Da Redação
“Não se trata de ganhar troféu. Pra mim, é mostrar que tudo posso Nele.” A frase resume a jornada de fé, resiliência e superação de Cleistenes Ramos, fisiculturista de 43 anos, nascido em Campo Grande (MS). Com um histórico de lesões graves na coluna e um diagnóstico médico que indicava a impossibilidade de seguir competindo, ele contrariou todas as expectativas e voltou aos palcos do fisiculturismo com força total.
Cleistenes sempre esteve ligado ao esporte. “Sempre fui praticante de esportes, artes marciais e musculação. Me aventurei no crossfit também por um período curto”, relembra. A trajetória começou nas artes marciais, mais especificamente no karatê, modalidade na qual chegou a competir em campeonatos antes de sofrer a primeira lesão na coluna lombar. O episódio o afastou das competições por um tempo, mas não apagou o espírito competitivo.
Em 2015, veio o primeiro contato com o fisiculturismo, durante um campeonato em Cuiabá (MT). “Foi o começo do fisiculturismo, mas não fui bem”, admite, com bom humor. “Pensei que não iria mais participar.” Mesmo assim, a paixão pelo esporte falou mais alto. Seis anos depois, em 2021, decidiu tentar novamente.
“Realizei uma preparação muito séria e, em 2022, conquistei três troféus, sendo campeão da categoria Classic Physique Novice, top 2 Masters e top 3 Open”, conta. O desempenho reacendeu sua confiança e consolidou seu nome nas competições regionais e nacionais. “Após isso, participei de campeonatos seguintes, sendo campeão em alguns e alcançando boas colocações em outros.”
O atleta destaca que sempre foi movido por desafios e pela motivação de amigos próximos. “Sempre gostei de desafios. Fui muito motivado por amigos”, diz. No entanto, ele reconhece que a jornada no fisiculturismo é repleta de obstáculos — e o maior deles, segundo ele, está fora do palco. “As dificuldades são os custos deste esporte. Tudo é muito caro, caro mesmo”, afirma.
A preparação exige acompanhamento especializado. Cleistenes é treinado pelo coach Thiago Guimarães, responsável por toda a rotina de treinos, alimentação e protocolos hormonais. “Ele é quem me acompanha em tudo relacionado à preparação, alimentação, treinos e protocolos. Realizo exames rotineiros e está tudo em ordem”, explica.
A parte mental, muitas vezes um dos maiores desafios para atletas de alto rendimento, é algo que Cleistenes afirma dominar com naturalidade, resultado de uma vida disciplinada. “Não tenho problemas psicológicos. Sou treinado desde criança, e as artes marciais ajudam muito. O processo de preparação e finalização é difícil, e exige muita disciplina”, reflete.
Quando sobe ao palco, ele diz viver intensamente aquele instante. “No momento da competição, não passa nada na minha mente, apenas vivo aquele momento.”
Mas a história do atleta tomou um rumo dramático em 2023. Lesões na coluna e hérnias o levaram a uma das fases mais difíceis de sua vida. “Andei de cadeira de rodas, muletas… No hospital, cheguei a fazer necessidades nas minhas vestes, porque não conseguia me mexer de tanta dor”, relembra.
Os médicos foram categóricos: a recomendação era de cirurgia e afastamento definitivo dos treinos. “Fui desenganado pela medicina. Disseram que eu não poderia mais fazer esse esporte, que teria que operar e não pegaria mais pesos”, afirma. Foram três indicações para cirurgia, todas sem sucesso. “Três vezes fui encaminhado para cirurgia, mas Deus não permitiu. Colocou obstáculos para que isso não ocorresse.”
Foi nesse momento que a fé se tornou o principal combustível para a recuperação. “Quando entendi o que Deus queria de mim, dei um passo de fé e acreditei na cura divina. Precisava agora fazer minha parte: cuidar do espírito e do corpo, da parte física.”
A reviravolta veio pouco tempo depois. “Não tenho dúvidas da cura. Deus, mais uma vez, cuidou e cuida de mim e de todos que Nele creem. Agora não sinto nada de dor, faço todos os movimentos e com vigor”, celebra.
O retorno ao palco foi a confirmação de que sua fé e perseverança não foram em vão. Em setembro deste ano, Cleistenes voltou a competir e garantiu o *top 3* em sua categoria. “Conquistei essa colocação e pretendo me superar”, afirma.
Apesar dos resultados expressivos, ele garante que o troféu é apenas consequência. “Não se trata de ganhar troféu, pra mim é mostrar que tudo posso Nele”, repete, reforçando a dimensão espiritual que passou a guiar sua trajetória.
Com a saúde restaurada e novos planos à vista, o atleta já mira o futuro com tranquilidade. “Quero mais uma competição. Afinal, em 2026 completo 45 anos e pretendo me aposentar do fisiculturismo”, revela.
Ao longo de quase uma década de dedicação ao esporte, Cleistenes testemunhou o crescimento da modalidade em Mato Grosso do Sul. “Acredito que nos últimos quatro anos o fisiculturismo está com uma notoriedade forte no estado”, observa.