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Silêncio, rotina e persistência: como Sandra retomou o esporte e não parou mais

da redação - 12 de dez de 2025 às 14:01 83 Views 0 Comentários
Silêncio, rotina e persistência: como Sandra retomou o esporte e não parou mais Da Redação

“Quando percebi, já estava procurando uma assessoria”. A frase resume o processo que levou a advogada Sandra Gonçalves de Souza Arte Costa, de 50 anos, a transformar a corrida em parte fixa de sua rotina. Ela começou a praticar o esporte em 2023, mas a relação com a atividade física remonta à infância, quando foi atleta de atletismo na Escola Municipal Professor Licurgo de Oliveira Bastos. “Meus professores na época foram o Zelão, o Vicente e a Jussara. Pratiquei esporte contínuo até meus 14 anos”, relembra.

 

A vida adulta, segundo ela, acabou direcionando o foco para outras prioridades: casamento em 2000, nascimento dos filhos em 2005 e 2007 e, mais tarde, a formação em Direito, concluída em 2019. O retorno à prática regular de exercícios aconteceu em 2021, com o crossfit. Mas foi por influência da irmã que a corrida reapareceu como possibilidade concreta. “No ano de 2023, por incentivo da minha irmã um pouco mais nova, que já corria, iniciei nas corridas de rua. Eu era ‘pipoca’, aquela que corre sem pagar inscrição, pois ela me chamava para todas as corridas”, conta. Em 2024, ela formalizou a dedicação ao esporte ao ingressar na assessoria Team Uil.

 

O início, porém, teve desafios. Segundo Sandra, mais do que o esforço físico, o impacto veio da mudança de rotina e da necessidade de lidar com o próprio ritmo. “No início, tive dificuldade com o tempo dedicado ao silêncio e à solidão da corrida, e a conciliar a rotina familiar, religiosa e profissional. Foi difícil romper a barreira da comodidade”, explica.

 

A percepção de que a corrida havia se tornado parte de sua vida ocorreu de forma gradual, até que a superação pessoal passou a ser elemento central. “Quando a superação se tornou pessoal, entendi que a corrida é uma competição consigo mesmo. O desafio em continuar na prova é individual”, afirma.

 

Sandra relata que a prática esportiva passou a exercer influência direta no equilíbrio emocional e no cotidiano profissional. “Os exercícios físicos têm sido apoio emocional, meu momento de descanso e desligamento da rotina formal”, diz. No campo físico, observa mudanças que considera importantes para manter qualidade de vida. “Cuidado com a saúde, com o peso, check-up no joelho, melhoria da postura e autoestima”, enumera. Ela acrescenta em tom leve: “Eu me sinto atleta de quase alta performance”.

 

A participação em provas passou a fazer parte da agenda, e as conquistas vieram. “Até completar 49 anos eu ganhava medalhas ao final. Depois dos 50, já conquistei quatro troféus de 1º ao 3º lugar na minha categoria”, relata. Para Sandra, mais do que o resultado, o percurso é o ponto central. “Enquanto Deus permitir, vou me inscrever em corridas e curtir o percurso, porque durante ele conquistamos amizades e a resenha ao final. Para mim, é um momento meu comigo mesma”, afirma.

 

A rotina atual precisou ser reorganizada por conta da saúde do esposo, mas a disciplina permanece. “Pratico crossfit das 19h às 20h, segunda, quarta e sexta. E corridas das 18h às 20h, terça, quinta e sábado. Geralmente aos domingos tem prova de rua”, detalha.

 

Sobre começar a correr aos 49 anos, Sandra afirma que não encontrou resistência. “Fui muito bem recebida, e esse é um esporte inclusivo para todas as idades, onde os mais jovens te incentivam e gritam na sua chegada”, diz. Às pessoas que desejam iniciar na fase adulta, sugere fortalecer o corpo antes de buscar ritmo na corrida. “Faça academia, crossfit ou pilates, algo que ajude na musculatura. Comece indo ao Parque dos Poderes aos sábados pela manhã, nem que seja para caminhar. Logo será contagiado pela emoção de finalizar seus primeiros quilômetros”, orienta.

 

Para o futuro, Sandra não estabelece metas complexas. Ela resume seus objetivos em duas linhas: persistência e gratidão. “O motivo que me leva às ruas é a gratidão por ter saúde e a satisfação de iniciar e terminar a corrida. Mas baixar o pace também faz parte dos objetivos”, brinca. Em seguida, volta ao essencial: “Quero correr enquanto Deus permitir”.

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