Da Redação
Ex-atleta, treinador de alto rendimento e fundador de projetos voltados ao esporte e à formação de jogadores, Elton Xavier Leite, nascido em 30 de agosto de 1983, iniciou sua trajetória no futebol ainda nas categorias de base. Atualmente, atua na preparação e formação de atletas por meio da Xavi Esporte e também está à frente do Jogo das Estrelas, ação beneficente que reúne jogadores que atuam fora de Mato Grosso do Sul.
A relação de Elton com o futebol começou no Esporte Clube Comercial, onde iniciou sua formação. Depois, passou pelas categorias de base do Operário Futebol Clube, onde permaneceu por quatro anos. No clube, atuou pelas categorias sub-15, sub-17, sub-20 e também chegou ao futebol profissional.
Durante esse período, foi campeão estadual sub-20 e participou da Seleção do Estado de Mato Grosso do Sul, comandada pelo treinador Bahianinho. Na sequência, passou pelas categorias de base do Paulista Futebol Clube e teve uma breve passagem pelo Figueirense. Em 2004, encerrou a carreira como atleta.
A experiência acumulada durante os anos como jogador acabou sendo levada para outra etapa de sua relação com o futebol. Elton conta que a vontade de trabalhar com a formação de atletas também ganhou força quando percebeu que o próprio filho tinha talento para seguir carreira no esporte.
“Quando percebi que meu filho também tinha talento para ser um jogador de futebol e tive a oportunidade de acompanhar a carreira dele. Hoje, ele está fora do Estado, realizando seus objetivos”, conta.
Para Elton, continuar ligado ao futebol também representa a possibilidade de transmitir aos jovens aquilo que aprendeu durante sua trajetória. A experiência como atleta, segundo ele, contribuiu para que passasse a enxergar a formação esportiva de outra maneira.
“O futebol sempre esteve no meu coração. Seria uma oportunidade de passar tudo que aprendi e ajudar garotos e garotas a lutarem pelos seus objetivos, com muita dedicação e foco, fazendo-os entender que não é apenas sonhar, é abrir mão de tudo e suportar o processo”, afirma.
Além da experiência prática, Elton buscou formação em áreas relacionadas ao esporte. Ele possui formação em Educação Física e estudos em Psicologia do Esporte e Biomecânica, conhecimentos que utiliza em sua atuação como treinador de alto rendimento.
Para ele, a preparação de um jogador precisa envolver diferentes aspectos, desde o desenvolvimento físico até a preparação psicológica.
“Hoje, para ser um jogador de alto rendimento, é preciso ser diferente e fazer o que ninguém faz. Para isso, é preciso trabalhar o corpo por meio da preparação física e da biomecânica, trabalhar a mente e estar sempre estudando para estar psicologicamente preparado para as adversidades”, explica.
Elton também defende que a experiência prática no futebol pode contribuir para a formação dos atletas. Na visão dele, quem já passou pelo ambiente de um clube, por vestiários e competições consegue transmitir aos jogadores situações que fazem parte da realidade do esporte.
“É preciso ser instruído por uma pessoa que já vivenciou o mundo do futebol, principalmente dentro de campo. Por quê? Só instrui um grupo e passa experiência quem vivenciou”, afirma.
A preparação psicológica é outro ponto considerado importante pelo treinador. Segundo Elton, o trabalho nessa área ajuda o atleta a lidar com situações de pressão e a manter a concentração durante as competições.
“A preparação psicológica, na Psicologia Esportiva, capacita o atleta a gerenciar o estresse, manter o foco e tomar decisões precisas sob intensa pressão competitiva”, explica.
Na parte física, Elton destaca o papel da biomecânica na análise dos movimentos realizados pelos jogadores. Para ele, o conhecimento pode contribuir tanto para o desempenho quanto para a redução do risco de lesões.
“A biomecânica atua como um pilar central no futebol moderno, sendo capaz de otimizar o rendimento físico e reduzir o risco de lesões por meio da análise científica dos gestos motores”, afirma.
Ele resume esse trabalho em uma frase: “Movimentos corretos, mais rendimento e menos lesões”.
A preparação dos atletas também mudou, segundo Elton, principalmente pela utilização de ferramentas que permitem obter informações individuais com maior rapidez. Para ele, os recursos disponíveis atualmente possibilitam um acompanhamento mais preciso dos jogadores.
“Hoje temos ferramentas mais acertadas e podemos ser mais pontuais. Podemos gerar números individuais do atleta com mais rapidez e alcançar resultados por meio desses recursos que antes não tínhamos acesso”, afirma.
Ao comparar o futebol de sua época com o atual, Elton também aponta mudanças na relação entre atletas e comissões técnicas. Na avaliação dele, os jogadores das gerações anteriores tinham menos liberdade e regalias no ambiente dos clubes.
