Da Redação
“Quando o frio na barriga antes de um jogo acaba, significa que você perdeu a paixão pelo que faz.” A frase resume a forma como Maria Eduarda do Nascimento Silva, de 17 anos, jovem atleta de voleibol de Mato Grosso do Sul, enxerga o esporte. Entre treinos diários, competições escolares e a transição entre quadra e areia, ela constrói sua trajetória marcada pela constância e pelo aprendizado.
O início no voleibol aconteceu de forma espontânea, no período pós-pandemia, após uma mudança de bairro. “Eu comecei após a pandemia. Me mudei para perto de uma praça na qual os veteranos costumam jogar até hoje. Me encontrei lá uma vez com um colega de classe e um amigo dele. Eu morria de vergonha, mas meu colega pediu para eu jogar e, desde então, vou todos os dias, a menos que não tenha. Até em feriados e virada do ano já passamos jogando”, relembra.
Apesar da dedicação, Maria Eduarda ainda não se coloca como atleta de alto rendimento, mas projeta evolução com base no trabalho contínuo. “Hoje em dia, eu não me considero uma atleta que joga em alto nível, mas não deixo de avaliar minha dedicação e técnica por isso. Creio que algum dia eu consiga jogar em alto nível, aprimorando técnica, dedicação e vontade de melhorar”, afirma.
A rotina é dividida entre compromissos na quadra e no vôlei de praia. Durante a semana, ela integra treinamentos em Coxim. “Eu treino praticamente todos os dias. Terça, quinta e sexta treino quadra para o time de base e o adulto de Coxim. O resto, sempre procuro treinar vôlei de praia. Tem suas dificuldades ao treinar o vôlei de praia, mas não deixo de sempre estar procurando melhorar”, explica.
No ambiente competitivo, as principais experiências vieram por meio de disputas escolares. Estudante-atleta do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), ela destaca os Jogos dos Institutos Federais como o principal evento do calendário. “Para mim, é o campeonato mais marcante do ano. Ano passado venci as etapas estaduais e regionais, conseguindo ir para o nacional nas duas modalidades em que pratico”, relata.
A participação nas fases decisivas também trouxe resultados inéditos. “Foi marcante demais a viagem para Natal (RN), mas, em questão de jogo, eu me senti mais evoluída tecnicamente e mentalmente na etapa regional em Brasília (DF). Trouxemos o título pela primeira vez no vôlei de quadra para o MS no regional e o primeiro esporte coletivo a pegar pódio no nacional, com terceiro lugar”, completa.
Dentro de quadra, Maria Eduarda assume funções de responsabilidade, inclusive como capitã. “Não me acho em um nível baixo. Estou em um nível no qual tenho muito a melhorar, mas sempre mantendo constância e diferença em quadra quando preciso mostrar o que sei. Jogo em uma posição de grande importância na quadra e na areia, e ser capitã também exige essa responsabilidade em momentos decisivos”, afirma.
Mesmo sem incentivo financeiro, ela mantém referências claras no esporte. “Não tenho incentivo esportivo. Minhas inspirações dentro de quadra, em termos profissionais, com certeza são a Fofão, histórica levantadora da seleção brasileira, e, na areia, a Duda, campeã olímpica. Me inspiro demais nela, e meu sonho é chegar a ter a visão de quadra que ela tem”, diz.
Fora das quadras, a principal influência vem de quem apresentou o esporte. “Tenho uma admiração enorme pelo cara que me mostrou e me ensinou a amar este esporte. O senhor Ilson me ensinou, com muita paciência, como é lindo jogar. Sou imensamente grata por ele nunca ter desistido de me ensinar, mesmo com as dificuldades que enfrentei na época”, conta.
A relação com a pressão também passou por mudanças ao longo do tempo. “Quando pequena, eu não sabia lidar com pressão. Eu era muito estourada, gritava com todo mundo, era ignorante, uma pessoa que hoje não me orgulho de ter sido. Depois de criar maturidade e entender mais, não me importo tanto com a pressão. Eu só penso em dar meu melhor e mostrar o que sei, mostrar o voleibol bonito que me ensinaram, sem ofender ninguém”, afirma.
Para o futuro, o planejamento inclui continuidade no esporte e foco maior no vôlei de praia. “Pretendo continuar sempre jogando e focar no vôlei de praia na vida adulta, por ter mais chances de campeonatos. Mas nunca se sabe o que o destino nos espera”, diz.
Ao olhar para quem está começando, Maria Eduarda destaca valores que considera essenciais na formação esportiva. “Seja humilde. Se dedique, se destaque e nunca se diminua, mas sempre mantendo a humildade, ajudando quem precisa e servindo de boa inspiração para a nova geração. Alguém algum dia foi sua inspiração, assim como você é para alguém”, conclui.