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“Só comecem”: Janayna Oliveira conta trajetória de luta, arbitragem e ensino de artes marciais em MS

da redação - 22 de ago de 2025 às 14:00 116 Views 0 Comentários
“Só comecem”: Janayna Oliveira conta trajetória de luta, arbitragem e ensino de artes marciais em MS Da Redação

Janayna Oliveira Souza, nascida em 05 de fevereiro de 1985, em Dourados (MS), construiu uma trajetória marcada pela persistência e pelo compromisso com as artes marciais. Hoje professora de Muay Thai e árbitra de boxe, ela compartilha experiências que revelam não apenas sua paixão pelos esportes de combate, mas também os desafios enfrentados para conciliar carreira, treino e vida pessoal.

 

O interesse de Janayna pelo Muay Thai começou ainda aos 15 anos, mas, como ela lembra, “meu pai não deixou e na época era um pouco do machismo”. A carreira acadêmica também foi um fator de demora: “Fui para a faculdade, como era integral não tinha tempo. Logo que me formei, procurei uma academia e lá tinha o Muay Thai, e comecei em 2008 com 23 anos.” Já o boxe surgiu de forma mais casual, durante os treinos de Muay Thai. “Já gostava um pouco quando treinava o Muay Thai, mas para lutar achava muito rápido. Como árbitra, tinha uma admiração por árbitro que atuava e quando abriu o curso, resolvi fazer e me apaixonei, isso em 2018.”

 

O caminho para se tornar professora também não foi fácil. Janayna destaca que seu maior desafio foi consigo mesma: “Para ser professora meu maior desafio foi comigo mesma, conciliar treinos e trabalho, tentando nunca faltar aos treinos para poder ir alcançando as graduações.” Na arbitragem, enfrentou dificuldades estruturais e políticas. “Como árbitra, a dificuldade foi a corrupção dentro da Federação, houve muitas batalhas para eu conseguir me manter e não aguentei a covardia, saí em 2023.”

 

Conciliação entre atividades profissionais e esportivas é outro ponto de destaque na vida de Janayna. Ela conta que sua rotina exigia disciplina e planejamento: “Para se manter como atleta e árbitra, maior dificuldade é com o trabalho. Como moro sozinha, tive sempre que me virar para tudo dar certo. Principalmente serviços que desse para conciliar a tudo isso. Trabalha durante o dia, treinava à noite e arbitrava aos finais de semana. Essa rotina foi bem puxada até chegar a ser professora.”

 

No ensino, a experiência adquirida ao longo dos anos fez diferença. “Como professora nunca tive problemas e com o meu aprendizado tive muita bagagem para lidar com alunos e ambientes de academia.” Ela reforça que, nas artes marciais, a disciplina e o respeito são fundamentais. “Em todos ramos das nossas vidas devemos ter disciplina e respeito, nas artes marciais devemos mais ainda, porque estamos lidando com agressividade e força. Precisamos ensinar qual o nosso limite e o limite do colega para manter um ambiente seguro e acolhedor para os alunos e os atletas. Todos temos desafios dentro e fora do tatame, o respeito ajuda a entendermos os nossos alunos.”

 

Janayna acredita no potencial de crescimento das artes marciais em Mato Grosso do Sul, mas alerta sobre a necessidade de mudanças na gestão das federações. “Com certeza tem grandes chances de crescer, mas algumas federações têm que ser mudadas na gestão. Muitos estão há anos e se acham donos do dinheiro destinado para o esporte. Poucos atletas conseguem ir adiante por conta dos interesses dos presidentes de algumas federações e isso trava o crescimento. Investimento temos, mas tem que ter uma mentalidade digna para fazer acontecer.”

 

Sobre a participação feminina, Janayna observa avanços, mas reconhece dificuldades: “As mulheres são minorias no esporte ainda, mas já apareceu muito por conta de algumas atletas se destacando nos principais eventos do país e do mundo. Para as mulheres se manterem é bem mais difícil por conta de algumas na parte da maternidade. Algumas conseguem voltar e outras não. Ao longo desses anos já perdi algumas colegas boas de brigas por priorizar a família. E está tudo certo e a escolha delas. Comigo acaba sendo um pouco mais fácil por eu ter a opção de não ser mãe, fez eu ter mais tempo para o esporte.”

 

Um dos momentos mais marcantes de sua carreira como árbitra aconteceu em 2022, no Rio de Janeiro: “Foi um evento de grande magnitude na Vila Olímpica. E a luta foi nesse evento, arbitrei a luta da Beatriz Ferreira, vice-campeã nas Olimpíadas de Tóquio, campeã mundial e outros títulos. Hoje ela é referência no boxe olímpico e profissional.”

 

Janayna compartilha ainda conselhos para quem deseja começar nas artes marciais ou na arbitragem. “A gente diz no meio das lutas: a luta é pra todos, mas nem todos são para a luta. Meu conselho para quem quer começar nas lutas é só façam, só comecem. É muito prazeroso e os benefícios que traz para a nossa saúde física e mental só tendem a nos tornar uma pessoa melhor. Como árbitra, para começar tem que gostar de lutas e viver sob pressão, mas é uma experiência única e proporciona momentos inesquecíveis.”

 

O impacto das artes marciais sobre crianças e jovens também é destacado por ela: “Como eles estão em formação de personalidade e caráter, as artes marciais irão moldar para melhor essa pessoa. Trazendo valores dentro e fora do tatame. Proporciona uma vida saudável.”

 

Atualmente, seu foco está em outra arte marcial. “Meu foco no momento está em outra arte marcial, o jiu-jitsu, quero me tornar professora também para poder ensinar autodefesa para as pessoas em geral e ajudando com o esporte trazer uma vida melhor. Como árbitra, o futuro está incerto, mas a luta está grande para poder voltar ao cenário da arbitragem.”

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