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“Treinar para lutar é diferente de viver para lutar”, diz Kenidy Lukas ao projetar carreira internacional

da redação - 7 de abr de 2026 às 15:35 54 Views 0 Comentários
“Treinar para lutar é diferente de viver para lutar”, diz Kenidy Lukas ao projetar carreira internacional Da Redação

“Treinar para lutar é diferente de viver para lutar”. A frase resume a forma como o atleta profissional Kenidy Lukas Cardoso enxerga sua trajetória nas artes de combate. Natural de Presidente Epitácio (SP) e hoje representante de Ponta Porã e de Mato Grosso do Sul, ele construiu uma carreira baseada na disciplina e na busca constante por evolução técnica.

 

Com maior volume de lutas no kickboxing e no boxe, Kenidy acumula conquistas importantes nas duas modalidades. Ele já foi campeão brasileiro e estadual de kickboxing, além de títulos no boxe, como o estadual e a Copa PH. Em 2023, foi eleito o melhor atleta do Brasil na categoria até 54kg, resultado que, segundo ele, é fruto de uma preparação contínua.

 

“Eu senti que chegaria lá desde o primeiro contato com as luvas. Sempre tive facilidade com o combate, mas entendi que o talento precisava ser acompanhado de uma busca incessante pela profissionalização”, afirmou.

 

Entre os títulos conquistados, um dos marcos da carreira foi o cinturão no Fight Dragon. “O Fight Dragon teve um significado muito especial porque foi onde conquistei meu primeiro cinturão — hoje já somo cinco no total. Além disso, a vitória me garantiu o direito a uma vaga para lutar no Japão. Embora a viagem ainda não tenha se concretizado por questões da organização, conquistar esse mérito foi a prova de que meu nível técnico já estava entre os melhores do mundo”, disse.

 

A experiência em competições nacionais também reforçou essa percepção. No Campeonato Brasileiro de Kickboxing, Kenidy entrou com um objetivo claro. “Eu entrei na competição com uma mentalidade muito forte: a derrota não era uma opção. Me preparei de forma completa e estratégica, com a certeza de que o resultado positivo viria”, relatou.

 

A rotina de treinos, segundo ele, é dividida entre técnica e condicionamento físico. “O que não pode faltar é a disciplina com os fundamentos básicos e o estudo tático. O treino de sparring e a parte de força são essenciais, mas a constância é o que realmente dita o ritmo”, explicou.

 

Para o atleta, a diferença entre um praticante comum e um profissional está na forma como a carreira é conduzida. “É a diferença entre treinar para lutar e viver para lutar. O profissional trata o corpo como uma máquina de alta precisão e foca na consistência sob pressão. Ele não luta apenas com o coração; luta com o cérebro sob estresse extremo”, afirmou. Segundo ele, aspectos como o controle de peso também fazem parte desse compromisso. “Bater o peso é a primeira vitória e uma obrigação contratual. É uma demonstração de respeito ao evento e ao adversário.”

 

O trabalho mental é outro ponto destacado por Kenidy. “Eu trabalho muito a visualização do combate e o controle emocional. A confiança vem da preparação. Se eu sei que treinei tudo o que podia, minha mente fica calma para executar o plano”, disse.

 

Além dos desafios dentro do ringue, o atleta também enfrentou dificuldades fora dele. Ele relata que o início da trajetória foi marcado por um ambiente familiar conturbado. “Cresci em um ambiente de muita violência doméstica, presenciando situações difíceis. Isso gerou uma revolta interna que eu não sabia controlar e acabava descontando em brigas na escola”, contou.

 

Segundo Kenidy, o contato com as artes marciais foi determinante para mudar esse cenário. “O esporte foi o que me salvou. As artes marciais me deram disciplina e transformaram aquela agressividade em técnica e foco. Hoje, luto para dar uma vida melhor para a minha família e para mostrar que é possível escolher um caminho de respeito”, afirmou.

 

Representar Ponta Porã e Mato Grosso do Sul também faz parte dos objetivos do atleta. “É um orgulho carregar a bandeira da minha cidade e do estado. Quero mostrar que temos talentos de alto nível aqui na fronteira e ser um exemplo para os novos atletas”, disse.

 

Entre as referências, Kenidy cita nomes do kickboxing e do boxe mundial, além de atletas brasileiros. “No kickboxing, me inspiro na técnica e no jogo de pernas do Ernesto Hoost. No boxe, minha referência é o Roy Jones Jr., pela velocidade e pela capacidade de antecipar movimentos. Também acompanho o Alex Poatan e o José Aldo, que mostram que é possível sair do Brasil e alcançar o topo”, afirmou.

 

Com cinco cinturões conquistados — três no kickboxing, um no muay thai e um no boxe —, o atleta projeta novos passos na carreira. “Meus planos são continuar defendendo meus títulos e buscar novos desafios em grandes organizações. A vaga para o Japão abriu minha mente para o cenário internacional. Quero estar pronto para quando essas oportunidades surgirem”, finalizou.

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