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‘O treinador é um educador’: Renan Fernando fala sobre formação e futuro do futsal

da redação - 13 de nov de 2025 às 15:30 64 Views 0 Comentários
‘O treinador é um educador’: Renan Fernando fala sobre formação e futuro do futsal Da Redação

Renan Fernando Torres de Oliveira, nascido em 11 de fevereiro de 1992 em Cuiabá (MT), construiu sua trajetória no futsal entre quadras escolares de Campo Grande e competições de nível nacional. Ex-atleta, hoje treinador, ele fala sobre a transição, a formação de atletas e o cenário do futsal em Mato Grosso do Sul. Em suas palavras, a base da sua atuação está na consciência de que o treinador também é educador: “Sei o quanto as vivências do esporte podem impactar na vida de um atleta. Então sempre tento entender a condição do atleta para poder potencializar suas qualidades individuais em prol do coletivo.”

 

Renan começou no futsal ainda na escola. Ele conta que jogava futebol de campo e acabou recebendo um convite para integrar a equipe escolar. “Eu iniciei no futsal no início do ensino médio, no futsal escolar, na escola Maria Constança de Barros e depois no Latino Americano. Como eu jogava futebol de campo na época, o professor fez o convite. Participei de poucas competições, mas participei.” A vivência no futebol o acompanhou, mas foi no futsal que aprofundou compreensão de jogo e encontrou seu caminho.

 

Como atleta, destaca a importância das competições nacionais para sua formação. “A competitividade é maior, você tem a oportunidade de se provar e adquire uma vivência importante que dá uma outra ótica da modalidade.” Ele também recorda a derrota na final da Copa Morena de 2022. Apesar do resultado, considera aquele grupo especial: “Foi a melhor equipe que joguei, mas não conseguimos ser campeões.” A lembrança não vem como frustração, mas como parte de um processo de amadurecimento, algo que hoje carrega para sua atuação como treinador.

 

A transição para o comando técnico surgiu de forma orgânica. Renan sempre foi observador e tinha facilidade para trocar conhecimento com colegas de equipe. “Sempre gostei muito de aprender. Gostava muito de treinar e tinha facilidade em ter essa troca de conhecimento com meus companheiros. Levei isso para a iniciação esportiva e, depois, para o futsal adulto.” A percepção de que o esporte pode ir além do resultado fez com que ele reconhecesse no papel de treinador uma possibilidade de atuação mais ampla.

 

Ao falar sobre desafios na formação de atletas, Renan aponta um ponto que considera central: a pressa. “A nova geração está pulando algumas etapas e chegando ao futsal adulto muito imatura tecnicamente e taticamente. Isso dificulta o trabalho, mas, em contrapartida, você consegue moldar o atleta de acordo com o que acredita.” Para ele, o desenvolvimento precisa ser entendido como processo, e não como urgência de resultados imediatos.

 

Essa visão se estende ao panorama do futsal em Mato Grosso do Sul. Renan reconhece que há talento disponível, mas entende que o ambiente de formação precisa melhorar. “Temos muitos atletas que podem performar desde que sejam oferecidas as condições ideais. O estado precisa evoluir o ecossistema por inteiro, desde a iniciação até o alto rendimento.” Segundo ele, o ambiente competitivo de base tem apresentado sinais preocupantes. “Hoje encontramos ambientes hostis em competições de base, pais pressionando atletas, professores e gestores. Com isso, etapas estão sendo subtraídas no processo de formação. Com déficit na formação, não conseguimos ter uma modalidade competitiva, eficiente e vistosa para quem a consome.”

 

Sobre seu estilo de trabalho, Renan afirma que a disciplina é inegociável. “O atleta precisa obrigatoriamente ser disciplinado: treinar, descansar, se alimentar bem e estar com a parte psicológica em dia.” Para estimular a mentalidade coletiva, ele incentiva os atletas a compreenderem como o desempenho individual sustenta o grupo: “Tento deixar claro e motivá-los a procurar atividades que os ajudem a melhorar e, consequentemente, melhorar o coletivo.”

 

Entre suas referências, Renan cita treinadores com quem trabalhou, como Cesar Arakaki, Paulo Sergio e Pavão. Mas também menciona uma inspiração fora do futsal: o técnico de basquete Phil Jackson, conhecido pelo trabalho com Chicago Bulls e Los Angeles Lakers. “Ele tinha uma forma peculiar de ver o jogo coletivo.”

 

Hoje, seu foco está voltado para o compartilhamento de conhecimento. “Meu principal objetivo é poder me conectar e fazer a troca de conhecimento com o máximo de pessoas através do futsal.” Renan segue trabalhando na formação de atletas com uma visão clara: o esporte como ferramenta de transformação — individual e coletiva.

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