Da Redação
A trajetória de Matheus Candido Haas Herculano no futsal começou em 2019, quando ainda atuava como jogador de linha. Nascido em 16 de maio de 2008, em Naviraí (MS), ele só passou a atuar como goleiro em 2022, depois de uma decisão tomada pelo professor durante um treinamento. Desde então, a posição passou a fazer parte de sua rotina no esporte.
O início como goleiro, segundo Matheus, não foi resultado de uma escolha planejada. A mudança aconteceu de maneira direta, a partir de uma decisão do professor. “Comecei em 2019. Eu comecei como jogador de linha e só em 2022 comecei como goleiro”, conta.
Entre os momentos que considera decisivos em sua trajetória está justamente o episódio que o levou para o gol. “Foi no momento em que meu professor simplesmente jogou o uniforme de goleiro e disse: ‘Você vai no gol’”, relembra.
A mudança de posição trouxe também uma nova relação com a responsabilidade dentro de quadra. Para Matheus, a função de goleiro envolve uma pressão que pode ser percebida durante toda a partida, principalmente porque os erros costumam ter grande impacto no resultado.
“A pressão sobre os goleiros é absurda. Sempre levamos a culpa”, afirma. Para lidar com essa cobrança, ele procura manter uma postura descontraída durante os jogos. “Durante a partida, eu sempre darei meu máximo. Então, se eu errar, sei que foi tentando. Tento ser bem descontraído em jogos; isso me ajuda com a pressão”, explica.
Um dos momentos que guarda da trajetória aconteceu em uma partida da fase de grupos de uma competição. O confronto era contra a equipe que, segundo Matheus, era considerada a melhor do grupo. Nos segundos finais, quando o placar estava em 2 a 1, ele fez uma defesa que considera marcante.
“Em uma partida de fase de grupos, disputávamos contra o melhor time da chave. Faltava um segundo para acabar o jogo, que estava 2 a 1, e eu fiz uma defesa no ângulo. Tenho essa defesa registrada!”, conta.
O lance ficou registrado em vídeo e passou a fazer parte das lembranças do goleiro. Para quem atua na posição, momentos como esse também representam a importância de estar preparado para responder justamente nos últimos segundos de uma partida.
Atualmente, Matheus tem concentrado parte da preparação no condicionamento físico. A rotina inclui academia e alongamentos, que ele considera importantes para a preparação de um atleta que atua como goleiro.
“Atualmente, tenho focado principalmente no físico, fazendo academia e também nos alongamentos, que são essenciais”, explica.
A preparação física faz parte de um processo de desenvolvimento que, para Matheus, também envolve a continuidade dos exercícios fora da quadra. A rotina ganhou ainda mais importância depois de um dos períodos que ele aponta como mais difíceis em sua trajetória: a pandemia de Covid-19.
Segundo o goleiro, a interrupção das atividades prejudicou uma etapa importante de sua formação no esporte. “A coisa mais difícil foi a pandemia. Acabou com o que seria toda a base no meu futsal. Sinto muita falta disso hoje”, relata.
Durante o período em que as atividades esportivas ficaram limitadas, ele procurou manter os exercícios físicos. “Consegui superar praticando exercícios físicos ativamente, que conseguiram me manter em forma”, afirma.
Para Matheus, a continuidade no esporte também teve relação com o apoio recebido dentro de casa. A mãe aparece como principal referência nesse processo. Ele conta que ela esteve presente desde o início e teve participação importante para que ele continuasse praticando futsal.
“Minha mãe sempre me apoiou desde pequeno. Isso foi essencial, já que nunca fui talentoso”, diz.
A afirmação sobre não se considerar talentoso aparece na forma como Matheus enxerga sua própria trajetória. Em vez de atribuir sua evolução a uma característica natural, ele relaciona o desenvolvimento à prática, à preparação e à permanência no esporte.
A possibilidade de representar Mato Grosso do Sul em competições também ocupa um espaço importante em sua experiência. Para ele, participar de torneios de nível mais alto é uma oportunidade que pretende aproveitar enquanto concilia o esporte com os próximos passos da vida acadêmica.
“É uma sensação muito incrível. Tento aproveitar ao máximo esse período da minha vida em que posso ter esses momentos, já que daqui a alguns anos terei que focar em faculdade e emprego”, afirma.
A relação com o futsal, no entanto, pode passar por uma mudança a partir do próximo ano. Matheus já se inscreveu em uma faculdade e não pretende manter a mesma rotina de treinamentos depois de 2026. Por isso, as competições deste ano ganharam um significado diferente em seus planos.
“Quero viver o hoje como se não houvesse o amanhã. Tenho várias competições este ano e quero focar nelas”, conta.
A decisão de priorizar a faculdade no futuro não significa que Matheus desconsidere o período vivido no futsal. Pelo contrário. Ele pretende aproveitar as competições que ainda terá pela frente antes de iniciar uma nova etapa.
“Já me inscrevi em uma faculdade e não pretendo continuar com essa rotina de treino depois desse ano”, explica.
O planejamento para os próximos meses, portanto, está concentrado nas competições que ainda serão disputadas. Sem estabelecer um objetivo de longo prazo no futsal, o goleiro prefere direcionar a atenção para as oportunidades que estão no calendário deste ano.
“Quero viver o hoje como se não houvesse o amanhã”, resume.
Mesmo sem apontar um goleiro específico como inspiração, Matheus construiu sua própria forma de encarar a posição. A mudança de jogador de linha para goleiro aconteceu há apenas alguns anos, mas trouxe experiências que hoje fazem parte de sua história no esporte.
Entre a defesa no último segundo, os treinos físicos, a pressão durante as partidas e as dificuldades provocadas pela pandemia, a trajetória de Matheus Haas foi construída dentro de um período de mudanças. Agora, aos 18 anos, ele se prepara para disputar as competições que ainda fazem parte de sua agenda antes de iniciar uma nova etapa com a faculdade.
O futsal, neste momento, continua presente na rotina. E, enquanto estiver em quadra, a proposta é aproveitar cada partida e dar continuidade ao trabalho que começou em 2019 e mudou de posição em 2022, quando ouviu do professor: “Você vai no gol”.