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"O treino vence o talento todas as vezes": Rafael Costa transforma perdas em motivação no Jiu-Jitsu e Muay Thai

da Redação - 1 de set de 2026 às 15:28 88 Views 0 Comentrios
"O treino vence o talento todas as vezes": Rafael Costa transforma perdas em motivação no Jiu-Jitsu e Muay Thai Da Redação

A relação de Rafael de Jesus Costa com as artes marciais começou quando ele tinha 13 anos. Naquele período, o atleta enfrentava a morte do pai e buscou no Muay Thai uma maneira de lidar com o momento. O esporte de contato acabou se tornando uma ferramenta para extravasar sentimentos e enfrentar uma fase que ele define como complicada.

 

"Eu comecei a treinar Muay Thai com 13 anos para superar a morte do meu pai. Foi uma fase bem complicada na minha vida, então procurei o esporte de contato para extravasar o meu estresse e a minha depressão", conta.

 

O Jiu-Jitsu entrou na trajetória de Rafael anos depois, logo após a pandemia. A motivação, desta vez, estava ligada ao filho, que tinha quatro anos na época. A criança é autista, e Rafael procurou uma atividade que pudesse contribuir para a socialização dele.

 

"Comecei a treinar o Jiu-Jitsu logo após a pandemia para acompanhar meu filho, que na época tinha quatro anos, para melhorar a sua socialização, devido ao autismo. Procurei uma academia por causa disso, e encontrei a Academia do Bruno Bezerra", relata.

 

A convivência com o esporte fez com que Rafael também passasse a levar os treinamentos de forma mais séria. A mudança ocorreu principalmente quando começou a participar de competições. Para ele, competir passou a representar uma experiência que ia além da busca por títulos.

 

"Eu comecei a levar mais a sério no momento em que comecei a competir. Vi que aquilo me fazia bem para mim. Era uma terapia competir. Aí comecei a cuidar da alimentação e a treinar mais vezes", afirma.

 

Segundo Rafael, o incentivo recebido no início da trajetória também foi importante para que ele mantivesse uma rotina mais intensa. Ele destaca o trabalho do professor Bruno Bezerra, responsável por acompanhá-lo naquele período.

 

"Graças ao meu professor Bruno, na época tinha muito treino. Ele tratava muito bem as pessoas, então comecei a treinar muito sério desde a minha faixa branca", diz.

 

Apesar das competições e dos resultados conquistados nos tatames, Rafael aponta que sua principal conquista no esporte não está relacionada a um campeonato. Para ele, o fato de ter conseguido aproximar familiares das artes marciais tem um significado maior.

 

"Eu acho que a minha principal conquista no esporte, entre o Jiu-Jitsu e o Muay Thai, foi ter conseguido levar minha família para esse lado. Meu cunhadinho, que tinha síndrome de Down, meu filho, que é autista, e minha esposa, que não gostava. Então, para mim, essa foi a maior conquista. Não foram os campeonatos", explica.

 

A rotina para manter a atividade esportiva também exige organização. Rafael trabalha como motorista de aplicativo e precisa conciliar a profissão com os treinamentos e a preparação física. De segunda a sexta-feira, dedica entre duas e três horas por dia aos treinos. Aos sábados, mantém a preparação física.

 

"É bem complicado conciliar a vida pessoal e a esportiva, pois trabalho como motorista de aplicativo. Nesse meio-termo, tenho a preparação física e os treinos de Jiu-Jitsu. Treino entre duas e três horas por dia, de segunda a sexta, e sábado faço somente preparação física", conta.

 

Entre as duas modalidades que pratica, Rafael afirma ter preferência pelas competições de Jiu-Jitsu. A escolha, segundo ele, está relacionada principalmente à organização dos eventos, às premiações e também à questão das lesões.

