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Souto Moreno e o vôlei que começou por acaso: ‘Aceitei jogar e nunca mais parei’

da redação - 26 de nov de 2025 às 15:33 120 Views 0 Comentários
Souto Moreno e o vôlei que começou por acaso: ‘Aceitei jogar e nunca mais parei’ Da Redação

“Sempre gostei de esportes e sempre me dei bem com eles. O que me inspirou a continuar no voleibol foram as pessoas que diziam: ‘você nunca vai melhorar, você não vai aprender a jogar’”. A frase é de João Victor Silva Souto Moreno, conhecido no esporte apenas como Souto Moreno, atleta de vôlei em Mato Grosso do Sul. Hoje, aos 27 anos, ele conta que começou tarde na modalidade, mas que encontrou nela um espaço de crescimento e convivência.

 

Nascido em 15 de abril de 1998, em Vespasiano (MG), João Victor chegou ao vôlei quase por acaso. Ele lembra que, aos 20 anos, foi ao Poliesportivo da Vila Nasser para jogar futsal, mas o grupo não apareceu. Acabou assistindo um bate-bola de vôlei e recebeu um convite para participar. “Perguntaram se eu queria jogar porque eu era alto. Aceitei e estou aí até hoje nesse esporte”, relembra. A transição não foi difícil para quem já tinha experiência esportiva anterior. “Fui atleta de handebol por seis anos, então o esporte sempre esteve presente.”

 

O começo, entretanto, não foi simples. Ele afirma que o início no vôlei trouxe dificuldades comuns a muitos atletas que tentam espaço. “Ninguém te conhece, ninguém dá oportunidade. Críticas o tempo todo. Mas a vida é assim, temos que suportar o processo e acreditar em nós mesmos.” Apesar do amadurecimento esportivo, João Victor avalia que ainda não está no nível que deseja. “Um dia acredito que posso jogar em alto nível. Espero chegar nessa fase, mas por enquanto estou na luta para melhorar dia após dia. Estou bem longe do alto nível.”

 

Hoje, a rotina de treinos é limitada pela agenda profissional. João Victor viaja com frequência a trabalho e o vôlei, segundo ele, é um hobby. A prioridade está em manter a forma física. “Atualmente tenho foco maior em recuperação e treinos na academia. O voleibol infelizmente é só hobbie. É difícil manter uma rotina de treinamento porque viajo muito.” Ele reconhece que ainda tem pontos a evoluir. “Tenho muita dificuldade no fundo de quadra, nos passes, defesas e posicionamento. A defesa é algo que preciso aperfeiçoar.”

 

Apesar dos obstáculos, o atleta acumula boas lembranças. O primeiro título marcou sua trajetória. “Acredito que o primeiro torneio que a gente ganha sempre marca. Foi o Quarteto Mieres, com Darlon, Davi, eu e nosso amigo Kelson Bandinelli, que infelizmente nos deixou esse ano”. Ele também cita experiências importantes na Copa Mazé, em Corumbá. “Jogamos com a Pantanal Gods e foi incrível. Estávamos a um fio de sair do torneio, mas passamos e vencemos a etapa.” Outro conjunto de memórias vem das etapas do Circuito Região Norte de Vôlei de Praia, organizadas por atletas de São Gabriel do Oeste. “Todas as etapas desse torneio me marcam bastante.”

 

Ao avaliar o cenário do vôlei em Mato Grosso do Sul, João Victor aponta que a prática da modalidade vem crescendo, mas ainda enfrenta barreiras estruturais. “Atletas e jogos estão bacanas, mas a questão do apoio está difícil. A maioria dos torneios é feita por meios privados. Todo mundo tira do bolso, investe, e não há apoio da prefeitura ou do governo. É uma situação delicada.” Para ele, o desenvolvimento do esporte passa necessariamente por mais investimento e respaldo institucional.

 

Mesmo sem planos de seguir carreira profissional, Souto Moreno mantém metas pessoais ligadas ao vôlei. “Pretendo continuar jogando nos interiores do Estado, revendo amigos, ganhando etapas e me divertindo. O importante do esporte não é quem ganha ou perde, são as amizades que construímos.” Aos jovens que pensam em seguir no vôlei, ele resume o que considera essencial: “Dedicação, foco, persistência e disciplina. Traçar uma rota da sua saída para o seu destino sem titubear e sem distrações.”

 

Fora das quadras, João Victor busca equilíbrio entre trabalho, treinos e vida pessoal. “Gosto de academia, gosto do meu trabalho e viajo muito. Gosto dos rachas da semana. Tenho foco no meu emprego e nos estudos. Sigo dia após dia tentando conciliar trabalho, treinos e ter um tempo para o João.”

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