Da Redação
O ex-goleiro profissional e treinador de goleiros Magno Willian Rodrigues Tosin, 37 anos, resume sua filosofia de trabalho em uma frase que costuma repetir aos atletas que treina: "Respeitar o processo é fundamental. E o goleiro não tem jeito, a repetição leva à perfeição". Natural de Campo Grande, ele viveu uma trajetória marcada por passagens por clubes do Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, competições nacionais e experiências que moldaram sua forma de enxergar a posição.
Magno iniciou no futebol ainda criança. "Comecei jogando na escola de futebol aqui do bairro, onde fui me destacando e fui convidado a participar de uns treinos no Operário, onde fui campeão estadual sub-13", lembra. Depois, passou pelo Comercial, participou de um período de testes no São Paulo ao lado de Carlos André e Keirrison, e seguiu para o Cene. No Paraná, defendeu o Andrus, de Agudos do Sul, e o Ricardinho Sports, de São Miguel do Iguaçu, onde atuou por três temporadas.
No retorno ao estado, defendeu o Corumbaense em 2008 e, no ano seguinte, foi contratado pelo Naviraiense. Ali viveu um momento decisivo, quando rompeu o ligamento do ombro esquerdo e ficou afastado dos gramados, mas permaneceu no elenco que se sagrou campeão estadual. Foram cinco temporadas no clube, com títulos em 2009 e vice-campeonatos em 2010 e 2012.
Entre as lembranças mais marcantes, Magno destaca a Copa do Brasil de 2013, quando o Naviraiense passou pela Portuguesa Santista e enfrentou o Paysandu na segunda fase. "No jogo de volta, em Belém do Pará, no estádio da Curuzu, lotado, ganhamos o jogo por 2 a 0 e conseguimos uma classificação histórica", recorda. No entanto, a euforia durou pouco: "Depois de um dia, ficamos sabendo que estávamos com jogador irregular, e acabamos saindo fora da competição".
A transição para treinador de goleiros veio de forma natural. "Desde quando jogava eu já tinha essa vontade, por isso sempre ajudava meus treinadores quando precisava", explica. Hoje, Magno estrutura o trabalho com base em quatro pilares: parte técnica, parte tática, parte física e preparação mental.
Segundo ele, o goleiro moderno deixou de ser apenas “o cara que defende”. "O goleiro é um defensor extra, um iniciador de jogadas e um psicólogo da própria defesa ao mesmo tempo", define. Para isso, é preciso desenvolver jogo com os pés, leitura de jogo, reflexos rápidos, comunicação e liderança, além de preparo físico e controle emocional.
Nos treinos, Magno adota uma rotina que combina exercícios específicos com integração ao coletivo. O trabalho começa com mobilidade articular e ativação muscular, seguido de fundamentos como defesas altas, reposição com as mãos e pés, saídas em cruzamentos e treinos de 1x1. Há também treinos táticos com a linha defensiva, trabalhos de agilidade e força, e preparação mental. "Esse é um dos principais para um goleiro, estar bem mentalmente, pois ajuda muito no dia a dia e, principalmente, nos jogos", afirma.
As diferenças entre o goleiro de hoje e o de sua época como atleta são, para Magno, claras. "O goleiro não é mais apenas o guarda da baliza, mas um jogador ativo na construção de jogo", compara. Ele cita como exemplos a maior participação com os pés, o uso de análise de desempenho e a especialização do treinamento.
Sobre conselhos para jovens que sonham em atuar na posição, Magno reforça que a base é construída com disciplina e paciência. "Fundamentos precisam ser automáticos. Quanto mais sólida for sua base, mais seguro você estará nas situações de pressão", orienta. Além disso, destaca cuidados com o corpo, força mental e paciência com o processo de evolução: "O goleiro atinge seu auge físico e mental mais tarde que jogadores de linha".
Entre os jogos mais desafiadores que disputou, ele cita a final do Estadual de 2010, quando defendia o Naviraiense e enfrentou o Comercial. "Foi um jogo disputado, onde as duas equipes tiveram chances de gol, e o Comercial acabou levando a melhor".
O futuro de Magno está ligado a um projeto que ele já planeja. "Tenho um sonho em ter um Centro de Treinamentos de goleiros aqui em Campo Grande. Estamos batalhando para conseguir este objetivo", revela. Paralelamente, ele conclui a faculdade de Educação Física e se prepara para tirar as licenças da CBF B e A, que permitem atuar em nível nacional.
Para ele, a posição exige mais do que técnica e condicionamento. É preciso entender que a excelência vem com tempo, repetição e mentalidade adequada. Como costuma dizer aos seus goleiros, "respeitar o processo é fundamental".