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“Só comece”: a trajetória de Nathan Daniel nas artes marciais e a missão de transformar vidas

da redação - 28 de ago de 2025 às 16:31 88 Views 0 Comentários
“Só comece”: a trajetória de Nathan Daniel nas artes marciais e a missão de transformar vidas Da Redação

“Só comece, os empecilhos sempre vão aparecer e você tem a possibilidade de aliviar os seus demônios pelo simples fato de iniciar em uma arte marcial.” A frase é de Nathan Daniel da Silva, instrutor de Muay Thai, atleta de Jiu-Jitsu e responsável pelo projeto Personal Fight. Aos 22 anos, ele vive o esporte de maneira integral: como competidor, professor e incentivador do crescimento das artes marciais em Campo Grande e região.

 

Nascido em 25 de outubro de 2002, em Campo Grande, Nathan iniciou cedo o caminho nos tatames. “Comecei nas artes marciais por volta dos 7 anos com o karatê e segui até os 12 anos. Nesse período fiz kung fu dos 10 aos 12 e com 14 anos iniciei nas artes marciais que sigo hoje”, relembra. A vocação para ensinar também apareceu ainda na infância. “Desde pequeno eu sentia que tinha um certo dom para ensinar. No karatê, mesmo sendo o menor e menos graduado, já tinha a iniciativa de puxar o treino quando o sensei não ia, e assim fui me desenvolvendo.”

 

Hoje, conciliando Muay Thai e Jiu-Jitsu, ele reconhece que a prática vai além da rotina de treinos e se tornou parte essencial da própria identidade. “Essas modalidades fazem parte de quem eu sou e mesmo que tente ficar longe o meu corpo e psicológico sentem muito. Então mesmo corrido eu tenho que dar um jeito de voltar.”

 

O impacto das artes marciais, segundo Nathan, não está apenas na preparação física, mas principalmente no equilíbrio mental. Ele fala com propriedade, já que a prática o ajudou a enfrentar momentos delicados. “Acredito fielmente que o principal é o mental. O que o esporte proporciona para nossa mente é algo surreal. Minha ansiedade e depressão ficam estáveis quando estou no esporte.”

 

Essa experiência pessoal se transformou em combustível para compartilhar o que aprendeu com seus alunos. Nathan destaca a importância de iniciativas como workshops, treinamentos e eventos, que organiza como parte do projeto Personal Fight. Para ele, trata-se de uma maneira de ampliar o acesso às artes marciais. “O intuito é poder mostrar para as pessoas a importância das artes marciais na vida delas e de quem elas amam. Essa é uma forma de poder retribuir o que o esporte fez na minha vida.”

 

No trabalho diário, Nathan lida com diferentes perfis de alunos: atletas de competição e praticantes que buscam saúde, lazer e qualidade de vida. A abordagem é adaptada para cada um. “O treino realmente é diferenciado, principalmente as cobranças. A flexibilidade que tomamos é bem maior para os alunos que não são atletas.” Ainda assim, ele não faz distinção quanto ao significado da missão de ensinar. “Não tenho uma preferência entre o alto rendimento e pessoas que buscam um lazer, por exemplo. O meu combustível é poder influenciar de forma positiva na vida de qualquer pessoa que entre no meu caminho.”

 

O olhar para o futuro também é dividido entre as duas dimensões: a carreira de atleta e o papel de professor. “Quero me tornar um atleta de alto rendimento, mas quero também me tornar um excelente professor. Tento levar tudo com o máximo de dedicação possível, mesmo enquanto tento ajudar outros atletas e minha equipe a crescer juntos.”

 

O cenário das artes marciais em Campo Grande é visto por Nathan como terreno fértil para novas conquistas. “Tenho muita esperança de que o crescimento continue aumentando muito, pois sei que podemos ajudar muitas pessoas ainda”, afirma. Para ele, a expansão do esporte está diretamente ligada à possibilidade de transformar vidas, assim como aconteceu com a sua.

 

Encerrando a conversa, Nathan destaca a maior lição que carrega do caminho percorrido até aqui: a capacidade de enfrentar obstáculos. Ele cita exemplos de superação que acompanham sua jornada. “Somos capazes de enfrentar qualquer barreira, independente de qualquer situação. Temos exemplos de atletas que enfrentaram barreiras financeiras, psicológicas e até de saúde, como o Charles do Bronx, que foi campeão do UFC mesmo sendo condenado pelos médicos. Então tudo é possível para quem crê.”

 

Aos 22 anos, Nathan Daniel segue construindo sua trajetória dentro e fora dos tatames, com a certeza de que o esporte não é apenas luta, mas também um meio de transformação pessoal e coletiva. E, para quem ainda hesita em dar o primeiro passo, a mensagem é simples e direta: “Só comece.”

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