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“O futevôlei me deu um motivo para viver de novo”, diz atleta de Campo Grande

da Redação - 4 de out de 2026 às 07:00 236 Views 0 Comentários
“O futevôlei me deu um motivo para viver de novo”, diz atleta de Campo Grande Da Redação

A trajetória de Guilherme no futevôlei começou no fim de 2022, depois do período mais crítico da pandemia. Antes de iniciar os treinamentos, ele já frequentava a Pantanal, em Campo Grande, para jogar futvôlei. O que começou como uma atividade de lazer, no entanto, passou a ocupar um espaço maior na rotina e na vida do atleta.

 

Guilherme conta que, antes de entrar no esporte, estava acima do peso e enfrentava um período difícil em razão do isolamento provocado pela pandemia. Segundo ele, o futevôlei foi responsável por ajudá-lo a retomar atividades fora de casa e encontrar uma nova motivação.

 

“Minha trajetória começou no final de 2022, após a pandemia. Mas, antes disso, eu sempre ia na Pantanal jogar futevôlei. No início dos treinamentos, sempre pensamos em virar jogador profissional e tudo mais. Porém, durante um ano de treino, foi onde eu pensei que poderia fazer disso uma carreira”, conta.

 

Ele lembra que, naquele período, estava acima do peso e passava por um momento de tristeza que, segundo ele, era difícil de ser compreendido pelas pessoas ao redor.

 

“Antes de entrar no esporte eu estava muito acima do peso, uma tristeza que ninguém entendia, pelo fato da pandemia e de não poder sair de casa. Mas o futevôlei em si me deu um motivo para viver de novo, sair e me divertir”, afirma.

 

Ao longo da trajetória, Guilherme treinou com diferentes profissionais. Entre os nomes que cita estão Alex, Ferrugem, Murilo, Jhonatan e Yan. Atualmente, os treinamentos são comandados por Menor, com quem, além da relação entre atleta e treinador, construiu uma amizade.

 

“Não teve muitos desafios, para falar a verdade. Foi mais o querer mesmo. Tive treino com vários treinadores, mas os melhores foram o Alex, Ferrugem, Murilo, Jhonatan e o Yan. Hoje treino com o Menor, que, além de me treinar, é um grande amigo meu”, relata.

 

A experiência no futevôlei também fez com que Guilherme passasse a ser conhecido por apelidos dentro do ambiente esportivo. Entre eles estão “Choji” e “Guizera”. Apesar de ter pensado inicialmente na possibilidade de seguir carreira profissional, hoje ele afirma que esse não é mais seu objetivo.

 

“Hoje em dia não penso em virar jogador profissional. Eu não tinha nada, ganhei até um apelido, sou conhecido como Choji ou Guizera”, diz.

 

Um dos momentos mais marcantes para ele ocorreu em um torneio interno. A conquista do primeiro título representou a recompensa pelo período de treinamentos e pela dedicação ao esporte.

 

“O momento mais marcante foi quando peguei meu primeiro torneio interno. Fui campeão e foi uma sensação de alívio, pois todo meu trabalho foi compensado. Joguei com o Fabinho, que hoje também é professor da Pantanal”, lembra.

 

Outro evento que marcou sua trajetória foi o Pantanal Open, competição realizada na arena onde começou a praticar a modalidade. Foi durante o torneio que Guilherme teve contato com atletas profissionais que acompanhava e admirava.

 

“Na Pantanal tem o Pantanal Open, onde eu conheci todos os atletas profissionais de quem sou fã”, afirma.

 

Para Guilherme, a evolução no futevôlei depende de uma rotina de treinos, preparação física e cuidados com o corpo. Ele destaca que a modalidade exige força, velocidade de raciocínio e atenção à prevenção de lesões.

 

“Acredito que tudo seja fonte do seu esforço. Se você tiver uma rotina controlada juntamente com treinos específicos, você vai longe, porque o futevôlei exige muita força. Sem força e velocidade de raciocínio, você não vai muito longe”, explica.

 

O atleta também considera importante contar com acompanhamento profissional para manter a preparação e lidar com possíveis lesões.

 

“Tem que ter nutricionista e um bom fisioterapeuta, porque às vezes a gente acaba se machucando feio e, se você ficar cinco ou oito meses parado, você nunca volta como era antes”, afirma.

 

Mesmo sem ter como meta a carreira profissional, Guilherme acompanha o crescimento do futevôlei em Mato Grosso do Sul. Na avaliação dele, a modalidade ainda tem espaço para se desenvolver em Campo Grande, principalmente quando comparada a centros como Rio de Janeiro e São Paulo.

 

“Hoje em dia o mundo do futevôlei está crescendo, mas ainda é muito pouco aqui em Campo Grande. Não é igual no Rio de Janeiro ou em São Paulo, onde a cada esquina tem gente jogando. Mas isso, com o tempo, muda”, avalia.

 

Segundo ele, o cenário local já apresenta mudanças. Arenas passaram a organizar competições em diferentes categorias, ampliando as oportunidades para quem está começando e para atletas que já participam de torneios.

