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Sem treinador e com treinos próprios, atleta de MS busca espaço no vôlei nacional

da redação - 21 de nov de 2025 às 14:25 127 Views 0 Comentários
Sem treinador e com treinos próprios, atleta de MS busca espaço no vôlei nacional Da Redação

“Aprendi que até os bons erram, e quem sou eu pra não errar? A frase dita por Gean Gabriel Helfenstein Toniall, 23 anos, resume a forma como o jovem atleta de vôlei de Mato Grosso do Sul tem lidado com a pressão, com as lesões e com a busca constante por evolução. Sem estrutura fixa de treinamento e sem treinador, ele construiu a própria trajetória dentro de um cenário que, segundo avalia, ainda carece de oportunidades para atletas da modalidade no estado.

 

Gean começou no voleibol por incentivo de um amigo, que lhe ensinou os fundamentos iniciais do esporte. “Comecei através de um amigo que me ajudou durante muito tempo. Ele me ensinou a base de tudo: passe, bloqueio, saque, defesa e ataque.” A partir daí, aperfeiçoou o que aprendia na prática e buscou caminhos próprios para se desenvolver.

 

A família também teve participação direta na escolha e na continuidade no esporte. “Minha maior influência foi minha mãe”, afirma. Mas ele destaca ainda o papel do professor Fernando Trilha, que funcionou como referência esportiva nos primeiros passos.

 

A construção da carreira não veio sem obstáculos. Lesões importantes marcaram a trajetória, como torção no tornozelo e dedo quebrado, situações que poderiam ter interrompido sua evolução. Gean conta que os machucados exigiram tempo de recuperação, mas reforça que não o afastaram da quadra. “Isso nunca me impediu de buscar um destaque no nosso estado”, diz.

 

Alguns resultados marcaram os anos recentes. O atleta foi indicado para receber moção de aplausos e já conquistou o certificado de melhor jogador em partidas. Ele também esteve presente em campanhas que considera decisivas para sua história no esporte. “Fui bicampeão da Copa Conesul e campeão da fase regional do JAMS. Esses campeonatos foram muito marcantes para mim.”

 

Sem treinador, Gean organiza sozinho sua rotina de preparação. Os treinos acontecem diariamente e são montados a partir de estudos e referências que coleta por conta própria. “Eu que faço meu preparo físico. Meus treinos são montados através de vídeos que acompanho para elaborar meu próprio treino.” A rotina improvisada revela uma lacuna que o atleta vê no voleibol sul-mato-grossense: a ausência de suporte técnico contínuo.

 

Segundo ele, a falta de valorização da modalidade no estado dificulta tanto o surgimento quanto a permanência de novos talentos. “Vejo que no nosso estado o vôlei não é tão valorizado, ao contrário de lugares como Paraná, Santa Catarina e São Paulo.” Para que novos atletas possam surgir, Gean avalia que é necessário investir em vários pontos: “Primeiro vem o interesse do atleta. Depois, precisamos de mais oportunidades dentro da modalidade, como um treinador fixo, equipamentos e um grupo de atletas com interesse pelo esporte.”

 

Os próximos passos que projeta passam por novos horizontes. Gean acredita que a chance de deixar o estado pode ser determinante para o crescimento na carreira. “Meus objetivos são ter oportunidade de trilhar novos caminhos fora do MS e ter mais visibilidade no esporte que pratico. Quero alguém que tenha interesse em me ajudar no meu crescimento.”

 

A pressão também é assunto presente em sua trajetória. O atleta relata que, no início, enfrentou bloqueios internos que o impediam de jogar como gostaria. “Tive muita pressão psicológica, causada por mim mesmo. Tive várias frustrações de não conseguir desenvolver um bom jogo por causa da pressão, do medo, da ansiedade.” Com o tempo, no entanto, aprendeu a lidar com essa autocobrança. “Aprendi que até os bons erram, e quem sou eu pra não errar? Ainda passo por alguns problemas, mas a cada jogo estou me superando.”

 

Mesmo com as dificuldades estruturais e pessoais, Gean busca transmitir uma mensagem de motivação aos atletas que estão começando. Em suas palavras, a chave está em manter o propósito claro. “Lembrem-se sempre do porquê começaram a jogar. A paixão é o combustível que faz acordar cedo para treinar e superar os momentos difíceis.” Ele também reforça a importância da disciplina e do coletivo: “Não é apenas estar na quadra, é sobre o que você faz lá. Ninguém vence sozinho. Uma equipe unida é muito mais forte.”

 

Ao final, faz questão de ressaltar algo que considera essencial na própria caminhada: “Desistir nunca será uma opção."

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