Da Redação
Natural de Amambaí, no interior de Mato Grosso do Sul, Roger Ferreira Zanini tem apenas 20 anos, mas carrega nas mãos enluvadas não apenas a responsabilidade de defender o gol do Naviraiense, clube que hoje defende, como também o peso e a motivação de um sonho que não é só seu. “Minha maior motivação é a minha família, mas principalmente meu pai, que foi um grande jogador conhecido onde moro e pela região, mas não conseguiu realizar esse sonho por conta do financeiro”, diz.
O garoto começou cedo no esporte. Aos quatro anos, ingressou na escolinha União Esporte Clube, em sua cidade natal. Permaneceu ali por mais de uma década, superando as barreiras que ainda marcam a realidade de muitos jovens do interior do Brasil. “Os maiores desafios foram a baixa renda, a falta de estrutura e a falta de oportunidade por conta de estar em uma cidade onde está bem isolada em relação aos centros urbanos do Mato Grosso do Sul e do Brasil”, relata.
Roger lembra que passou por outras equipes sul-mato-grossenses, como o Pontaporanense e a Portuguesa/MS, de Campo Grande. Nesta última, viveu um período difícil, marcado por inexperiência e desafios emocionais. “Não foi um dos meus melhores momentos, pois tive muita dificuldade em lidar com a falta de experiência e o psicológico emocional. Mas ao mesmo tempo que isso foi ruim para minhas atuações, foi bom pra mim aprender e criar mais experiência”, conta.
Hoje no Naviraiense, Roger demonstra maturidade para analisar tanto o próprio desempenho quanto o cenário do futebol regional. Sobre o nível técnico no estado, é direto: “É muito forte na questão de força física. Tem bastante técnica, mas o que mais é exigido é a força física e a velocidade, por conta de ser um futebol mais de ataque. As bolas lançadas para os pontas e para os atacantes são mais usadas do que um jogo mais tático”.
Ele avalia, no entanto, que falta investimento para que o futebol sul-mato-grossense ganhe espaço no cenário nacional. “O que falta é uma renda que vai alavancar os clubes em questão de estrutura e uma gestão que vá sair das dívidas e investir para uma estrutura melhor.”
Apesar das dificuldades estruturais, Roger vê no Naviraiense um exemplo positivo dentro do Estado. Para ele, o elenco se destaca pela união e seriedade. “A equipe vem evoluindo cada vez mais. Cada dia que passa, o time vem crescendo e melhorando os principais erros que no começo da temporada eram frequentes”, analisa. “Se olhar os jogos do começo e comparar com os últimos, você consegue ver a evolução do time inteiro, sem exceções.”
A curto prazo, o clube mira duas metas claras: conquistar vaga na Copa do Brasil e garantir a participação na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2025. E Roger acredita que o trabalho de base pode ser o caminho para a ascensão do time. “O Naviraiense é o clube que mais vem crescendo nos últimos tempos e tudo o que o clube faz e vem fazendo é questão de tempo até chegar no futebol nacional.”
Se a trajetória até aqui foi feita com esforço e disciplina, o presente se mantém sob a mesma linha. Roger tem uma rotina de atleta profissional, que começa cedo. “Minha rotina começa pela manhã com alongamentos diários e suplementações necessárias para o meu dia. Depois vou para a academia, treino, faço as principais prevenções contra lesões e, à tarde, treino específico com o preparador de goleiros e com a equipe. Termino o dia com mentalização dos meus objetivos, estudo dos adversários e meditação na Bíblia Sagrada”, descreve.
Além do corpo, o jovem goleiro cuida da mente. Ele sabe que o psicológico é uma das chaves para suportar a pressão de atuar sob as traves. “A posição exige não apenas habilidades técnicas e físicas, mas também uma grande capacidade de lidar com a pressão e a responsabilidade de proteger o gol. Nos momentos decisivos, você sempre tem que estar o mais concentrado possível, sempre calmo e tomar decisões certas.”
E quando pensa no futuro, o caminho continua ligado ao futebol. Roger já tem planos: “Quero me tornar preparador de goleiros, abrir uma agência para agenciar jogadores e abrir minha própria escola de goleiros para ajudar quem, como eu, um dia teve o mesmo sonho.”
Mesmo com a pouca idade, Roger fala com maturidade sobre sua caminhada e sobre o significado de estar hoje jogando profissionalmente. Sua história é uma entre tantas de jovens que lutam contra a falta de estrutura e de visibilidade, mas que, com fé, apoio e persistência, seguem adiante. Ele deixa uma mensagem aos que também sonham com o futebol: “Ser goleiro é mais do que defender o gol, é assumir a responsabilidade e inspirar a equipe. Nunca deixe de acreditar em você e no seu sonho. Coloque Deus em primeiro lugar que você vai chegar em lugares que nem imagina.”
Entre agradecimentos a treinadores e mentores, Roger volta a falar da base de tudo: a família. “Se hoje estou aqui é por conta deles e dessas pessoas: professor Ramao Batista, professor Alexandre Ostemberg, professor Rogério, técnico Andrey Fernandes, Wesley Ferreira e, o mais importante, minha família. Sem eles, eu não estaria onde estou.”