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“Sempre fui sonhador”: jovem da aldeia Lagoinha busca espaço no futebol nacional

da redação - 7 de abr de 2026 às 15:31 38 Views 0 Comentários
“Sempre fui sonhador”: jovem da aldeia Lagoinha busca espaço no futebol nacional Da Redação

“Sempre fui sonhador e é isso que me mantém vivo.” A frase resume a forma como Anderson José Venâncio, de 17 anos, enxerga o futebol e o próprio caminho dentro do esporte. Natural da aldeia Lagoinha, em Aquidauana (MS), o jovem atleta relata uma trajetória marcada por início precoce, dificuldades de acesso e a busca por oportunidades fora do Estado.

 

Nascido em 26 de janeiro de 2007, Anderson afirma que o vínculo com o futebol começou ainda na infância. “Minha relação com o futebol começou quando eu tinha cinco anos de idade. Desde sempre levo o futebol a sério”, disse. A prática constante, segundo ele, foi acompanhada pelo desejo de seguir carreira, mesmo diante de limitações estruturais comuns a atletas do interior.

 

Entre os principais obstáculos, ele aponta a escassez de oportunidades. “Os desafios são as poucas oportunidades que temos”, afirmou. A necessidade de buscar espaço em outros centros acabou se tornando parte do processo. Atualmente, Anderson está no Pará, onde integra o elenco do Gavião Kyikatejê, equipe que tem ligação com comunidades indígenas.

 

A ida para outro Estado representa uma mudança significativa na rotina do atleta, que hoje está dedicado exclusivamente ao futebol. “Hoje, graças a Deus, estou em um clube da região do Pará, o Gavião Kyikatejê. Atualmente, estou apenas jogando futebol”, relatou. A experiência também amplia o contato com um projeto esportivo que valoriza a identidade indígena dentro do cenário competitivo.

 

Um dos objetivos imediatos do jogador é conquistar espaço em uma competição de base de alcance nacional. “O momento está sendo agora, que é buscar uma vaga na Copinha com um time 100% indígena”, disse, ao se referir à Copa São Paulo de Futebol Júnior, considerada uma das principais vitrines do futebol brasileiro para jovens atletas.

 

Fora de campo, Anderson também destaca referências que influenciam sua trajetória. “Minha maior referência dentro e fora do futebol é o argentino Lionel Messi, pela história que ele tem”, afirmou. A escolha, segundo ele, está relacionada não apenas ao desempenho esportivo, mas também à trajetória de superação do jogador.

 

Ao analisar o cenário local, o atleta avalia que há evolução no futebol sul-mato-grossense, ainda que os desafios persistam. “O futebol sul-mato-grossense, a cada ano que passa, vai evoluindo mais e as oportunidades vão se abrindo”, disse. A percepção é de que, apesar das dificuldades, há um movimento gradual de crescimento que pode beneficiar novos atletas.

 

Sobre o futuro, Anderson estabelece metas que vão além do desempenho dentro das quatro linhas. “Meus objetivos são me tornar profissional, não só como atleta, mas também como pessoa”, afirmou. A declaração indica uma preocupação com a formação pessoal paralela à carreira esportiva.

 

O significado do futebol em sua vida também aparece de forma direta. “O futebol sempre representou paz e alegria para mim”, disse. Para ele, a prática esportiva vai além da competição e se conecta com aspectos emocionais e sociais.

 

Ao falar com outros jovens que desejam seguir o mesmo caminho, Anderson reforça a importância da persistência. “Por mais que seja difícil entrar em algum clube, nunca deixe de sonhar com aquilo que você ama praticar”, afirmou.

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