Da Redação
Transformar vidas. É esse o verbo que move Luzélia Costa de Oliveira, a “Leoa do MS”, atleta de beach tennis nascida em Campo Grande, que desde 2013 vem escrevendo uma história de desafios, conquistas e inspiração dentro da modalidade. Professora da rede pública e referência no esporte em Mato Grosso do Sul, ela enxerga nas areias mais do que competição: vê propósito, superação e mudança.
Luzélia conheceu o beach tennis por volta de 2012, por meio de uma antiga colega de trabalho, durante encontros no clube da ACP (Associação Campo-grandense de Professores). “Comecei a praticá-lo no ano de 2013 e comecei a competir na categoria amadora em 2014”, lembra. Desde então, não parou mais. O que começou como curiosidade se tornou paixão e, mais tarde, profissão.
No início da caminhada, os obstáculos foram muitos. A falta de estrutura e incentivo no estado dificultava a continuidade. “O esporte não era muito praticado aqui na cidade, então tinha que viajar muito para competir, e os gastos eram muitos”, explica. Sem patrocínio ou apoio financeiro institucional, ela bancava os próprios custos. “Sempre tive que pagar para jogar”, resume, entre risos.
Apesar das dificuldades, Luzélia persistiu. Participou de inúmeros torneios pelo Brasil e conquistou títulos importantes. Um dos momentos mais marcantes foi em 2021, quando venceu um BT10 Mundial em Biguaçu, Santa Catarina. A conquista veio em meio à dor. “A final foi transmitida e foi emocionante para mim, eu estava no início da minha lesão no joelho e naquela final eu já não estava mais aguentando de dor. Foi superação”, conta. Ao seu lado na quadra, a parceira Camila Golveia teve papel decisivo: “Ela jogou demais!”
Mesmo com uma rotina intensa como professora em escola de tempo integral e também ministrando aulas de beach tennis, Luzélia sempre encontrou espaço para se manter ativa no esporte. A preparação técnica, muitas vezes, acontecia nas próprias competições. “Nunca tive muito tempo para treinar. O tempo livre dedicava à academia e a parte técnica era sempre na hora do jogo mesmo”, afirma.
Com o passar dos anos, o beach tennis ganhou força em Mato Grosso do Sul. Hoje, o número de praticantes cresceu, especialmente entre os jovens. “Fico feliz em ver o esporte crescendo e evoluindo em nosso estado, hoje temos muitos jovens se destacando e isso é muito importante”, afirma. No entanto, ela reconhece que ainda há um longo caminho a ser percorrido em relação ao apoio aos atletas. “Infelizmente muitos acabam indo para outros estados para terem mais incentivo. Esse ainda é um ponto a se melhorar.”
Segundo Luzélia, o crescimento rápido do esporte trouxe desafios também dentro de quadra. “Atualmente tem muita gente praticando, virou ‘febre’. Mas ainda temos muitas dificuldades com regras e tal, pelo fato de não ter árbitro na quadra e infelizmente ainda falta ‘Fair Play’”, pontua. Ela acredita que as arenas cumprem seu papel no fomento ao esporte, mas espera avanços mais concretos em políticas públicas e apoio direto aos competidores.
Com uma carreira consolidada, Luzélia começa a trilhar um novo capítulo. “Estou aposentando”, revela. Já tendo alcançado o ranking entre as 100 melhores do mundo e entre as 15 melhores do Brasil, ela agora quer seguir nas quadras por prazer e saúde. “Já formei atletas, professores, cumpri meu papel! Agora quero continuar jogando para me divertir. Claro, competir, mas de uma forma diferente. Competir na categoria de idade e amadora, mas com ênfase no bem-estar.”
Mesmo reconhecendo o mérito de grandes nomes do beach tennis, como Samantha Barijan, Luzélia se enxerga como sua maior inspiração. “Sempre foi eu mesma, porque só eu sei tudo que já passei e tudo que sinto aqui dentro e o quão esse esporte foi e é transformador na minha vida”, diz.
Ao olhar para trás, ela vê uma trajetória marcada pela dedicação, força de vontade e resiliência. Ao olhar para frente, enxerga a missão de continuar sendo exemplo, especialmente para mulheres que desejam começar no esporte, mas ainda têm receio. E a mensagem é clara: “Não tenham receios! O esporte transforma vidas.”