“Acho que o principal ponto que hoje não pode ser feito são as abordagens que a comissão técnica tinha com os atletas. Não tínhamos tantas regalias e brincadeiras com a comissão. Hoje, infelizmente, os atletas que estão entrando no mercado estão sendo preparados com algumas regalias e liberdades que antes não existiam”, afirma.
Para ele, essa mudança pode fazer com que alguns jovens tenham uma percepção diferente sobre o que significa seguir uma carreira profissional.
“Muitos querem viver a vida de jogador, mas não querem ser jogador de futebol”, resume.
A forma como os jovens são preparados também é uma preocupação apontada por Elton. Segundo ele, parte dos atletas não está sendo preparada para lidar com as dificuldades encontradas ao longo da trajetória até o futebol profissional.
“Estão sendo formados de maneira equivocada. Infelizmente, hoje muitos treinadores não vivenciaram o futebol, nunca vivenciaram um vestiário, um campo”, afirma.
Na avaliação dele, a falta de experiência prática pode fazer com que os atletas não conheçam a realidade que encontrarão ao longo da carreira.
“Devido a isso, os atletas estão sendo preparados sem saber a realidade e o quanto é dolorosa e cansativa a trajetória. Eu, como ex-jogador e pai de jogador, vivenciei tudo isso na minha época e no futebol moderno, com meu filho”, relata.
Elton também questiona a valorização excessiva dos resultados nas categorias de base. Para ele, o processo de formação deve estar acima da conquista de títulos.
“Infelizmente, são treinados para ganhar troféus e não para suportar o processo”, afirma.
No trabalho como treinador, Elton diz que procura aliar disciplina, cobrança e confiança. A proposta, segundo ele, é corrigir os erros sem deixar de mostrar ao atleta como executar corretamente determinada atividade ou comportamento.
“Eu trabalho com a disciplina corretiva e sincera. Corretiva, de não somente cobrar, mas sim mostrar na prática como se faz e dar certo, ser um exemplo dentro e fora de campo”, explica.
A confiança também faz parte da relação com os atletas. Para Elton, o jogador precisa ter liberdade para aproveitar o esporte, mas sem deixar de lado a responsabilidade.
“Jogue futebol com alegria, vá ser feliz, mas com responsabilidade e respeito”, afirma.
Foi com essa visão sobre o esporte que Elton também criou a Xavi Esporte, projeto que, segundo ele, representa a realização de um objetivo antigo. A escolinha tem como proposta trabalhar a formação dos jovens dentro e fora do campo.
“Hoje tenho minha escolinha de futebol, que há muito tempo sonho em construir. Meu principal objetivo é direcionar esses meninos a se tornarem cidadãos de bem dentro e fora de campo”, afirma.
Para o treinador, tornar-se jogador profissional não deve ser tratado como a única finalidade da formação. O futebol, segundo ele, deve ser consequência do trabalho e da dedicação do atleta.
“Ser um jogador de futebol é consequência do trabalho e da dedicação de cada um. É preciso ter a conscientização de que o estudo vem em primeiro lugar. O futebol é uma consequência da sua dedicação e perseverança”, diz.
Além da formação de atletas, Elton também é fundador do Jogo das Estrelas, ação realizada no final do ano que reúne jogadores que atuam em clubes de fora de Mato Grosso do Sul. A iniciativa tem caráter beneficente e utiliza o futebol para arrecadar alimentos destinados a uma clínica de recuperação.
A ação reúne atletas que retornam ao Estado durante o período de fim de ano e participam de uma partida beneficente. A arrecadação é destinada à instituição escolhida para receber as doações.
O projeto também faz parte da relação de Elton com o futebol fora do ambiente de treinamento. Além de trabalhar diretamente com a formação de jogadores, ele utiliza o esporte como forma de mobilização para uma ação social.
A iniciativa se soma ao trabalho desenvolvido na Xavi Esporte e à visão que Elton apresenta sobre a formação dos atletas. Para ele, o futebol deve estar associado à responsabilidade e ao respeito, tanto dentro quanto fora dos campos.
Ao falar sobre os jovens de Mato Grosso do Sul que sonham em construir uma carreira no futebol, Elton recomenda atenção ao ambiente escolhido para a formação.
“Esteja em um lugar onde o principal objetivo não seja ganhar medalhas e troféus. Esteja onde o principal objetivo é formar jogadores física, técnica e psicologicamente”, orienta.
Segundo ele, a preparação precisa considerar as diferentes etapas da trajetória de um atleta e não apenas os resultados obtidos nas competições.
“Só assim temos uma geração preparada para suportar o processo durante a caminhada”, afirma.
Para resumir sua visão sobre o papel de um profissional que trabalha na formação de jogadores, Elton deixa uma última reflexão: “Treinador que humilha não tem perfil de formador”.