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Se encantar pelo vôlei muda rotina e projeta futuro do jovem João Álvaro, de Coxim

da redação - 6 de ago de 2025 às 15:08 211 Views 0 Comentários
Se encantar pelo vôlei muda rotina e projeta futuro do jovem João Álvaro, de Coxim Da Redação

Foi numa tarde qualquer, com uma bola de futebol debaixo do braço, que João Álvaro Nepomuceno Maia de Oliveira, hoje com 17 anos, teve a vida virada pela rede montada no meio de uma praça. O que seria apenas mais um dia de futebol em Coxim, sua cidade natal no interior de Mato Grosso do Sul, acabou se transformando no início de uma nova trajetória. Uma história que hoje tem a areia como cenário e o vôlei como horizonte.

 

“De forma inesperada, fui jogar bola e acabou que não teve. Fiquei por lá, e o Seu Ilson, senhor muito importante para mim, armou a rede naquela tarde”, conta João. O convite veio de um colega, que insistiu para que ele experimentasse o vôlei. “Quando comecei a jogar já me apaixonei por esse esporte e aí então, todo dia, estava lá praticando e praticando.”

 

Antes do vôlei, João se aventurou em outras modalidades. Praticou futebol, foi atleta do skate por cinco anos e ainda se dedicava ao tricking, uma mistura de acrobacias e artes marciais. Mas foi na areia, com os pés descalços e o sol como companhia, que encontrou um caminho. “Foi o que eu primeiro comecei a praticar e me identifiquei mais do que com a quadra, também por questão de altura, é o que eu tenho mais chances de conseguir ir longe.”

 

Desde então, o esporte passou a ocupar grande parte da sua rotina. Hoje, os treinos começam cedo. “Tenho dois treinos pela manhã, sendo o físico às 8h e o com bola às 9h30. Pela tarde, estudo.” A dedicação rendeu resultados. João é campeão estadual e já subiu ao pódio em competições nacionais representando Mato Grosso do Sul. Entre as principais conquistas, estão o 2º lugar no Campeonato Brasileiro de Seleções (CBS) em Salvador (BA), pela quadra, e o 5º lugar na etapa sub-19 do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia (CBVP), em Navegantes (SC).

 

Apesar dos bons resultados, ele sabe que a caminhada é cheia de obstáculos. “Os maiores desafios foram a questão financeira, porque o vôlei de praia é um esporte que na maioria das vezes precisamos tirar um dinheiro do bolso, principalmente para viagens, e a distância da família”, explica. O apoio, segundo ele, ainda é limitado. “Na minha opinião, é bem pouco. Sempre acaba sendo um sacrifício e dificuldade para continuar na trajetória. A minha família é meu grande apoio. Eles que sempre me ajudaram em questões financeiras. Sem eles, eu não conseguiria”, apontou.

 

Mesmo diante dos entraves, João encontrou na disciplina e no foco os pilares para seguir em frente. “É preciso paciência, ter uma boa cabeça, uma boa concentração, dedicação e sempre dar o melhor de si em cada treino e competição. É disciplina. Sem disciplina o atleta não consegue chegar a lugar nenhum.”

 

Entre as referências, ele cita o atleta Cadu, com quem convive no centro de treinamento. “É um exemplo de disciplina e trabalho duro.” Também acompanha o desempenho do paraibano Renato Andrew. “Gosto muito do estilo de jogo dele, me inspiro bastante.”

 

No vôlei, João vê mais do que um esporte. Vê oportunidade, pertencimento e futuro. “Meu maior sonho é um dia poder representar o Brasil em uma competição internacional ou em uma Olimpíada. Só Deus sabe.” A paixão pela modalidade convive com outro objetivo importante: a educação. “Pretendo seguir com o vôlei até onde eu puder, mas meu foco principal também são os estudos.”

 

Perguntado sobre o que considera sua maior qualidade dentro de quadra, João não cita técnica ou força física. “A minha vontade dentro de quadra e liderança”, resume. Mas também reconhece o que precisa seguir desenvolvendo: “Busco sempre melhorar na questão da cabeça. No vôlei, então, é o ponto mais importante.”

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