Da Redação
O levantador campo-grandense Erik Matheus Ortega Romeu dos Santos, de 24 anos, está de volta à cidade natal para um período de descanso com a família após o fim da temporada universitária em São Paulo. Mas engana-se quem pensa que esse é um momento de pausa total. “Sempre fui um atleta proativo, nunca gostei de ficar parado. Sempre que via uma oportunidade, mesmo que nos horários de descanso, arrumava um tempinho pra poder estar em contato com a bola”, afirma o atleta, que passou as últimas quatro temporadas defendendo a Unifafibe, de Bebedouro.
Natural de Campo Grande (MS), Erik começou a carreira no voleibol mais tarde que a média: aos 18 anos. Ainda assim, a trajetória ganhou velocidade e força. Antes de chegar ao time universitário paulista, ele passou por equipes como Super Vôlei Santo André — com quem foi campeão do Paulista sub-21 — e o Caramuru, do Paraná, onde disputou a Superliga A. A mudança para Bebedouro, no entanto, exigiu uma reformulação completa. “Assim que fui pra Unifafibe, tive que me reescrever, pois o estilo de jogo era totalmente diferente”, conta.
A experiência no time universitário não foi apenas uma continuidade de sua trajetória como atleta, mas sim uma virada. Lá, ele disputou competições importantes como a Superliga B e o Campeonato Paulista. Segundo ele, “resiliência” e “paciência” foram as palavras-chave que definiram essa fase. “Aprendi que tudo tem seu tempo certo de acontecer. Porém, precisamos ser resilientes para nos adaptar às mudanças, sejam elas quais forem”, reflete.
Nem tudo foram vitórias e conquistas. A temporada passada foi marcada por um entorse no tornozelo, que o afastou por mais de um mês das quadras. A lesão aconteceu pouco antes da Superliga, o que comprometeu não só o rendimento físico, mas também o emocional. “Uma lesão nessa altura do campeonato acaba com o psicológico de todo atleta. E comigo não foi diferente”, revela. Mesmo assim, ele manteve o foco: “Mantive firme na fisioterapia e sempre com pensamento positivo. Consegui me recuperar e chegar como um dos finalistas da competição.”
O retorno a Campo Grande tem sido, além de um reencontro com a família, uma oportunidade de reconexão com suas raízes. “Eu sentia muita falta da casa da minha avó. Estar em casa é bom, mas só a casa da vovó tem aquele cheiro e conforto que acelera o coração e nos dá aquela sensação de lar”, diz com carinho. Durante o recesso, ele foi convidado pelo União Vôlei, equipe local que valoriza talentos da cidade, para treinar enquanto está na capital. “Me identifiquei muito com o time e acredito estar fazendo muito proveito dessa oportunidade enquanto estou na cidade.”
Mesmo nas férias, Erik mantém uma rotina de treinos. Frequenta academia e não deixa de treinar com bola. É esse senso de disciplina que o ajudou a conciliar a carreira de atleta com os estudos. “Conciliar a vida de atleta e universitário não chegou a ser um desafio muito difícil. Sempre gostei de organizar meu tempo para conciliar estudo e lazer”, afirma. A adaptação à rotina acadêmica presencial, após cursar ensino a distância, foi um desafio inicial. “Era um pouco cansativo no começo por conta dos horários de treinos e aulas. Mas com o tempo me adaptei. Busquei aproveitar essa oportunidade, até porque não são todos os lugares que pensam na formação acadêmica do atleta.”
Ao longo da carreira, Erik recebeu orientações valiosas de treinadores e companheiros. Um dos momentos mais marcantes foi em 2021, quando jogou em Iacanga (SP) e foi treinado por Flávio, técnico do Vedacit Guarulhos. “Ele era muito paizão, divertido, mas também pulso firme quando era preciso. Me mostrou um outro lado do vôlei que eu não conhecia”, lembra. Como levantador, Erik aprendeu com ele técnicas e ajustes corporais que, segundo ele, “fazem total diferença”.
Entre os colegas de quadra, destaca Renan, ponteiro com quem dividiu duas temporadas na Unifafibe. “Sempre teve o coração e a mente forte, nunca baixava a cabeça pra ninguém. Isso eu admirava muito nele. Hoje ele é uma pessoa ímpar na minha vida”, diz. “Sempre busco me inspirar em sua forma de encarar as coisas para ser um atleta e pessoa melhor.”
Apesar de ainda não ter definido qual será seu próximo destino profissional, Erik segue em negociação com possíveis clubes. “Estou na minha cidade natal curtindo minha família e amigos e me cuidando. Porém, já estou em negociação com alguns times junto ao meu empresário, visando uma temporada produtiva e cheia de entrega e aprendizado. Logo teremos novidades…”, antecipa.
Para os atletas em início de carreira, Erik deixa um conselho direto: “Treine”. Ele acredita que muitas vezes as oportunidades não aparecem por falta de preparo ou persistência. “Comecei tarde minha trajetória como atleta, com 18 anos. Ouvi muitos ‘nãos’, muitas pessoas desacreditaram e colocavam pra baixo. Mas sempre tive meu apoio na minha família e nunca deixei me abater.” E completa: “A oportunidade aparece para aqueles que estão preparados.”