Da Redação
“É uma rotina bem pesada, mas por amor ao esporte eu sempre dou um jeito de comparecer aos treinos e campeonatos.” A frase resume o momento vivido por Giovana Benitez do Nascimento, nascida em 29 de dezembro de 2005, atleta de vôlei de Mato Grosso do Sul que divide o tempo entre trabalho, faculdade e competições.
Natural de Ponta Porã, Giovana começou no esporte ainda criança. “Eu comecei a jogar vôlei quando tinha 9 para 10 anos, em 2016. Desde criança sempre pedi para os meus pais para fazer algum esporte. Comecei fazendo capoeira, judô e handebol”, conta. A mudança para o voleibol aconteceu por incentivo de um amigo da família. “Um dos melhores amigos do meu pai, nosso eterno Dido, que foi de extrema importância para eu ter ingressado no vôlei, disse para o meu pai que na Escola Mappe estava aceitando atletas de escola pública para aprender o esporte.”
A oportunidade abriu portas. No mesmo ano, Giovana recebeu bolsa integral para estudar e representar a instituição. “No mesmo ano eu ganhei 100% de bolsa de estudos da diretora Dona Labibi, para estudar e representar a escola nos campeonatos. Segui cada vez mais firme e terminei a escola e a época dos escolares representando a Mappe com 100% de bolsa.”
A trajetória nas categorias escolares marcou a atleta. Ela disputou campeonatos estaduais e nacionais, representando Mato Grosso do Sul. “Acredito que eu tenha vários momentos marcantes, mas os mais importantes foram os brasileiros escolares, representando Mato Grosso do Sul, e as Copas da Amizade, que foram essenciais para o meu crescimento no esporte e como pessoa também.”
Durante o período escolar, Giovana atuava como ponteira. Com a transição para o adulto, houve mudança de posição. “Durante os escolares sempre joguei como ponteira, mas agora, no adulto, eu jogo principalmente como líbero, devido a algumas lesões no joelho e no ombro.” Para este ano, ela afirma que pretende reduzir o ritmo. “Para este ano eu pretendo dar uma aliviada, por conta de algumas lesões no joelho e no ombro, mas continuarei frequentando campeonatos e treinos, só que com menos frequência.”
Atualmente, Giovana integra a equipe All Black Magsul, patrocinada pelas Faculdades Magsul. Além disso, participa de competições por outros municípios do Estado. “Frequentemente jogo por outros times de Maracaju, Nova Andradina, Glória de Dourados, entre outros.” Fora das quadras, trabalha em um Centro de Educação Infantil e cursa Educação Física. “Trabalho durante o dia em um Ceinf com crianças pequenas e faço faculdade de Educação Física. Pretendo fazer Fisioterapia também, na intenção de ser personal trainer e talvez, futuramente, trabalhar com o vôlei.”
A conciliação entre trabalho, estudos e treinos exige organização. “É uma rotina bem pesada, mas por amor ao esporte eu sempre dou um jeito de comparecer aos treinos e campeonatos, até porque acaba sendo um lugar de paz, quase que uma terapia”, relata.
Entre os desafios enfrentados na carreira, Giovana cita momentos dentro e fora de quadra. “Nos escolares, as várias edições da Copa da Amizade, em que eu sempre me destacava como melhor jogadora do campeonato ou como melhor saque.” Já no adulto, um episódio marcou sua trajetória. “Acredito que tenha sido o JAMS de 2023, pois tive que enfrentar vários desafios internos durante o campeonato, principalmente a morte de um ente querido na manhã da semifinal.”
Ao analisar o cenário do voleibol feminino em Mato Grosso do Sul, a atleta reconhece avanços, mas aponta dificuldades. “De uns anos para cá, a valorização do esporte tem melhorado bastante, mas acredito que a situação poderia melhorar muito, principalmente em relação ao vôlei. Infelizmente, nós atletas temos que nos virar para ir aos campeonatos, tirar dinheiro do nosso bolso, fazer de tudo para conseguir realizar um campeonato, para ter os equipamentos. É realmente tudo por amor, pois é difícil a falta de investimentos.”
A experiência no esporte também impactou sua formação pessoal. “O esporte me mudou muito como pessoa, principalmente por ser um esporte coletivo. Aprendi a ser resiliente, a ter garra, a conviver socialmente e entender que dependemos umas das outras. Sem contar nas pessoas e nas amizades que construímos nesse trajeto.”
Entre as referências no cenário nacional, Giovana cita duas atletas da seleção brasileira: Camila Brait e Nyeme Costa. Para ela, exemplos como esses mostram que é possível alcançar espaço no esporte.
Ao falar com meninas que sonham em seguir carreira, deixa um recado direto. “Eu falaria para elas darem o melhor de si em tudo que fazem, principalmente as que estão iniciando agora na base, pois é um esporte em que é possível se destacar, e que te melhora como ser humano, além das experiências que pode proporcionar.”
Entre trabalho, estudos, lesões e competições, Giovana Benitez mantém vínculo com o vôlei. “É tudo por amor.” A frase, repetida em diferentes momentos da entrevista, sintetiza uma rotina que segue sustentada pela permanência nas quadras e pela intenção de continuar, mesmo que em ritmo menor, nos próximos anos.