Da Redação
Natural de Caarapó, Amanda Carrasco, de 24 anos, encontrou na corrida de rua um novo espaço para praticar esporte e estabelecer metas. Nascida em 6 de janeiro de 2002, a atleta sempre manteve contato com atividades esportivas, mas foi há cerca de quatro anos que a corrida passou a ocupar um lugar maior em sua rotina.
Na infância, Amanda praticava futebol e futsal e participava de jogos escolares, dos Jogos Escolares de Mato Grosso do Sul (JEMS) e de outras competições. A aproximação com a corrida aconteceu quando decidiu participar de uma prova realizada anualmente em Juti, município onde mora atualmente.
“Eu sempre fui uma amante de esporte. Em todos os momentos da minha vida estava participando de algum. Na minha infância era o futebol e o futsal, participando de jogos escolares, JEMS e outras competições”, conta.
O primeiro contato com a corrida aconteceu durante um desafio de 5 quilômetros. O resultado, segundo ela, não foi o esperado, mas a experiência despertou o interesse em continuar treinando para voltar à competição no ano seguinte em melhores condições.
“A corrida começou a tomar mais espaço há uns quatro anos, quando eu decidi participar de um desafio, uma corrida que tem todos os anos aqui na cidade que eu moro atualmente, Juti. Esse foi o meu primeiro contato. Meu resultado foi bem ruim, mas foi daí que despertou a vontade de começar, de continuar, para no ano seguinte participar novamente e ter resultados melhores.”
Apesar de não ter conseguido um resultado expressivo naquela primeira prova, Amanda guarda a sensação de completar os 5 km como um dos pontos importantes do início da trajetória.
“A sensação de cruzar a linha de chegada nessa prova foi muito satisfatória, não pelo resultado, mas pela superação de ter conseguido concluir os 5 km”, afirma.
A corrida também trouxe mudanças para além dos treinos e das competições. Amanda afirma que a prática esportiva alterou aspectos físicos, mentais e emocionais de sua vida. A rotina passou a ser mais voltada para a atividade física e, entre as mudanças, ela deixou de fumar com o objetivo de melhorar seu desempenho.
“A corrida mudou todos os aspectos da minha vida, tanto físicos, mentais quanto emocionais. Minha rotina é mais saudável, parei de fumar para ter resultados melhores”, relata.
Para a atleta, o treinamento para correr não se limita à preparação física. A capacidade de manter a concentração e lidar com o esforço também faz parte do processo.
“Meu mental é forte, concentrado e treinado, porque na corrida o que a gente mais treina não é o corpo, e sim a mente para suportar mais e por mais tempo”, explica.
Um dos momentos mais marcantes da trajetória aconteceu em 12 de dezembro de 2025. Depois de passar meses lesionada, Amanda conseguiu participar de uma prova e terminou na segunda colocação de sua categoria. Segundo ela, a preparação para aquela competição aconteceu mesmo sem estar totalmente recuperada.
“A corrida mais marcante foi na data de 12/12/2025. Alcancei o pódio em segundo lugar na minha categoria depois de passar meses lesionada. Fiz de tudo para conseguir participar dessa corrida. Ainda não estava 100% curada, mas consegui ter um bom resultado na situação atual que vivia”, afirma.
A lesão, inclusive, tornou-se um dos principais desafios enfrentados por Amanda. Atualmente, ela ainda está em processo de recuperação de uma canelite, condição que, segundo a atleta, exigiu diferentes formas de tratamento e também um período afastada da corrida.
“Eu pensei muitas vezes em desistir. É doloroso, cansativo e decepcionante querer muito algo e não poder fazer”, conta.
Durante o período de recuperação, Amanda passou por fisioterapias, exames, uso de medicamentos e fortalecimento muscular. Também precisou interromper temporariamente a prática esportiva.
“Eu passei por fisioterapias, exames, muitos remédios, fortalecimentos e o pior, ter que parar por um tempo de praticar o esporte”, relata.
A decisão de continuar veio do entendimento de que a corrida havia se tornado o esporte ao qual queria se dedicar.
