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“O voleibol me escolheu”: a trajetória de superação de Lucas Alameda, atleta de Bonito

da redação - 17 de out de 2025 às 15:13 171 Views 0 Comentários
“O voleibol me escolheu”: a trajetória de superação de Lucas Alameda, atleta de Bonito Da Redação

“Foi a partir da dificuldade e da parceria que surgiu o meu amor pelo voleibol.” É assim que o atleta sul-mato-grossense Lucas Alameda, nascido em 14 de novembro de 2000, em Bonito (MS), resume o início de sua trajetória no esporte. Hoje, com 24 anos, ele coleciona experiências em clubes de diferentes estados e vive um dos momentos mais marcantes da carreira: o acesso à Superliga B com o Campo Grande Vôlei, um feito que ele descreve como “um orgulho imenso para Mato Grosso do Sul”.

 

Lucas começou a praticar voleibol em 2013, ainda adolescente, nas categorias de base das equipes Apolo e Artemis, de Bonito. A entrada no esporte, porém, não aconteceu de forma planejada. Ele recorda que, naquele mesmo ano, durante a disputa do seu primeiro JEMS e JOJUMS em Anastácio, passou por uma situação difícil. “No início daquela semana, tive um imprevisto: todo o meu dinheiro foi roubado na sala em que estávamos dormindo. Como eram duas modalidades juntas, não tinha como culpar ninguém. Então conheci o professor Michel, técnico e responsável pela equipe Apolo e Artemis, que se responsabilizou por mim até o fim do campeonato.”

 

De volta à sua cidade, Lucas recebeu o convite do mesmo professor para treinar em sua escolinha. A partir dali, o esporte começou a fazer parte da sua vida de forma definitiva. “Quando voltei pra Bonito, recebi o convite de ir treinar na escolinha dele, e foi a partir dessa dificuldade e da parceria que nasceu o meu amor pelo voleibol”, conta.

 

O início, entretanto, não foi fácil. Como muitos jovens atletas que optam por modalidades fora do futebol, Lucas enfrentou preconceito e desconfiança. “A zombaria pra quem começa a jogar voleibol é sempre muito grande, e comigo foi ainda mais intenso, por ser adolescente numa escola onde todos queriam jogar futebol. Na minha cidade era complicado naquela época”, lembra. Mesmo assim, ele persistiu, encontrando na quadra um espaço de acolhimento e superação.

 

Seu primeiro campeonato foi também o primeiro grande impacto com a atmosfera competitiva do esporte. “Tive a oportunidade de jogar meu primeiro campeonato estadual no Guanandizão. Ainda estava tentando me encaixar, mas foi um misto de emoção e alegria. Dentro de quadra foi uma sensação única, como se fosse beijar pela primeira vez.” Essa emoção inicial marcou o início de uma trajetória que o levaria a representar diferentes equipes em várias regiões do país.

 

Entre as conquistas que mais marcaram sua carreira, Lucas destaca as passagens por Taquarituba e Itatiba, no interior de São Paulo, e principalmente a oportunidade de disputar a Superliga C em 2021 pelo Praia Clube. “Tive muitas conquistas que marcaram minha vida, mas uma em especial foi a Superliga C deste ano pelo Campo Grande Vôlei, com a vaga conquistada e o acesso à Superliga B de 2026”, afirma com orgulho.

 

A ligação com o Mato Grosso do Sul, segundo ele, é um dos grandes motores de sua dedicação. Representar o estado em competições nacionais é mais do que um objetivo esportivo: é um símbolo de resistência e pertencimento. “É um orgulho de fato. Daqui alguns anos, quando falarem do voleibol de MS e da histórica conquista da Superliga B, vão lembrar de mim e dos meus companheiros que tornaram isso possível. Levar o estado a um nível nacional é algo que não tem preço.”

 

Mesmo com as conquistas, a rotina de Lucas continua exigente. Ele vive em Bonito, trabalha durante o dia e treina à noite. O esforço diário, no entanto, é encarado com naturalidade. “Tenho um emprego durante o dia, e como os treinos acontecem à noite, ainda consigo conciliar, mesmo com o cansaço. A quadra pra mim é um lugar onde o corpo cansa e a mente descansa, e será assim até o fim da minha vida”, explica.

 

Hoje, Lucas avalia que já alcançou seus principais objetivos dentro do voleibol. Ter a oportunidade de jogar em casa e representar Mato Grosso do Sul, segundo ele, foi a realização de um sonho. “Muitos atletas vão embora do estado por falta de suporte ou estrutura para competir em campeonatos de alta relevância, e eu também precisei sair em busca dessas portas abertas que estavam fechadas pra nós aqui em MS. Ao longo desses anos, tive muitas conquistas por todo o Brasil, mas o meu maior objetivo era voltar e representar meu estado. E eu consegui.”

 

Mesmo com o sentimento de missão cumprida, ele não pensa em parar. O foco agora é manter a dedicação para a nova jornada na Superliga B. “Vou continuar treinando para essa nova fase de luta e superação que será a Superliga B”, afirma.

 

Ao falar sobre o que o inspira, Lucas não hesita em mencionar sua base familiar. “Minha família sempre me motivou e me apoiou. Minhas inspirações são pessoas que fizeram de tudo por mim e ainda fazem”, diz, reforçando a importância do apoio emocional e moral na construção da carreira esportiva.

 

Com uma trajetória marcada por dificuldades, superação e conquistas, Lucas Alameda tem uma mensagem clara para os jovens que sonham seguir o mesmo caminho. “Tem lutas, quedas e momentos em que você estará sozinho. Então treine, se esforce, confie em Deus e permaneça firme, porque quem caminha com Ele nunca está sozinho e sempre alcança algo maior do que imaginava. Assim como foi comigo.”

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