 

"Eu gosto mais de competir no Jiu-Jitsu porque, no meu ponto de vista, acho os eventos de Jiu-Jitsu mais organizados. As premiações são mais bem avaliadas, então, por essa questão, prefiro o Jiu-Jitsu e até pela questão das lesões também", explica.

 

A trajetória esportiva também foi marcada por perdas. Uma das mais difíceis, segundo Rafael, foi a morte do cunhado, que também treinava com ele. A relação dos dois com o esporte fazia parte da motivação para continuar competindo.

 

"Acho que as piores fases até hoje da minha carreira foram perder meu cunhado, que treinava comigo. Ele era uma das minhas motivações, pois nós íamos brincando e voltávamos brincando. Então, isso foi algo que doeu muito em mim", relata.

 

Mais recentemente, Rafael perdeu a mãe. Segundo ele, a relação dela com a prática esportiva era diferente, já que ela não gostava que ele participasse de esportes de combate. Mesmo assim, a participação em uma competição após a morte dela teve um significado especial.

 

"Recentemente, perdi minha mãe. Ela não gostava que eu participasse de esportes. Só que, nesse último evento de que participei, para mim, senti que ela estava do meu lado", afirma.

 

Na trajetória, Rafael também destaca as pessoas que estiveram ao seu lado. Entre elas estão os professores Bruno Bezerra e Jefferson Carmona, além da esposa, da sogra, do irmão Ronaldo e da irmã Rosana.

 

"Para mim, as pessoas que mais contribuíram foram meu professor Bruno Bezerra, que me ajudou muito no meu começo, um professor sensacional, e meu mestre Carmona, que me ajuda até hoje, tem paciência comigo", afirma.

 

Ele também cita o apoio da família. "Minha esposa, que nunca deixou de me apoiar, minha sogra, que é, eu acho, a minha torcedora número um, onde eu vou ela vai, meu irmão, que sempre me ajuda quando preciso, meu irmão Ronaldo, então não posso deixar de agradecer a eles, e minha irmã Rosana, que está sempre me ajudando também."

 

Rafael faz questão de destacar ainda o trabalho do mestre Jefferson Carmona, que continua participando diretamente de sua preparação para as competições.

 

"Gostaria de agradecer meu mestre Jefferson Carmona, que está sempre me incentivando, me ajudando, me treinando e me aconselhando para os campeonatos", diz.

 

Representar Mato Grosso do Sul nas competições também é apontado por Rafael como uma responsabilidade. Ele relaciona a identidade do esporte praticado no Estado à maneira como encara as lutas.

 

"Representar Mato Grosso do Sul tem sempre um peso a mais. Aqui nós temos o Jiu-Jitsu pantaneiro, que é mais agressivo. Representar o 67, o Pantanal, para mim é sensacional. A Academia Gálatas, para mim, é sensacional", afirma.

 

Para os próximos anos, Rafael tem objetivos definidos dentro do esporte. Entre eles estão a participação no Campeonato Brasileiro, nos Opens e nas competições do circuito de Mato Grosso do Sul. No longo prazo, pretende alcançar a faixa-preta e montar a própria academia.

 

"Meu próximo objetivo é participar, no ano que vem, do Campeonato Brasileiro, dos Opens que temos aqui e do circuito de MS. Meu objetivo é chegar à faixa-preta e ter a minha própria academia. Esse é meu objetivo, mas para um futuro distante", conta.

 

A experiência acumulada nas artes marciais também fez com que Rafael desenvolvesse uma visão sobre disciplina e persistência. Para quem pretende começar uma trajetória como atleta, ele afirma que o principal é manter a continuidade, mesmo diante das dificuldades.

 

"A mensagem que eu deixo para quem quer ser um atleta é não desistir. Não é fácil, não vai ser fácil, mas, quando você tem um propósito na vida, você treina e consegue. O segredo é o treino. O treino vence o talento todas as vezes. Então, essa é a mensagem que eu deixo: não desista dos seus sonhos."

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