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O jogo mental como ponto de virada na formação de Murilo Ramos

da redação - 29 de jan de 2026 às 11:00 40 Views 0 Comentários
O jogo mental como ponto de virada na formação de Murilo Ramos Da Redação

“Nem sempre vamos conseguir dar o nosso melhor, mas com o tempo vamos melhorando cada vez mais.” A frase resume a forma como Murilo Breschigliari Ramos, de 15 anos, encara o beach tennis. Campeão estadual masculino uma vez, bicampeão estadual na categoria mista e duas vezes vice-campeão estadual no masculino, o jovem atleta de Campo Grande (MS) trata o esporte não como resultado imediato, mas como um processo diário de construção.

 

Nascido em 20 de agosto de 2010, Murilo conheceu o beach tennis aos 13 anos, sem planos de competição. “O beach tennis entrou na minha vida como um hobby, jogando com amigos e familiares, até fazer minha primeira inscrição em um torneio na arena onde hoje sou patrocinado. Depois disso, escolhi essa modalidade para seguir para a minha vida.” O que começou como lazer rapidamente ganhou contornos de compromisso, treino e escolha pessoal.

 

A decisão de seguir no esporte exigiu mudanças na rotina. Murilo relata que a evolução não acontece de forma rápida e cobra renúncias. “O processo de evolução não é do dia para a noite, é lento. Você acaba não fazendo algumas coisas que são boas, para treinar ou descansar. Os treinos frequentes ocupam quase toda a minha rotina. Às vezes não saio com amigos para poder treinar.” Segundo ele, os títulos demoraram a chegar, mas a postura foi mantida. “Demorei para garantir meus títulos estaduais, mas sempre de cabeça erguida e focado.”

 

Ao falar sobre desempenho em quadra, Murilo aponta o aspecto mental como determinante, tanto no masculino quanto nas disputas mistas. “O mental, para torneios mistos e masculinos, é o que mais pesa em um jogo. Você treina com foco e chega no torneio e não consegue fazer o que sabe. Isso é ruim.” Para ele, entender esse processo é parte do amadurecimento esportivo. “Com uma mentalidade forte, sabemos que nem sempre vamos conseguir dar o nosso melhor, mas com o tempo vamos melhorando cada vez mais.”

 

O jovem atleta também destaca a importância do preparo físico e técnico para sustentar o rendimento. “O físico e o técnico importam muito para adquirir constância nos golpes e resistência em jogos mais pegados.” A constância, aliás, aparece diversas vezes em sua fala como um dos principais pontos de atenção para quem busca subir de nível na modalidade.

 

Sobre o cenário estadual, Murilo avalia que o beach tennis em Mato Grosso do Sul apresenta um nível elevado, especialmente nas categorias de base. “O beach tennis no MS possui um nível alto, tanto na categoria juvenil quanto na profissional, mas acredito que ainda há o que evoluir no juvenil e no profissional.” Para ele, o desenvolvimento passa pela sequência de competições e pela troca de experiências.

 

Quando questionado sobre torneios marcantes, Murilo evita hierarquizar conquistas, mas cita experiências que ampliaram sua visão de competição. “Todos os torneios são importantes, porque em cada um você tem um aprendizado diferente.” Entre eles, destaca a segunda etapa do CBI, em São Paulo. “Foi a primeira vez que disputei um torneio nacional fora do estado, competindo contra atletas de alto nível de vários estados.” Outro momento relevante foi a final do circuito CBI, em Santos. “Joguei contra atletas do ranking mundial, com o parceiro com quem disputo a maioria dos torneios.”

 

A rotina de treinos combina orientação técnica e prática constante. “Faço aula uma vez por semana, mas busco treinar todos os dias, em casa e na arena, sempre buscando melhorar.” O objetivo imediato está ligado à regularidade do jogo. “Busco evoluir na constância, que considero um fator crucial para subir para a categoria profissional.”

 

Mesmo com títulos estaduais, Murilo trata as conquistas de forma direta. “Ter um título de campeão estadual uma vez é muito gratificante. Existem atletas que são campeões mais de cinco vezes, mas ter um título é algo que me dá mais força de vontade para seguir com o meu sonho.” Para ele, o resultado funciona como estímulo, não como ponto de chegada.

 

No campo das referências, Murilo cita nomes que observa dentro e fora do estado. “No cenário local, minha referência em estilo de jogo, técnico e mental é o atleta Gui Lima, que chegou há pouco tempo ao nosso estado. No cenário nacional, minha referência é o atleta Daniel Mola.”

 

Os objetivos estão bem definidos e organizados por etapas. “A curto prazo, quero chegar à categoria profissional. A médio prazo, disputar mais torneios nacionais. A longo prazo, ser convocado para representar o Brasil no Panamericano.” Metas claras, segundo ele, ajudam a manter o foco ao longo da rotina.

 

Ao falar com outros jovens que estão começando no beach tennis, Murilo sintetiza sua experiência em poucas palavras. “O foco e a constância são o mais importante. Faça acontecer. Dê o seu melhor sempre.” Uma orientação simples, construída a partir de quem entendeu cedo que, no esporte, evoluir é um exercício diário.

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