Da Redação
“Aquele menino de família humilde mal sabia que, ao tocar naquela bola pela primeira vez, estava desenhando o seu próprio destino.” É assim que o atleta Fernando Vaz Ferreira Bica resume o início da trajetória que o levou das quadras escolares de Nioaque para competições nacionais e internacionais de handebol.
Nascido em 14 de março de 1994, em Nioaque (MS), Fernando teve o primeiro contato com a modalidade em 2004, na Escola Estadual Odete Ignêz Resstel Villas Bôas. Segundo ele, o esporte entrou na sua vida através do professor Junior, a quem atribui papel fundamental em sua formação dentro e fora das quadras.
“Tudo começou no interior de Mato Grosso do Sul, no ano de 2004. Na Escola Estadual Odete Ignêz Resstel Villas Bôas, em Nioaque, tive o meu primeiro contato com o handebol pelas mãos do professor Junior. Foi paixão à primeira vista”, relembra.
Fernando conta que o incentivo recebido ainda na infância foi decisivo para que continuasse no esporte. “O professor Junior viu em mim um potencial que nem eu mesmo enxergava, e essa confiança mudou a minha vida para sempre.”
A partir dali, o handebol passou a fazer parte da rotina do atleta. Ele disputou os Jogos Escolares consecutivamente entre 2006 e 2010, período em que começou a enxergar a possibilidade de construir uma carreira na modalidade.
A mudança mais significativa aconteceu em 2011, quando deixou Mato Grosso do Sul pela primeira vez para defender a cidade de Descalvado, em São Paulo, nos Jogos Abertos do Interior. O convite veio do professor Agnaldo.
“Aos 16 anos, saí do meu estado natal. Fui para São Paulo disputar os Jogos Abertos do Interior defendendo a cidade de Descalvado. Dali em diante, a minha mala não voltou mais para Mato Grosso do Sul”, afirma.
Segundo Fernando, um dos maiores desafios da carreira foi justamente sair de casa ainda adolescente para viver em outro estado. “Foi sair de casa ainda menor de idade para o maior estado do país, São Paulo.”
Em 2012, ele passou a atuar em Araçatuba (SP) e iniciou uma sequência de experiências em equipes de diferentes regiões do Brasil. Atualmente, representa o Máquinas, de Mato Grosso do Sul, o Handebol Araçatuba, em São Paulo, e também uma equipe de Laranjeiras do Sul, no Paraná. Além disso, mantém vínculo esportivo com a Universidad Interamericana, no Paraguai, onde iniciou a graduação em Medicina.
Antes disso, Fernando já havia concluído a formação em Educação Física pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande. A graduação foi possível graças a uma bolsa integral conquistada através do handebol.
“O handebol não me deu apenas medalhas; ele me deu um futuro. Em 2015, conquistei uma bolsa de estudos de 100% na UCDB. Em 2019, colei grau na minha primeira graduação: Educação Física”, conta.
Ele afirma que a formação acadêmica influencia diretamente na maneira como conduz a carreira esportiva. “A Educação Física influencia em tudo na minha vida.”
Entre as principais conquistas, Fernando destaca o título da Liga Nacional de Handebol de 2022, conquistado pelo time do Máquinas, de Campo Grande. Segundo ele, a campanha teve um significado especial para o esporte sul-mato-grossense.
“A partida mais importante até hoje foi em 2022, quando ganhamos a Liga Nacional, um título que o estado jamais havia conquistado”, afirma.
Após a conquista nacional, o atleta também disputou a Libertadores de Handebol pelo Olímpia, do Paraguai, competição considerada a principal da modalidade na América Latina. A equipe terminou na quinta colocação.
Mesmo após mais de duas décadas ligadas ao esporte, Fernando afirma que mantém a mesma dedicação dos tempos de adolescência. “Até hoje treino como se fosse o último campeonato, o último jogo, me dedicando como se tivesse 16 anos ainda.”
Apesar da trajetória consolidada, ele avalia que o handebol sul-mato-grossense ainda enfrenta dificuldades, principalmente no cenário adulto.
“A situação da modalidade em Mato Grosso do Sul é muito precária. Falta apoio, principalmente no adulto, comparado aos demais estados. Por isso jogo mais fora do que aqui”, relata.
Para o atleta, o esporte tem papel importante na formação de crianças e adolescentes. Ele acredita que a prática esportiva vai além dos resultados dentro de quadra e pode abrir oportunidades pessoais e profissionais.
Ao olhar para a própria história, Fernando afirma que o handebol transformou completamente a sua vida. “O handebol me deu praticamente tudo o que tenho hoje.”
Hoje, aos 32 anos, ele diz que a principal motivação para seguir competindo está na família. “O que me motiva hoje é minha filha amada. Quero que ela me veja em quadra.”
Fernando também faz questão de lembrar das pessoas que estiveram ao seu lado desde o início da caminhada. “Meu maior incentivador foi meu pai, minha mãe, minha irmã e minha avó Dona Ninha, que já não está mais aqui.”
Em outro momento da entrevista, o atleta demonstrou emoção ao falar sobre o reconhecimento recebido ao longo da carreira. “Eu fico todo emocionado, porque dei entrevista só para uma rede antes, e agora com vocês.”
Ao relembrar a trajetória iniciada no interior de Mato Grosso do Sul, Fernando resume a relação construída com o handebol ao longo da vida. “Aquele menino que começou lá atrás venceu.”