Da Redação
Aos 43 anos, Elaine Renata Vargas Caetano é hoje faixa preta e professora de jiu-jítsu em Campo Grande. A caminhada dela na arte suave começou em 2016, motivada por um episódio difícil na vida da filha Ana Luiza, que na época sofria bullying na escola.
“Minha filha me motivou a treinar. Ana Luiza sofria bullying, apanhava e era humilhada por crianças da escola. Sofremos muito com isso”, relembra Elaine. A primeira tentativa foi colocá-la no muay thai, mas não trouxe os resultados esperados. “Não desmereço o muay thai, é um esporte excelente, mas não deu muito certo para ela. Foi aí que um amigo faixa preta de jiu-jítsu nos apresentou a arte suave. Comecei a treinar firme junto com ela. Graças a Deus deu certo, ela aprendeu a se defender e a ter sua autoestima de volta. Foi maravilhoso.”
A decisão mudou o rumo não apenas de Ana Luiza, hoje faixa marrom e professora da Alliance, mas também de toda a família. Elaine seguiu no tatame, conquistando títulos e superando desafios até alcançar a faixa preta. “Meu maior desafio foi me capacitar. Treinar bastante e estudar. O jiu-jítsu vai muito além”, explica.
A trajetória inclui vitórias em campeonatos estaduais e um título marcante no Mundial do Rio de Janeiro, quando ainda era faixa roxa. “Eu estava com uma lesão na perna direita. Não foi fácil treinar para esse evento, mas deu tudo certo. Eu fui campeã.”
Mesmo conciliando o papel de atleta e professora, Elaine é categórica ao afirmar o que mais a move no tatame. “Competir e ensinar não é difícil. Requer saber conciliar as duas coisas. Mas o que me motiva mais é ensinar. É muito gratificante ver um aluno evoluir.”
O aprendizado vai além da técnica. Para ela, o tatame trouxe equilíbrio emocional e sabedoria. “Fora do tatame, o jiu-jítsu me ensinou a ser forte de maneira diferente, com sabedoria. Tenho autocontrole e sei lidar com situações difíceis.”
Como professora, busca transmitir valores que considera essenciais. “Os valores do jiu-jítsu incluem respeito, humildade, disciplina, perseverança, autoconfiança e a capacidade de lidar com a pressão. Isso é o que eu tento passar aos meus alunos.”
A inspiração para continuar está dentro de casa. “Minha inspiração foram meus filhos. Tenho meu enteado Pedro Rojas, que considero como meu filho, acho ele um gênio do jiu-jítsu. Hoje ele é meu professor, meu treinador. Minhas filhas Ana Luiza, Sophia e Guilhermina são minhas inspirações. Eles treinam, amam o que fazem e nunca permitiram que eu desistisse.”
O vínculo familiar com o jiu-jítsu é tão forte que Elaine sonha em dar um passo maior. “Tenho um sonho de ter minha própria academia de jiu-jítsu e trabalhar com minha família. Seria uma dinastia incrível, seria meu legado para eles.”
Elaine é casada há 23 anos e mãe de quatro filhos. Para ela, a prática uniu ainda mais a família e construiu uma herança que já passa para a próxima geração. “Todos treinaram e três dão aula, são professores de jiu-jítsu. Nossa família está crescendo, somos avós, e eu pretendo criar meus netos no tatame com certeza. Quero deixar um legado para eles.”
Ao olhar para trás, a faixa preta resume o impacto da arte marcial em sua vida e incentiva outras pessoas a buscarem o caminho certo dentro do esporte. “Um conselho que dou para quem está começando é: procurem uma escola com metas para treinar. Treinem com profissionais qualificados, para que possam ter um jiu-jítsu limpo e saudável.”
Mais do que medalhas ou títulos, a história de Elaine Vargas mostra como o jiu-jítsu pode transformar vidas, unir famílias e fortalecer gerações. Afinal, como ela mesma define: “O papel das mulheres no jiu-jítsu vai além da prática, sendo uma ferramenta de empoderamento, desenvolvimento de autoconfiança e defesa pessoal.”