Da Redação
“Comecei na escola bem tímido”, lembra João Vitor Silva da Cruz, 21 anos, atleta de voleibol de Mato Grosso do Sul. O início no esporte foi influenciado pela mãe, que também havia estudado e treinado na mesma escola. “Como ela estudou lá e treinou também, a Elenice e o Antônio já me conheciam.” Ainda criança, João dividia a rotina entre o vôlei e o futebol. “Eu faltava ao treino de vôlei para jogar bola”, admite. A escolha definitiva pela modalidade veio com o tempo, quando percebeu que o voleibol oferecia um caminho mais seguro e consistente. “Eu só estava me machucando jogando bola, aí decidi focar no vôlei.”
A mãe foi a principal incentivadora do esporte em sua vida. “O que me motivou foi minha mãe, ela sempre me apoiou a seguir esse esporte.” O avô também participava do incentivo. Sobre a avó, João explica apenas que existiam desafios naturais para conciliar a rotina de treinos e competições com outros compromissos da família, especialmente quando campeonatos aconteciam nos fins de semana. Ele reforça que ela sempre quis o melhor para ele e que, apesar de algumas dificuldades, o carinho e o apoio dela sempre estiveram presentes.
A morte da mãe, no ano passado, foi o momento mais difícil de sua trajetória. “Essa foi minha maior dificuldade no esporte e na minha vida pessoal.” Sem a mãe, que acompanhava e incentivava todas as escolhas, João passou a lidar não apenas com o luto, mas também com a necessidade de reorganizar sua motivação. “Ela sempre me incentivou a jogar e a fazer tudo o que eu queria.”
Um episódio marcante ocorreu ainda na adolescência, quando acompanhou amigos a um treino em Balneário Camboriú. “Fui só para passear, mas acabei levando o tênis.” Mesmo sem a intenção de participar, João foi chamado para treinar. “Nunca tinha dado um rolamento na vida, e lá foi a primeira vez.” A experiência gerou expectativa, já que o técnico demonstrou interesse em contar com ele no time. “O Antônio, o técnico e o auxiliar foram para a salinha conversar, e pensei que eu seria chamado.” Quando soube que não poderia permanecer por questões familiares, reagiu com frustração. “Comecei a chorar. Tinha uns 16 anos. Fiquei oito meses sem jogar nada.” O retorno ao esporte só aconteceu graças ao apoio da mãe. “Ela me animou de novo.”
João iniciou no vôlei ainda criança, por volta dos 9 ou 10 anos. A adaptação técnica foi gradual. “No começo eu estava desenvolvendo coordenação e força.” Ele explica que não se destacou rapidamente. “Fui ganhando resistência, técnica e confiança com o tempo.” A trajetória inclui momentos marcantes com o time e com amigos, mas um deles se destaca: a Liga Calabra, disputada recentemente em Nova Andradina. “Nunca tinha ganhado melhor da partida.” A premiação, entregue em forma de um copo, marcou sua trajetória. “Eu queria muito ganhar. Joguei bem e virei o bicho em quadra. Quando vi que ganhei, esse foi o melhor momento para mim.”
Entre as referências que ajudaram na evolução técnica e pessoal, ele cita os treinadores e colegas que acompanharam sua formação esportiva. “Quem mais me influenciou foram minha mãe, a Elenice e o Antônio.” Também menciona outras figuras importantes. “Teve o João Vitor, a Vanessa e o Cleonir, que me ensinou muita coisa.”
A rotina de treinos costuma ser diária, embora, devido ao período do ano, esteja em pausa. Ele se dedica aos fundamentos que ainda considera pontos de melhoria. “Quero evoluir passe, defesa e bloqueio.” João também menciona a importância do aspecto mental. “Concentração, confiança e controle emocional fazem muita diferença.”
Os objetivos para 2025 foram reconsiderados. “Meu objetivo era parar ano que vem e jogar só por lazer, mas tem algo dentro de mim que não deixa.” A memória da mãe influencia a decisão. “Tenho certeza que ela não iria querer que eu parasse.” Com isso, João afirma que pretende seguir se dedicando para buscar novas oportunidades. “Quem sabe eu não seja reconhecido e jogue para algum time, até fora.”
O vôlei, afirma, transformou sua vida. “Me ajudou a me socializar. Eu era muito tímido e aprendi a me comunicar melhor.” A experiência coletiva também repercutiu fora das quadras. “Aprendi a ouvir mais, colaborar e entender a importância de cada pessoa no grupo.”
Para jovens atletas que desejam seguir no esporte, João deixa um recado. “Sigam seus sonhos e nunca deixem de fazer aquilo de que gostam. Escutem os mais velhos, respeitem os técnicos, mesmo quando estiverem errados.” Ele reforça que a evolução vem “com dedicação, paciência e treino constante”, e que cada atleta deve respeitar seu próprio ritmo. “Cada um tem seu tempo.”