lutar. Nos rings tailandeses fiz minha primeira luta”, conta.
Um dos momentos que ele destaca como marcante também está ligado a esse período. “Em 2007, quando estava lutando na Tailândia, ainda sem saber quase nada, fiz uma luta que me marcou muito pela garra e pela voz do meu mestre no corner do ringue dizendo: ‘estou com você nas pontas da sua luva’.”
Já em Ponta Porã, onde desenvolve seu trabalho atualmente, Jeová enfrentou desafios ligados à ausência física de seu principal mestre. “Meu maior desafio era estar só, sem meu mestre para me dar direção. Embora falássemos por telefone, não tinha a presença dele”, afirma. Nesse contexto, ele destaca a importância de Allan Amarilla, que contribuiu para sua continuidade no esporte.
Foi nesse cenário que surgiu a Team Oliveira, equipe fundada por ele na cidade. “Passei por vários ambientes e um deles me despertou o desejo de levantar minha equipe, através de um grande irmão e também mestre, Allan Amarilla. Foi ali que nasceu a Team Oliveira”, explica.
Hoje, além de competir, Jeová atua na formação de atletas. A rotina envolve treinos e aulas, com participação em competições nacionais e internacionais. “Hoje damos aulas de artes marciais e estamos ativos em competições em níveis internacionais, buscando sempre evoluir e revelar talentos no ringue, o que já temos feito em Ponta Porã”, diz.
Para ele, o processo de aprendizado é contínuo e se reflete também na atuação como treinador. “Um verdadeiro mestre sempre será um aprendiz. Isso fez meu crescimento como mentor e atleta”, afirma. Entre os valores que considera essenciais na trajetória, ele destaca “humildade, respeito, vontade de evoluir e lealdade aos mestres”.
Ao avaliar o cenário das artes marciais na região de fronteira, Jeová aponta a existência de talentos, mas também limitações estruturais. “Temos ótimos talentos aqui no kickboxing, no muay thai, no boxe e também no jiu-jitsu, porém ficamos um pouco à mercê de nós mesmos”, analisa.
Nos próximos compromissos, ele tem desafios importantes fora do estado. “Meu objetivo agora é disputar, nos dias 16 e 30, cinturões em Santa Catarina, sendo um nacional de MMA e outro internacional de kickboxing”, afirma. Após as competições, a meta é seguir investindo na formação de novos atletas dentro da equipe.
Ao falar com quem está começando, ele retoma a ideia de persistência. “No começo, tudo dói. O corpo reclama, o cansaço pesa e a mente tenta desistir. Mas é aí que começa a transformação. Então não desista de você. Você é o primeiro que tem que acreditar em si mesmo”, conclui.