Da Redação
“Treinei por dez anos para estar pronto para realizar uma maratona.” A frase resume a trajetória de Rayner Borges da Silva, atleta de corrida de rua de Mato Grosso do Sul, que encontrou no esporte um caminho de disciplina, superação e metas progressivas ao longo dos anos.
Nascido em 12 de agosto de 1997, Rayner iniciou sua relação com a corrida ainda na infância, aos 12 anos, durante o ensino fundamental. Segundo ele, o primeiro contato veio por meio das atividades escolares. “A corrida entrou na minha vida aos 12 anos de idade, no ensino fundamental, entre os jogos escolares pelo Sesi. Eu praticava vários esportes, já fiz de quase tudo, mas a corrida fez a diferença na minha vida após eu perceber que consigo muito mais do que imagino”, afirma.
A partir dessa percepção, o atleta passou a enxergar a modalidade como mais do que uma prática esportiva ocasional. “Queria provar a mim mesmo que sou capaz de chegar a lugares que nem eu imaginava”, diz.
O passo seguinte na trajetória aconteceu já na vida adulta, quando ingressou no Exército Brasileiro. Foi nesse ambiente que ele identificou a possibilidade de se desenvolver de forma mais estruturada no esporte. “No momento em que entrei no Exército Brasileiro, vi uma oportunidade de virar atleta do Comando Militar do Oeste. Meus pais também foram meus maiores motivadores”, relata.
A rotina atual de treinos é intensa. Rayner afirma que mantém uma frequência praticamente diária. “Meus treinos são sete dias por semana, praticamente todos os dias. Aos finais de semana, faço meus longões”, explica, referindo-se aos treinos de maior distância, comuns na preparação de corredores.
Entre as experiências mais marcantes da carreira, ele destaca duas conquistas específicas. A primeira foi a convocação para representar o Comando Militar do Oeste em competições militares. “Consegui minha vaga nos Jogos Militares do Exército, onde fui pela delegação de atletismo defender o CMO”, conta.
A segunda conquista citada por Rayner está ligada à realização pessoal dentro da modalidade: completar uma maratona. “Uma das provas que faltava conquistar era a Maratona de Campo Grande. Eu tive que quebrar todas as minhas barreiras, tanto físicas quanto mentais. Treinei por dez anos para estar pronto para realizar uma maratona”, afirma.
Apesar dos avanços individuais, o atleta aponta dificuldades estruturais enfrentadas por corredores de rua no estado. “Para ser sincero, ainda falta um pouco de incentivo, patrocínio. Empresas, lojas e empresários poderiam estar ajudando mais os atletas de rua do nosso estado”, avalia.
Atualmente, Rayner não conta com apoio financeiro ou patrocínio. “Já tentei buscar alguns, ir atrás para poder continuar firme na corrida e ter um pouco mais de condições de um preparo melhor”, explica. Segundo ele, essa ausência impacta diretamente no rendimento. “Tem um impacto muito grande, pois um patrocínio faz você acreditar que ainda alguém acredita em você, acredita no esporte”, diz.
Além da preparação física, o corredor também adota estratégias para o aspecto mental antes das competições. Um dos métodos utilizados é o reconhecimento prévio dos percursos. “Vou sempre alguns dias antes de cada prova no percurso, fazer um reconhecimento. Isso me deixa preparado mentalmente e calmo”, afirma.
Mesmo após alcançar a meta de completar uma maratona, Rayner mantém novos objetivos no horizonte. “Se eu falar que não tenho sonhos, vou estar mentindo. Para um corredor, sempre vão existir metas. Após a realização da maratona, quero um dia conseguir participar de uma ultramaratona”, projeta.
Para quem pretende iniciar na corrida de rua, ele destaca que o processo exige constância. “Nunca é fácil, mas, como na vida, sempre é uma luta. Faça essa luta virar suas conquistas. Tenha foco, determinação e, por último, a sensação de meta cumprida”, orienta.
Fora das competições, Rayner se define como uma pessoa voltada à convivência familiar. “Sou um homem caseiro, amo a família, sempre dedicado a evoluir, uma pessoa humilde e sempre disposta a ajudar o próximo”, afirma. Nos momentos de descanso, busca atividades mais tranquilas. “Nos meus dias livres, gosto de ir para a chácara, onde encontro uma paz que só lá tem, pescar e fazer algo entre amigos e família”, conclui.