Da Redação
Aos 8 anos de idade, quando ainda morava em Iguatemi, Rogério Barreto de Araújo teve os primeiros contatos com o basquete. Nascido em 17 de junho de 1989, em Mundo Novo, ele transformou a relação iniciada na infância em uma trajetória que passou pelas quadras como atleta e, posteriormente, pela formação de novos jogadores como treinador. Hoje, além de trabalhar com o desenvolvimento esportivo, ele afirma que sua principal preocupação é contribuir para a formação dos jovens também fora das quadras.
A aproximação com o basquete aconteceu ainda durante a infância e permaneceu ao longo das diferentes fases da vida. Para Rogério, a modalidade deixou de ser apenas uma atividade esportiva e passou a fazer parte de sua rotina e de sua identidade.
“Minha história com o basquete começou muito cedo, aos 8 anos de idade, quando eu ainda morava em Iguatemi. Foi ali que tive os primeiros contatos com a modalidade e, desde então, o basquete nunca mais saiu da minha vida. Mais do que um esporte, ele se tornou parte da minha identidade”, conta.
Segundo o treinador, a relação com o esporte foi construída a partir das experiências proporcionadas pela modalidade, incluindo treinamentos, competições, viagens e convivência com outros atletas.
“Acredito que essa paixão nasceu de tudo aquilo que o basquete proporciona: as amizades, os treinamentos, as viagens, as competições, a vontade de vencer e, principalmente, os momentos vividos dentro e fora da quadra. Cada jogo trazia uma emoção diferente e, com o passar dos anos, fui entendendo que aquele era o ambiente onde eu realmente me sentia realizado”, afirma.
A decisão de cursar Educação Física veio depois da conclusão do Ensino Médio. A experiência acumulada como atleta influenciou diretamente a escolha profissional e abriu caminho para uma nova forma de permanecer ligado ao basquete.
“Quando concluí o Ensino Médio, eu já sabia que queria continuar ligado ao esporte. Todo o tempo que passei dentro das quadras influenciou diretamente na minha decisão de cursar Educação Física. O caminho de treinador surgiu de forma muito natural”, explica.
A mudança de atleta para treinador também alterou a responsabilidade assumida dentro da modalidade. Rogério passou a trabalhar não apenas com fundamentos e desempenho esportivo, mas com a formação de jovens.
“Depois de tantos anos vivendo o basquete como atleta, percebi que poderia continuar dentro da modalidade de uma forma diferente: ensinando, orientando e ajudando novos atletas a construírem suas próprias histórias. Ser treinador me permitiu continuar vivendo aquilo que sempre amei, mas também trouxe uma responsabilidade muito maior”, relata.
Para ele, a função de treinador não se limita à formação de jogadores. A intenção é utilizar o esporte como ferramenta para transmitir valores que podem ser levados pelos atletas para diferentes áreas da vida.
“Hoje, não penso apenas em formar jogadores. Quero contribuir para a formação de pessoas, transmitindo valores que o esporte também me ensinou ao longo da vida”, diz.
Entre os momentos que considera mais importantes em sua trajetória estão as participações no JOJUMS. Em 2024, a equipe disputou a Série Prata do Sub-17 e chegou à final, mas perdeu a decisão por apenas um ponto. A experiência serviu, segundo Rogério, como parte do processo que levou às conquistas posteriores.
“Um dos momentos mais marcantes aconteceu no JOJUMS de 2024, quando disputamos a Série Prata do Sub-17. Chegamos à final e perdemos o título por apenas um ponto. Foi uma derrota muito difícil, principalmente porque estivemos tão próximos da conquista. Mas, ao mesmo tempo, aquele resultado acabou fortalecendo ainda mais o nosso trabalho”, lembra.
Em 2026, o retorno à competição teve um significado diferente. As equipes conquistaram os títulos no Sub-17 e no Sub-14, resultado que o treinador relaciona ao trabalho desenvolvido entre uma competição e outra.
“Por isso, voltar ao JOJUMS em 2026 teve um significado especial. Conseguimos conquistar o título de campeão no Sub-17 e também no Sub-14. Para mim, foi uma sensação de missão cumprida e a confirmação de que o trabalho, a persistência e a confiança no processo realmente dão resultado”, afirma.
A experiência também reforçou, para Rogério, a importância de continuar trabalhando mesmo depois de uma derrota.
