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“O jiu-jitsu me fez sentir viva novamente”, diz atleta que encontrou no tatame uma nova fase da vida

da redação - 13 de nov de 2025 às 15:36 82 Views 0 Comentários
“O jiu-jitsu me fez sentir viva novamente”, diz atleta que encontrou no tatame uma nova fase da vida Da Redação

“Não se distraia com a beleza do caminho que não é o seu.” É com essa frase que Fátima Kamila Olmedo Daniel, de 30 anos, define sua forma de enxergar o jiu-jitsu e a vida. Natural de Assunção, no Paraguai, e radicada em Mato Grosso do Sul, Kamila encontrou no tatame um ponto de virada pessoal e emocional. Médica por formação, ela começou a treinar em junho de 2023 e, pouco mais de um ano depois, já soma títulos importantes, como a medalha de prata no Mundial da ISBJJA, disputado no Rio de Janeiro, e o ouro no AJP, campeonato internacional realizado em Assunção.

 

“Comecei o jiu-jitsu em junho de 2023, convidada por uma amiga que me levou a uma equipe composta puramente por mulheres. Me senti atraída pelo esporte e treinei ali por dois meses. Depois, por questões de horário e distância, precisei mudar de equipe, onde os treinos tinham uma carga horária mais pesada”, conta.

 

A relação de Kamila com o jiu-jitsu, porém, vai além da técnica ou da competição. “Desde que conheci o esporte, me apaixonei. Ele apareceu em um momento chave da minha vida, quando eu atravessava situações emocionalmente complicadas. O jiu-jitsu foi minha fuga, me fez sentir viva novamente. Desbloqueei autoestima e autoconfiança que eu não sabia que existiam em mim.”

 

Dois meses depois de iniciar os treinos, ela já estreava em competições. “Minha primeira competição foi um torneio pequeno, onde ganhei minha primeira medalha de prata. Quatro meses depois, participei do AJP, um evento internacional, e fui campeã na minha categoria. Esse resultado serviu de grande motivação para continuar me desenvolvendo.”

 

O rápido avanço no tatame não foi obra do acaso. Kamila conta que o equilíbrio entre corpo e mente é essencial para o alto desempenho. “Treino jiu-jitsu pelo menos duas horas por dia, de cinco a seis vezes por semana, e faço preparação física até três vezes por semana. Além disso, mantenho uma boa alimentação, hidratação e descanso. Mas acredito que o equilíbrio emocional é tão importante quanto o físico.”

 

Entre as conquistas, Kamila destaca o Mundial da ISBJJA, realizado no Rio de Janeiro. “Ganhei a prata na minha categoria e o bronze no absoluto. Embora não tenha sido o resultado que eu esperava, foi o campeonato mais marcante, porque para chegar lá precisei conquistar outros títulos antes.”

 

A atleta reconhece que o jiu-jitsu, assim como qualquer modalidade de combate, exige força física e estabilidade mental. “É inevitável sentir frustrações. Há dias em que sinto que estou evoluindo 100% e outros em que parece que estou começando de novo. Tento não me comparar com ninguém e entender que cada um tem seu próprio caminho. Essa mentalidade me ajuda a manter o foco e continuar crescendo.”

 

Mesmo com pouco tempo de prática, Kamila observa transformações no cenário feminino da modalidade. “O jiu-jitsu feminino cresceu e continua crescendo bastante. Antes eram poucas mulheres treinando, e agora se vê muito mais meninas no tatame, competindo, ensinando e liderando academias. Ainda há um caminho a percorrer, mas o reconhecimento está chegando. Somos respeitadas como concorrentes e como parte fundamental do jiu-jitsu.”

 

Em Mato Grosso do Sul, ela diz que o maior desafio é interno: “O principal desafio que enfrento é pessoal. Quero sempre evoluir e ser a melhor nas competições, mas mesmo não sendo brasileira, quero levar o nome do meu país aonde quer que eu vá. Sempre me exijo bastante, vejo a pressão como um privilégio, como uma oportunidade, por mais desconfortável que seja.”

 

Kamila também reconhece o papel essencial da equipe no seu desenvolvimento. “Graças a Deus, faço parte de uma equipe excelente, com colegas que me ensinam em todos os treinos e um mestre que me impulsiona e motiva. Ter o apoio deles não tem preço.”

 

Sobre o futuro, Kamila é clara: quer continuar crescendo. “Meu objetivo é seguir aprendendo, tanto nos treinos diários quanto nas competições. Mesmo quando o resultado não é o que espero, sempre aprendo alguma coisa. No mínimo, há algo a ser aprendido.”

 

A atleta também faz questão de deixar uma mensagem às meninas que estão começando ou têm vontade de praticar o jiu-jitsu. “Diria para se animarem e experimentarem. O jiu-jitsu é desafiador no início, mas te dá muito em troca: confiança, força, disciplina e uma comunidade incrível. Não importa a idade, o corpo ou o nível, o importante é dar o primeiro passo e não se comparar com ninguém. Aproveite o processo e cresça um pouco mais a cada dia.”

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