“Para continuar, eu reconheci que realmente era esse o esporte que eu escolhi para me dedicar e que poderia demorar, mas iria me curar e voltaria a correr novamente”, afirma.
Além das lesões, Amanda aponta a constância, a paciência e a capacidade de suportar o processo como alguns dos principais desafios para quem pratica corrida de rua. Para ela, os resultados são construídos ao longo do tempo.
“O principal desafio é manter a constância, suportar o processo e ter paciência. A corrida é um esporte que se colhe o resultado a longo prazo. Cada treino é importante e tem sua função. Cada dia correndo é um degrau que se sobe para construir um físico preparado”, explica.
Amanda também observa o crescimento da corrida de rua em Mato Grosso do Sul. Para ela, o aumento no número de provas e de praticantes mostra que o esporte vem ganhando espaço no Estado, embora ainda existam dificuldades em algumas cidades.
“Levando em consideração o Estado que residimos, Mato Grosso do Sul, atualmente a corrida vem crescendo bastante. Muitas provas, muitas pessoas conhecendo o esporte. Acredito que, em algumas cidades do Estado, o único problema é a falta de lugares específicos para treino e a falta de reconhecimento”, avalia.
Há poucos meses, a atleta também passou a contar com uma consultoria especializada para organizar seus treinamentos. O treinador é Walison Ferreira, de Caarapó. A mudança veio após Amanda identificar a necessidade de uma preparação mais estruturada.
“Há poucos meses comecei a fazer consultoria de corrida. Meu treinador é o Walison Ferreira, de Caarapó”, conta.
Atualmente, a rotina inclui três treinos por semana: contínuo, intervalado e longo. Amanda considera a orientação profissional importante, especialmente por sua experiência anterior com lesão.
“Se eu pudesse dar uma dica para quem está começando agora seria essa: contrate uma consultoria. Quando eu comecei, não fazia e acredito que esse foi um dos motivos que me lesionei e não estou tão evoluída como queria, mas estou no caminho certo agora”, afirma.
Entre os próximos objetivos está continuar evoluindo nas diferentes distâncias. Por enquanto, a principal prova de Amanda continua sendo a corrida de final de ano realizada em sua cidade, com percurso de 5 km. No entanto, ela pretende ampliar gradualmente as distâncias disputadas.
“Por enquanto, minha prova-alvo continua sendo a corrida de final de ano da minha cidade, de 5 km. Porém, desejo evoluir em todas as distâncias: 5 km, 10 km e, mais para frente, estrear numa meia maratona, especificamente na Bonito 21K”, projeta.
Na trajetória, o apoio familiar também ocupa um espaço importante. A mãe, Regiane Ramires, é apontada por Amanda como sua principal incentivadora e também como uma referência dentro da corrida, já que começou a praticar o esporte antes da filha.
“A pessoa que mais me apoia e que também é quem eu me inspiro é a minha mãe, Regiane Ramires. Ela também corre, começou antes de mim e sempre me incentivou a continuar correndo”, afirma.
Segundo Amanda, o incentivo não se limita à mãe. Ela também destaca a presença dos pais, da namorada, do irmão, do padrasto e de colegas que acompanham sua trajetória esportiva.
“Minha família toda me apoia: meus pais, minha namorada, meu irmão, meu padrasto e alguns colegas que me acompanham”, diz.
Para quem ainda não começou a correr, Amanda defende que o primeiro passo é justamente começar, mesmo diante do medo ou da insegurança. A atleta acredita que a adaptação ao esporte acontece ao longo do processo e que a prática pode se tornar parte da rotina.
“Eu gostaria que todas as pessoas do mundo pudessem praticar a corrida. A mensagem que eu deixo é: você só precisa começar. Tudo na vida só depende do primeiro passo. O medo, a insegurança, isso faz parte do processo, e precisamos passar pelo processo para viver as coisas boas”, afirma.
E completa: “Vai por mim, você vai viciar nesse processo e viciar na corrida!”