Da Redação
Natural de São Bernardo do Campo (SP), nascido em 20 de novembro de 1982, Djairo Lima Domingues de Holanda descobriu no voleibol a paixão que direcionaria sua vida profissional. Hoje, técnico de nível III, ele atua em Chapadão do Sul (MS) e busca ampliar o alcance da modalidade no município.
O interesse pelo esporte surgiu ainda na adolescência, em 1994, quando ele era goleiro de futsal em Ibaté (SP), cidade onde cresceu. “Após os nossos treinos, iniciava o treino de voleibol e cada dia eu assistia mais, foi quando o professor Carlos Alberto Peruchi, o Bertinho, observou minha estatura e me convidou para participar de um treino. Foi aí que nasceu a paixão por esse esporte”, relembra.
Com mais de 30 anos de experiência no voleibol, Djairo alcançou o título de técnico nível III, certificação que, segundo ele, representa um marco. “Hoje ser técnico nível III significa muito esforço, dedicação e orgulho. Isso me habilita a trabalhar com equipes adultas e de base, em campeonatos oficiais nacionais da CBV, o que para mim é uma grande satisfação.”
Em Chapadão do Sul, o treinador enfrenta dificuldades típicas de cidades do interior, principalmente ligadas à logística e aos custos de participação em competições. “Um dos maiores desafios é a falta de recursos financeiros e a falta de campeonatos na região. Todos os campeonatos oficiais de base são realizados na capital, o que aumenta o custo e dificulta a nossa participação. Com isso, as equipes do interior sempre estão um passo atrás.”
Apesar das barreiras, Djairo reconhece o apoio recebido do município. “Contamos com uma grande ajuda por parte da prefeitura, por meio da secretaria de esportes, mas ainda falta muito para que possamos nos equiparar aos grandes centros. O ideal seria uma ajuda maior da iniciativa privada e de outros meios”, explica.
Para ampliar as possibilidades, ele e outros pais e atletas reativaram recentemente a Associação Desportiva e Cultural de Chapadão do Sul. “Temos projetos de lei de incentivo aprovados, mas não conseguimos captar esses recursos, que seriam destinados ao aperfeiçoamento de atletas que já estão fora da idade atendida pela secretaria do município.”
Ao longo da carreira, Djairo acumula participações em diversas competições. Em Mato Grosso do Sul, um dos momentos que mais valoriza foi a conquista da Copa Pantanal sub-16 Masculino, em 2024, com a equipe da Prefeitura de Chapadão do Sul. No mesmo ano, atuou como auxiliar técnico da equipe Campo Grande Vôlei, que conquistou o 3º lugar no Campeonato Brasileiro Interclubes, disputado em Goiânia (GO). “Trago comigo grandes resultados de diversos campeonatos disputados no estado de São Paulo, onde trabalhei até o ano de 2022. Mas tenho muito carinho pela conquista da Copa Pantanal e pelo trabalho realizado no Brasileiro Interclubes”, afirma.
Ao falar sobre a disciplina e a formação de jovens atletas, Djairo enfatiza que o processo começa desde o momento em que o aluno decide fazer parte da equipe. “Disciplina tem que ser trabalhada desde a hora que se compromete em fazer parte da equipe, tanto em treinos, horários e modo de se vestir e se comportar. Tudo isso é cobrado e ressaltado.”
Segundo ele, o trabalho coletivo é construído diariamente. “Trabalho em equipe é feito com atividades em grupo, conversas sobre coletividade e bastante tempo de convivência juntos, para que se conheçam e se respeitem uns aos outros do jeito que são.”
Já a resiliência é vista como uma ferramenta para enfrentar obstáculos dentro e fora da quadra. “Trabalhamos sempre para que superem os medos e as adversidades tanto no dia a dia quanto em resultados de partidas, mostrando e trabalhando os nossos erros para que não se tornem uma fraqueza para a equipe. Aqui trabalhamos com a nossa realidade, transformando adversidades e dificuldades em desafios e superações.”
A trajetória de Djairo inclui a formação de atletas que seguiram carreira em clubes de expressão nacional. “No estado de São Paulo, o meu primeiro atleta que despontou saindo da minha escolinha foi o Gabriel Grimberg, que atuou por dois anos no Vôlei Maringá”, recorda.
Em Chapadão do Sul, ele destaca a descoberta de Bruna Herdina, em 2022. “Foi uma verdadeira joia. Ela atuou por dois anos no Praia Clube de Uberlândia (MG) e hoje joga na base do Fluminense (RJ).”
Outros nomes também foram revelados recentemente. “No ano passado, Gabriel Pozzer, nosso atleta destaque de 2024, saiu das nossas escolinhas para jogar na AABB/Limeira. O nosso ponteiro Vinícius foi para o Voleibol Itapagipe. Três atletas do feminino — Lívia Bley, Lara Bley e Valentina Santos — saíram da escolinha de Chapadão do Sul para a equipe do ASA de Santa Helena (PR). Este ano, os destaques são os atletas da Associação Desportiva e Cultural de Chapadão do Sul, Davi Mozel e Miguel Arcanjo.”
Sobre os próximos objetivos, Djairo cita a necessidade de ampliar o projeto para atender novas categorias. “Nossos planos e sonhos são a ampliação do projeto de voleibol pela Associação, para atender ainda mais alunos e mais categorias. Hoje atendemos a categoria sub-17 masculino e o adulto feminino. Não temos mais espaço físico disponível para conseguir atender outras categorias que nos procuram. Também queremos ter a capacidade de participar dos campeonatos importantes no calendário da Federação de Voleibol do MS, juntamente com campeonatos de importância nacional.”