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Preparação física além do tatame: os detalhes que influenciam o resultado nas lutas

da redação - 9 de abr de 2026 às 16:30 21 Views 0 Comentários
Preparação física além do tatame: os detalhes que influenciam o resultado nas lutas

“Treinar muito não é uma opção”. A frase resume uma das principais preocupações do preparador físico Alison Brendo Cintra de Souza ao analisar o comportamento de atletas de judô e jiu-jitsu. Com formação em Ciências do Movimento e atuação voltada ao desempenho esportivo, ele chama atenção para a necessidade de organização e planejamento no treinamento, especialmente em modalidades que exigem alto nível físico e técnico.

 

Segundo Alison, um dos equívocos mais recorrentes entre atletas é a ideia de que o volume elevado de treinos, por si só, garante evolução. “O maior erro do atleta é querer fazer o que ele gosta, treinar do jeito dele e fazer o que ele quer. Os atletas têm o costume de pensar que, se treinarem muito, poderão melhorar o desempenho. Mas treinar muito não é uma opção”, afirma. Para ele, tanto o treinamento de força quanto os treinos específicos precisam ser estruturados de forma estratégica.

 

A base desse planejamento está diretamente ligada à sua formação acadêmica. Alison destaca que o conhecimento científico tem papel central no acompanhamento dos atletas. “A formação do mestrado contribui trazendo a ciência até o atendimento ao aluno. Através da pesquisa científica, podemos aprender conceitos e fundamentos que possam ser replicáveis no campo do treinamento esportivo, avaliação física e de desempenho, proporcionando um resultado real e eficaz ao atleta”, explica.

 

No contexto dos esportes de combate, ele aponta que, embora existam capacidades físicas comuns a diferentes modalidades, como força, potência, velocidade, resistência, flexibilidade e agilidade, o judô e o jiu-jitsu apresentam características específicas que exigem abordagens distintas. “O que diferencia o judô e o jiu-jitsu de outros esportes são os padrões de movimento. O judô exige maior demanda de força e potência para executar as técnicas, enquanto no jiu-jitsu há uma exigência maior de resistência, principalmente pela permanência prolongada em força isométrica”, detalha.

 

Além do treinamento físico, a nutrição esportiva também faz parte do processo de preparação. Alison aponta que a alimentação adequada contribui diretamente para o rendimento e para questões específicas das competições. “A nutrição entra para auxiliar a recuperação muscular e energética do atleta, bem como no corte de peso e na pesagem”, afirma.

 

Outro ponto abordado por ele é a importância da periodização, que organiza o treinamento ao longo do tempo. Entre os métodos utilizados, ele cita diferentes modelos e tipos de estímulos. “Trabalho com treinamento de força, técnicas derivadas do levantamento de peso olímpico, como arranque e arremesso, além de métodos como HIIT ou SIT. A periodização pode ser em bloco, linear ou ondulatória”, explica.

 

Essa organização se torna ainda mais relevante quando o objetivo é equilibrar desempenho e recuperação. De acordo com Alison, os avanços da ciência têm reforçado a necessidade de considerar o tempo de recuperação do atleta como parte essencial do processo. “As evidências mostram que o treinamento precisa ser baseado no quanto o atleta consegue se recuperar após as sessões de treino de força e os treinos específicos da modalidade. A periodização é um fator primordial no controle da fadiga central e neuromuscular”, afirma.

 

Ele também chama atenção para práticas comuns no meio esportivo que podem comprometer o rendimento, como métodos inadequados de corte de peso. “Há uma quebra de desempenho em alguns métodos comumente utilizados”, pontua.

 

Dentro desse cenário, o preparo físico pode ser determinante em situações de equilíbrio técnico durante uma luta. “Proporciona força suficiente para o atleta empregar golpes com máxima velocidade, antecipando o adversário”, explica.

 

A abordagem de treinamento varia de acordo com o nível do atleta. Para iniciantes, o foco está na aprendizagem e no desenvolvimento motor. “Utilizam-se sistemas pedagógicos e didáticos para o desenvolvimento e aprendizagem motora”, diz. Já para atletas mais experientes, o controle de carga ganha protagonismo. “Nos avançados, há controle de carga e dos exercícios durante a temporada”, completa.

 

A preparação física também tem impacto direto na prevenção de lesões, um dos principais desafios nos esportes de contato. “O treinamento de força possui um papel fundamental, pois auxilia no fortalecimento do sistema musculoesquelético frente às demandas da prática esportiva, contribuindo também para o aumento da estabilidade e do equilíbrio do movimento humano”, afirma.

 

Para quem está começando, Alison reforça a importância do acompanhamento profissional desde o início. “O atleta recebe direcionamento, orientações gerais e uma conduta assertiva para obter o maior resultado possível a longo prazo”, explica. Ele ressalta ainda que a evolução no esporte exige paciência. “Todo atleta precisa entender que o treinamento precisa de tempo. Não tem como alcançar a alta performance em um curto espaço de tempo”, conclui.

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