 

“Antes o futevôlei era muito escasso. Hoje em dia, em cada arena já fazem torneios em várias categorias. Acredito que aos poucos vai crescendo e a galera vai se apaixonando, porque futevôlei é um vício”, afirma.

 

Embora já tenha recebido convites para treinar em outras arenas, Guilherme decidiu continuar na Pantanal, local que considera sua casa dentro do esporte. Para ele, a relação construída ao longo dos anos pesa mais do que a possibilidade de buscar outros espaços.

 

“Já recebi muitos convites para treinar em outras arenas, mas a Pantanal é minha casa. Tenho um carinho e uma admiração enorme pela Pantanal”, conta.

 

A relação com o esporte também fez com que ele mudasse a forma de enxergar títulos e resultados. Guilherme reconhece que não acumulou muitas conquistas em torneios, mas afirma que as amizades construídas durante a trajetória têm um peso maior.

 

“Acredito que, no esporte em si, não tenha tantos títulos. Nunca joguei com cavalo bom, nunca fui de sempre querer pegar primeiro lugar. Porque, como eu falei, posso ter perdido nos torneios, mas sempre ganhei grandes amigos. Acredito que isso conte bem mais para mim do que um troféu na minha estante”, afirma.

 

Ainda assim, existe uma conquista que permanece entre os objetivos do atleta. É o título do próprio Pantanal Open.

 

“Mas ainda quero ter um troféu do Pantanal Open. Quem sabe ano que vem ele não para na minha mão?”, brinca.

 

A relação de Guilherme com o futevôlei também passou por um período de cobrança pessoal intensa. No início, segundo ele, a pressão não vinha de outras pessoas, mas dele próprio. A busca por evolução fez com que colocasse treinos e competições acima de outros compromissos.

 

“No início era uma cobrança absurda, não dos outros, mas minha. Já fui dormir todo machucado, com febre de tanto treinar. Inúmeras vezes fui ao hospital. Deixei de ir a comemorações de família e amigos porque tinha torneio ou treino”, relata.

 

Com o tempo, porém, ele passou a enxergar a necessidade de estabelecer limites. A experiência fez com que sua relação com o esporte mudasse e que o resultado deixasse de ser o único objetivo.

 

“Nessa época foi quando eu realmente queria evoluir. Se fosse deixar um conselho, seria para não se cobrarem tanto. Tudo tem a sua hora. Cada um tem uma percepção de mundo. Se você trabalhar duro e se esforçar, vai ser recompensado, e isso não é sobre o esporte em si. Isso é sobre a vida”, afirma.

 

Entre os atletas que admira, Guilherme destaca Jhonatan, que teve participação em sua formação dentro da modalidade e também se tornou amigo.

 

“Eu admiro muito o Jhonatan. Além de um grande atleta, ele foi um treinador e um amigo incrível para mim. Tenho muito respeito e admiração por ele”, diz.

 

Outro nome citado é Vitinho Ousadia, que Guilherme conheceu neste ano durante o Pantanal Open. A identificação veio principalmente pelo estilo de jogo e pela forma como o atleta se comporta dentro e fora da quadra.

 

“Conheci ele esse ano no Pantanal Open. Conversamos muito e achei muito legal o estilo de jogo dele. Parecia que ele jogava de terno. Um cara muito bom e humilde”, afirma.

 

Hoje, o objetivo de Guilherme é diferente daquele que tinha no início da trajetória. Em vez de buscar uma carreira profissional, ele pretende continuar praticando o esporte, preservar a saúde e manter a convivência com os amigos que conheceu nas arenas.

 

“Meu principal objetivo não é ser jogador profissional. Demorei para perceber isso. Como falei, eu não tinha nada, e o futevôlei me deu tudo o que eu preciso. A grande maioria dos meus amigos é do futevôlei. Me deram um nome, a galera me conhece”, conta.

 

Ele também não considera necessário estar sempre entre os primeiros colocados para continuar fazendo parte do esporte.

 

“Não sou o melhor jogador. Hoje em dia treino para não ser deixado de fora. Quero manter minha saúde e pegar os jogos de sexta-feira. O futevôlei me deu um motivo para viver de novo”, afirma.

 

Para quem pretende seguir uma trajetória semelhante e transformar o futevôlei em profissão, Guilherme recomenda disciplina, alimentação adequada e preparação. Ao mesmo tempo, ressalta que o esporte não deve fazer com que a pessoa deixe de aproveitar outras áreas da vida.

 

“A vida às vezes é injusta, porque num torneio a decisão não é sua, é a do juiz. Então eu falaria para não ser tão duro consigo mesmo. Não ficar irritado, porque, se ficar bravo, perde o jogo. Às vezes, uma decisão de impulso pode fazer você perder algo grande”, explica.

 

Para ele, quem pretende viver do futevôlei precisa estabelecer uma rotina e cuidar da alimentação, mas sem transformar a prática esportiva em motivo para abrir mão da própria vida.

 

“Para quem quer viver de futevôlei, estabeleça uma rotina, uma dieta boa, mas nunca, nunca mesmo, deixe de viver a vida. A vida é um dom que não pode ser desperdiçado. Então, treine e viva”, conclui.

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