“Quando você perde uma final por um ponto e, algum tempo depois, consegue retornar e ser campeão, você entende ainda mais o significado de não desistir. Essas conquistas de 2026 certamente estão entre os momentos mais importantes da minha trajetória como treinador”, diz.
Ao avaliar o basquete em Mato Grosso do Sul, o treinador considera que a modalidade passa por um processo de crescimento, com projetos desenvolvidos em diferentes municípios e profissionais buscando aperfeiçoamento.
“Vejo o basquete sul-mato-grossense em um momento de crescimento. Existem muitos projetos sendo desenvolvidos nos municípios, iniciativas estaduais importantes e profissionais comprometidos com a evolução da modalidade”, avalia.
Rogério também destaca a busca por qualificação entre os profissionais que trabalham com o esporte. Para ele, a preparação dos treinadores interfere diretamente na formação dos atletas.
“Também percebo uma preocupação cada vez maior dos treinadores em buscar conhecimento, estudar, participar de cursos e se atualizar. Isso faz muita diferença, porque, quanto mais preparados estiverem os profissionais, melhor será a formação oferecida aos atletas”, afirma.
Apesar do cenário de crescimento, ele aponta que ainda existem pontos que precisam avançar, principalmente relacionados à quantidade de competições, intercâmbios e oportunidades oferecidas aos jovens.
“Ainda temos muito para evoluir, principalmente em relação à quantidade de competições, intercâmbios e oportunidades para os jovens, mas acredito que Mato Grosso do Sul possui muito potencial. Temos atletas talentosos, bons profissionais e projetos sérios espalhados pelo Estado”, diz.
Na formação das categorias de base, um dos desafios apontados pelo treinador é manter os jovens envolvidos com o esporte diante de outras opções de entretenimento, especialmente aquelas relacionadas à tecnologia.
“Um dos principais desafios atualmente é conseguir manter os jovens comprometidos com o esporte diante de tantas distrações, principalmente relacionadas à tecnologia. Hoje, o treinador não disputa apenas um jogo dentro da quadra. Muitas vezes, também disputa a atenção dos atletas fora dela”, explica.
A disciplina e o comprometimento também fazem parte desse processo. Segundo Rogério, a rotina esportiva exige frequência, dedicação e responsabilidade, características que precisam ser trabalhadas durante a formação.
“Outro desafio é desenvolver disciplina e comprometimento. O esporte exige frequência, dedicação e responsabilidade, e nem todos conseguem entender isso imediatamente”, afirma.
A estrutura disponível para o desenvolvimento das atividades é outro ponto citado pelo treinador. Embora tenha condições para realizar seu trabalho, ele ressalta que existem profissionais que enfrentam dificuldades relacionadas a materiais, espaços e recursos.
“Existe ainda a questão estrutural. No meu trabalho, felizmente, temos condições para desenvolver as atividades, mas sabemos que muitos professores e treinadores enfrentam dificuldades com falta de materiais, espaços adequados e recursos”, diz.
Para Rogério, a combinação entre disciplina e dedicação é mais importante do que o talento individual na formação de um jogador.
“Para mim, disciplina e dedicação estão acima de tudo. O talento é importante e uma boa estrutura ajuda muito no desenvolvimento, mas nenhum desses fatores consegue substituir a vontade de trabalhar”, afirma.
Ele explica que o talento, sem comprometimento com os treinamentos, pode não ser suficiente para que o atleta avance.
“Um atleta talentoso que não treina, não escuta e não busca evoluir dificilmente conseguirá chegar muito longe. Por outro lado, já vimos muitos atletas que talvez não fossem considerados os mais talentosos no início, mas que, através da disciplina, da dedicação e da constância, conseguiram alcançar um nível muito alto”, relata.
O trabalho do treinador também envolve aspectos que vão além da preparação técnica. Diálogo, respeito, confiança e responsabilidade são elementos que Rogério considera necessários para a construção das equipes.
“Sempre procurei construir uma relação baseada no diálogo, no respeito e na confiança. Dentro das nossas equipes, tentamos criar um ambiente muito próximo, quase familiar, em que os atletas saibam que podem conversar, mas também entendam que existem responsabilidades e regras”, explica.
Na visão do treinador, as experiências proporcionadas pelo esporte podem acompanhar os atletas mesmo que eles não sigam carreira profissional.
