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Superar o luto e voltar ao palco: Yasmin transforma dor em motivação no fisiculturismo

da redação - 11 de ago de 2025 às 15:16 137 Views 0 Comentários
Superar o luto e voltar ao palco: Yasmin transforma dor em motivação no fisiculturismo Da Redação

Após um período longe dos palcos, a fisiculturista sul-mato-grossense Yasmin Oliveira Gonsales Toscano encontrou no esporte uma maneira de seguir em frente diante da perda do pai. "Não sabia se voltaria", relembra. O que parecia ser o fim de um ciclo se transformou em combustível para retomar os treinos, superar um luto profundo e redescobrir sua força.

 

Yasmin nasceu em 4 de setembro de 1995, em Campo Grande. Começou a competir em 2019 na categoria Bikini Fitness, pela IFBB, mas já tinha em mente um objetivo mais audacioso: a categoria Wellness. A mudança só se concretizou três anos depois, quando conseguiu atingir o volume muscular necessário e estreou na NPC.

 

"Ainda precisava de tempo pra ganhar volume, então comecei pela Bikini", conta. A evolução, no entanto, não foi apenas física. Em paralelo à trajetória como atleta, Yasmin construiu também uma carreira como treinadora. Entre os desafios, ela destaca que o mais difícil foi “vencer a mim mesma todos os dias”.

 

O processo de preparação para as competições não é simples. Exige disciplina extrema, energia e resiliência. "Cardios aumentam, treinos por semana também, dieta aperta cada vez mais e a energia fica cada vez menor", explica. A falta de garantias, o investimento financeiro e o medo de falhar fazem parte da rotina de quem vive o alto rendimento. Ainda assim, ela não hesita: "O que motiva, mesmo na dificuldade, é a vontade de estar cada vez melhor a cada preparação."

 

Foi essa mesma mentalidade que a ajudou a enfrentar o momento mais difícil da vida. Após perder o pai, Yasmin se viu sem chão. "Estava longe dos palcos há um tempo e não sabia se voltaria. Pra vencer o luto e não deixar a tristeza me dominar resolvi começar uma preparação novamente", relembra. Na época, retornou à categoria Bikini, por enfrentar dificuldades com alimentação em meio à tristeza. O esporte, diz ela, "me ajudou a me manter de pé".

 

A volta foi marcada por conquistas. Nos três campeonatos que disputou em Mato Grosso do Sul, venceu todos e conquistou também os títulos de Overall da categoria — quando o melhor entre todos os campeões é escolhido. "Sem dúvida, a sensação de gratidão é imensa competindo em casa e entregando meu melhor pra todos que se dispuseram a ir torcer por mim", diz.

 

Ela lembra com carinho da primeira vez que subiu no palco. "É uma sensação de vitória mesmo que o 1º lugar não venha, só de ter vencido todas as dificuldades e ter chegado até ali." Foi ali que nasceu a vontade de seguir competindo. "Senti que podia fazer mais."

 

Além das conquistas como atleta, Yasmin encontrou no esporte uma forma de impactar outras vidas. Ela atua também como treinadora, e afirma que a vivência no palco é uma aliada na hora de orientar os alunos. "O esporte acrescenta muito no conhecimento para o meu trabalho. É gratificante."

 

Conciliar treinos, preparações e trabalho não é simples. "Toda ocupação nos suga de alguma forma, mentalmente ou fisicamente. Mas só nos abala aquilo que permitimos. A cabeça precisa estar tão forte quanto o corpo. Isso que te torna um atleta", afirma.

 

Ela observa com otimismo o crescimento do fisiculturismo em Mato Grosso do Sul, especialmente entre as mulheres. "A chegada da NPC fez despontar ainda mais o interesse no esporte. O número de atletas iniciantes cresce a cada ano, principalmente o número de atletas femininas. Com todo o conhecimento que temos hoje, acredito que elas estão ficando mais confiantes em buscar um físico de atleta."

 

Para aquelas que sonham em começar, mas ainda sentem insegurança, ela deixa um recado direto: "Não tenha pressa. Respeite seu corpo. Sem loucuras. As consequências às vezes são irreversíveis. Ser resiliente é o que vai te trazer longevidade no esporte."

 

Entre as inspirações, Yasmin cita nomes como Célia Machado, sua primeira referência na IFBB, e atletas como Elisane Lima, Isa Pereira, Francielle Mattos e Eduarda Bezerra. "Todas atletas incríveis e únicas que me ensinaram a construir a imagem de uma atleta excelente."

 

O foco agora está na preparação para o próximo desafio. Sem campeonatos confirmados para este ano, ela já planeja o retorno ao palco na próxima temporada. "A expectativa para o próximo é imensa. Nenhum é igual ao outro. A sensação de friozinho na barriga é sempre a mesma, junto com a vontade de trazer um físico cada vez melhor. Já não vejo a hora de me colocar à prova novamente."

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