Quinta-feira, 08 de janeiro de 2026, 19:08

Rafaela Menezes e o aprendizado diário dentro e fora da quadra

da redação - 6 de jan de 2026 às 14:49 72 Views 0 Comentários
Rafaela Menezes e o aprendizado diário dentro e fora da quadra Da Redação

A trajetória de Rafaela Moraes Menezes no vôlei começou de forma simples, longe de ginásios estruturados ou grandes competições. “Em 2023, depois da escola, uma amiga minha me chamou para ir treinar vôlei de areia numa pracinha perto de casa”, relembra. Foi nesse ambiente informal que a atleta, nascida em 3 de setembro de 2012, na capital paulista, teve o primeiro contato com a modalidade que passaria a fazer parte da sua rotina. Dois anos depois, veio a descoberta de que também poderia atuar no vôlei de quadra, passo que ampliou seus horizontes dentro do esporte.

 

O início mais organizado aconteceu no grupo Areias da Esperança, que treinava em uma praça do bairro Pedrossian, em Campo Grande. Rafaela destaca que o incentivo foi determinante para que ela seguisse em frente. “Fui muito incentivada pela minha treinadora Lucinha, pela minha melhor amiga Yasmin e pela minha mãe também”, conta. O apoio próximo, segundo ela, foi essencial para manter a motivação nos momentos de dúvida e adaptação aos treinos mais intensos.

 

A transição para o vôlei de quadra veio acompanhada de novos desafios e do encontro com o professor Leomar Soares, responsável por sua formação atual. A mudança de ambiente exigiu não apenas ajustes técnicos, mas também físicos e emocionais. Rafaela relata que lidar com o psicológico foi uma das partes mais difíceis do processo. “Foi muito difícil enfrentar meu psicológico, as pessoas que julgam ao seu redor e, principalmente, o condicionamento físico”, afirma. Durante esse período, ela ainda precisou interromper os treinos por conta de uma lesão nas costas, passando por fisioterapia antes de retornar plenamente às atividades.

 

Mesmo diante das dificuldades, a atleta avalia sua trajetória como um processo contínuo de aprendizado. Representar Mato Grosso do Sul nas competições tem um significado direto ligado ao esforço diário. “Para mim, significa o esforço. Acho que tenho muito a percorrer ainda, a melhorar e aprender, mas significa o desfruto do esforço”, resume. A fala reflete a forma como Rafaela enxerga o esporte: mais do que resultados imediatos, a construção acontece a cada treino e a cada experiência vivida.

 

Dentro de quadra, Rafaela atua principalmente como oposta e se destaca por ser canhota, característica que considera importante no seu estilo de jogo. Eventualmente, também joga como ponteira, função que amplia sua versatilidade e compreensão tática. Entre os momentos mais marcantes da carreira até agora, ela cita o encerramento da temporada 2025. “Com certeza, meu último jogo da temporada 2025, na Copa da Amizade, em Batayporã”, recorda. Segundo a atleta, a competição teve um peso especial por marcar o fechamento do Sub-15 e pela união do grupo. “Todas as meninas fizeram parte da minha trajetória e fechamos o ano com chave de ouro”, completa.

 

A rotina atual exige organização e disciplina. Rafaela treina na Escolinha do Leomar às segundas, quartas e sextas-feiras, além de realizar fisioterapia e atividades de academia. Pela manhã, frequenta a escola, e à noite separa tempo para os estudos. “Fica muito difícil, principalmente para estudar para as provas, mas sempre separo um tempo à noite. Porém, tem vezes que você precisa escolher entre um jogo e uma prova”, relata, mostrando um dilema comum na vida de atletas em formação.

 

Como referências, Rafaela acompanha de perto o desempenho das atletas da seleção brasileira feminina. “É incrível ver como elas jogam e conquistam os sonhos delas”, afirma. No entanto, a inspiração mais próxima vem de alguém do convívio diário. “Me inspiro principalmente na minha amiga Yasmin Lobo. Foi quem despertou meu amor pela quadra, e ver ela chegar tão longe com certeza desperta minha inspiração”, diz.

 

Ao falar sobre objetivos, a jovem atleta reforça a importância do equilíbrio emocional. “Meus principais objetivos são sempre ter um bom psicológico dentro de quadra e treinar sempre para que um dia eu possa chegar longe, como todas nós atletas desejamos”, explica. Para outros jovens que sonham em seguir no esporte, Rafaela deixa uma mensagem direta, baseada na própria experiência. “Para não desistirem, mesmo se autojulgando ou vendo outras pessoas voando tão longe e você não. Obstáculos são colocados para nós ficarmos cada vez mais fortes com eles, e principalmente, um jogo mal não define sua jogabilidade completa”, conclui.

Comentários

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos com * são obrigatórios.