“Procuro mostrar a eles que o basquete é uma escola para a vida. Dentro de uma equipe, você aprende a respeitar o próximo, cumprir horários, assumir responsabilidades, trabalhar coletivamente, aceitar decisões, lidar com derrotas e continuar tentando”, afirma.
Por isso, ele considera que o trabalho de formação pode ser considerado cumprido mesmo quando o atleta não chega ao alto rendimento.
“Nem todos os atletas que passam pelas nossas mãos serão jogadores profissionais, mas todos eles levarão alguma coisa do esporte para a vida. Se conseguirmos formar pessoas responsáveis, disciplinadas e comprometidas, acredito que nosso trabalho já terá cumprido uma missão muito importante”, diz.
Quando questionado sobre atletas ou equipes que marcaram sua trajetória, Rogério afirma que é difícil escolher apenas uma experiência. Para ele, cada geração contribui de alguma maneira para a construção do trabalho.
“É muito difícil escolher apenas um atleta ou uma equipe, porque cada geração deixa uma história diferente. Todos os atletas que passaram pelo nosso trabalho contribuíram de alguma forma para a minha trajetória como treinador”, afirma.
As equipes que participaram do JOJUMS, porém, ocupam um espaço específico em sua memória pela convivência e pelas experiências vividas durante a competição.
“É uma competição que proporciona experiências intensas para todos nós. Durante esses dias, treinador e atletas convivem muito mais, passam por momentos de pressão, alegria, dificuldades, vitórias e derrotas. Isso fortalece os laços e cria histórias que permanecem por muitos anos”, relata.
Para o futuro do basquete em Mato Grosso do Sul, Rogério defende a ampliação do calendário de competições, principalmente nas categorias de base. Na avaliação dele, os atletas precisam ter mais oportunidades de disputar partidas para colocar em prática o que aprendem durante os treinamentos.
“Gostaria muito de ver um calendário maior de competições, principalmente para as categorias de base. O atleta precisa jogar. O treinamento é fundamental, mas é na competição que ele aprende a lidar com pressão, tomada de decisão, erros, responsabilidades e situações reais de jogo”, afirma.
Ele também cita a necessidade de ampliar investimentos, fortalecer projetos municipais, formar treinadores e promover intercâmbios entre cidades e Estados.
“Também acredito que precisamos continuar ampliando os investimentos na modalidade, fortalecendo projetos municipais, formando treinadores e criando mais oportunidades de intercâmbio entre as cidades e outros Estados”, diz.
O treinador acredita que Mato Grosso do Sul possui condições para ampliar sua presença no cenário do basquetebol.
“Mato Grosso do Sul possui potencial para crescer muito no basquetebol. Com investimento, planejamento, continuidade dos projetos e profissionais comprometidos, acredito que podemos colocar o Estado cada vez mais próximo do cenário de destaque nacional. O basquete sul-mato-grossense tem capacidade para chegar muito mais longe”, afirma.
Depois de anos ligados à modalidade, o principal objetivo de Rogério continua relacionado à formação dos atletas. O treinador afirma que pretende continuar estudando, buscar novos desafios e ampliar as oportunidades oferecidas aos jovens.
“Meu maior objetivo sempre será formar atletas e, principalmente, cidadãos de bem. Eu acredito muito no poder transformador do esporte. O basquete pode ensinar valores que uma pessoa leva para o resto da vida: disciplina, responsabilidade, respeito, companheirismo, perseverança e a capacidade de nunca desistir diante das dificuldades”, afirma.
Para ele, títulos e competições fazem parte da trajetória, mas o impacto do trabalho sobre os jovens representa uma dimensão permanente da função de treinador.
“Como treinador, quero continuar evoluindo. Quero estudar, aprender, buscar novos desafios e proporcionar oportunidades cada vez maiores aos atletas que trabalham comigo. Naturalmente, também tenho o sonho de alcançar voos mais altos dentro do basquete, disputar competições cada vez maiores e levar o nosso trabalho para novos níveis”, conta.
Ao falar sobre o que pretende deixar como legado, Rogério coloca a formação dos atletas no centro da resposta.
“Independentemente de títulos ou de onde essa caminhada ainda possa me levar, quero olhar para trás e saber que contribuí positivamente para a vida daqueles que passaram pelas minhas equipes. Os troféus ficam na estante, mas aquilo que conseguimos construir na vida de um jovem permanece para sempre. Esse, para mim, é o verdadeiro significado de ser treinador”, conclui.