Da Redação
A trajetória de Adriana Bringel Gomes no paradesporto começou ainda na faculdade, em Campo Grande, durante um projeto de extensão na APAE. Foi ali que ela teve o primeiro contato com a bocha paralímpica — modalidade que, anos depois, se tornaria parte central da sua vida e atuação profissional. Nascida em 23 de abril de 1982, em Fátima do Sul (MS), Adriana se firmou como técnica da modalidade e hoje trabalha com atletas iniciantes e experientes, de diferentes regiões do estado.
“Comecei como auxiliar dos professores em 2010, me formei em 2012, fiquei um tempo fora do paralímpico até 2015, mas logo retornei”, lembra. Desde então, ela dedica grande parte do seu tempo a formar e acompanhar atletas, muitas vezes de maneira voluntária. “Durante muitos anos desenvolvi meu trabalho como voluntária.”
Hoje, Adriana supervisiona uma equipe com 19 atletas em Campo Grande, além de manter contato com paratletas de cidades como Aquidauana, Miranda e Dourados. Os treinos são realizados de terça a sábado. Ela destaca que seu trabalho é voltado tanto ao aspecto técnico da modalidade quanto ao desenvolvimento pessoal dos atletas.
A bocha paralímpica é uma modalidade adaptada para pessoas com deficiência física severa, especialmente aquelas com paralisia cerebral ou deficiências motoras progressivas. Altamente estratégica e técnica, exige precisão, controle motor fino e muita concentração. “Trabalho principalmente com meus atletas as seguintes habilidades: precisão, controle motor, planejamento estratégico, concentração e tomada de decisão sob pressão.”
Além do treinamento esportivo, Adriana valoriza os benefícios da bocha na vida dos atletas em aspectos que vão além da quadra. “Na parte física melhoramos coordenação, respiração, foco motor. No emocional, melhora a autoestima, a autonomia, a motivação para tudo no dia a dia. E no social conseguimos a inclusão deles na sociedade em geral, conquistando novas amizades.”
Apesar dos avanços em projetos e políticas públicas, Adriana aponta que ainda há entraves para o crescimento da modalidade no estado. Um dos principais problemas é a falta de infraestrutura. “Vejo que já evoluímos muito, principalmente com projetos. Porém, falta estrutura apropriada para o treino da modalidade específica de bocha paralímpica.”
Ela também destaca a ausência de materiais adequados e espaços exclusivos para o treinamento como obstáculos persistentes. “Vejo que o maior desafio na modalidade é ter um lugar específico e apropriado direcionado para os treinos, além de material apropriado.”
Mesmo diante das dificuldades, Adriana se recusa a deixar que os problemas ofusquem os avanços conquistados. E embora afirme que cada competição é especial, com diferentes histórias de superação, ela destaca que não é possível escolher apenas um momento marcante em sua trajetória. “Cada competição, cada um dos atletas tem suas superações. Para mim, cada momento é único.”
Com o olhar voltado para o futuro, Adriana acredita que Mato Grosso do Sul pode se tornar uma referência nacional na modalidade. E, mais do que isso, vislumbra o crescimento da bocha no cenário internacional, com a possibilidade de ver seus atletas representando o Brasil nos Jogos Paralímpicos de 2028, em Los Angeles. “A bocha está crescendo fortemente, com foco na base, eventos e resultados, visualizando Los Angeles 2028.”
Para ela, a consolidação da bocha paralímpica em MS depende de um tripé: investimento local, formação de novos atletas e integração com projetos nacionais. “Isso representa oportunidade: formação de novos atletas, infraestrutura local, participação em competições e alcance de apoios específicos. A tendência é que, se houver investimento local e integração com os projetos nacionais, MS caminhe para se tornar um polo relevante da bocha paralímpica no Brasil.”