Terça-feira, 21 de abril de 2026, 07:15

“Se eu errei, vou acertar na próxima”: jovem de MS aposta na evolução dentro do vôlei

da redação - 27 de mar de 2026 às 17:17 183 Views 0 Comentários
“Se eu errei, vou acertar na próxima”: jovem de MS aposta na evolução dentro do vôlei Da Redação

“Se eu errei, vou acertar na próxima.” É com esse pensamento que o jovem atleta Vitor Gabriel Boffo da Silva, de 16 anos, lida com a pressão dentro de quadra. Natural de Batayporã, em Mato Grosso do Sul, ele começou no vôlei de forma inesperada e hoje busca consolidar seu espaço no esporte, conciliando treinos, desenvolvimento físico e acompanhamento psicológico.

 

O primeiro contato com a modalidade não foi planejado. Até então, Vitor se dedicava ao futsal, quando recebeu um convite que inicialmente recusou. “O vôlei entrou de maneira aleatória. Eu jogava futsal e o meu professor me fez a seguinte pergunta: ‘Você não gostaria de jogar vôlei também?’. Isso em 2022. Eu recusei”, relata o jovem, que hoje atua em Nova Andradina.

 

A mudança aconteceu no ano seguinte, em um contexto de necessidade da própria escola. “Em 2023, na minha escola, tinha o treino de vôlei e eles iam para o JEMS, mas não tinha o time completo. Eu aceitei dessa vez, em maio, mas quando entrei não sabia nem jogar e completaram o time”, conta. A oportunidade surgiu de forma definitiva pouco depois. “Acho que era Deus me guiando para esse esporte mesmo, pois um menino desistiu de ir e não tinha ninguém além de mim. Foi quando me colocaram e eu fui participar do JEMS. Foi daí em diante que me apaixonei por esse esporte.”

 

Desde então, o atleta passou a conviver com desafios dentro e fora das competições. Ele cita a pressão e a cobrança como fatores constantes no processo de formação. “Já passei por grandes desafios, tanto no JOJUMS quanto em outras competições. Mas, além dos jogos, também tem a pressão, a cobrança e a mentalidade, que sempre estão circulando na cabeça. Acho que o principal desafio é me superar a cada dia”, afirma.

 

Entre as experiências mais marcantes, Vitor destaca a participação no Campeonato Brasileiro Interclubes (CBI), em 2025, quando atuou como líbero. A competição, realizada em Aracaju (SE), trouxe dificuldades de adaptação. “Fui para Aracaju e não consegui me adaptar muito lá e não joguei bem. Mas, sem dúvidas, foi a melhor experiência”, avalia. Para a próxima edição, ele aparece entre os 20 convocáveis e busca um lugar na lista final, desta vez em outra função. “Este ano estou dentro da lista dos 20 para ir para o CBI novamente, mas dessa vez como ponteiro. Espero ir entre os 12.”

 

A rotina de treinos inclui três sessões semanais, além da entrada recente na academia. O objetivo é ampliar o rendimento físico e lidar melhor com o aspecto emocional do esporte. “Eu treino três vezes na semana e estou entrando na academia para manter o alto nível físico e mental. Também estou fazendo tratamento com a psicóloga por conta da mente”, explica.

 

No processo de evolução, Vitor aponta a influência direta do treinador Andrei Picolli. “Sem dúvidas, é a minha maior motivação e referência. Me ajudou em tudo o que eu sei até hoje. Teve outros treinadores, mas ele fez parte da minha vida inteira. Desde que entrei no vôlei, ele está comigo, me treinando e vendo minha evolução.”

 

Entre os pontos que ainda busca desenvolver, o atleta destaca aspectos técnicos e físicos, além do controle emocional. “Acho que preciso evoluir minha impulsão, mentalidade e meu nível técnico. Meus próximos objetivos são trazer orgulho para meu treinador, minha mãe e minha cidade que represento”, diz.

 

A relação com a pressão ainda é um desafio em construção. “Eu não sou muito bom em lidar com a pressão, por isso tenho acompanhamento. Mas, no jogo, eu tento pensar na próxima jogada ao invés da anterior. Se eu errei, vou acertar na próxima”, afirma.

 

As dificuldades também já fizeram o atleta considerar a possibilidade de parar, especialmente por questões físicas. “Já pensei diversas vezes em desistir, até agora, por conta do meu joelho. Mas ver o que esse esporte representa para mim e as pessoas que me apoiam, não dá para desistir assim”, relata.

 

Representar Mato Grosso do Sul é tratado como uma responsabilidade dentro da trajetória. “É incrivelmente importante. Trazer orgulho para todos do estado e para os diretores de esporte”, afirma. Dentro de quadra, ele resume o compromisso de forma direta: “Dar o seu melhor, com erros mínimos. Além do mais, você está representando o seu estado.”

 

Ao olhar para outros jovens que desejam iniciar no vôlei, Vitor reforça a importância da continuidade e da evolução individual. “Só vão. Treinem e não se comparem com quem já sabe jogar. Você precisa focar na sua evolução e quanto antes começar, melhor. Admire quem joga há mais tempo, mas não tente fazer igual sem treinar e não desanime”, orienta.

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