Da Redação
A relação de André Luis com o futebol começou ainda na infância. Aos quatro anos de idade, ele passou a acompanhar o avô nos campos de futebol e, a partir desses momentos, criou o vínculo com o esporte. Aos cinco anos, começou a jogar futsal e, três meses depois, passou também para o futebol de campo.
O início foi no time do bairro onde morava. Aos seis anos, André Luis chegou ao Náutico Futebol Clube, de Campo Grande, onde começou a compreender melhor a rotina e as exigências do futebol. Foi também no clube que teve as primeiras oportunidades de realizar testes em equipes de outros estados.
“Minha trajetória no futebol começou aos quatro anos de idade, com meu vô me levando aos campos de futebol. Ali eu fui criando um vínculo. Depois, aos cinco anos de idade, comecei a jogar futsal e, depois de três meses, fui para o campo de futebol e comecei a trajetória jogando no time do meu bairro”, conta.
A passagem pelo Náutico marcou uma etapa importante na formação do atleta. O clube foi o espaço onde ele passou a ter contato mais próximo com a rotina de um jogador e também onde surgiu a possibilidade de buscar oportunidades fora de Mato Grosso do Sul.
Um dos principais momentos da carreira veio aos 17 anos, quando André teve a oportunidade de disputar o Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série B pelo próprio Náutico. A equipe conquistou o acesso à primeira divisão estadual, e o jogador teve, no ano seguinte, a oportunidade de disputar também a Série A.
“A fase mais importante que eu tive foi com 17 anos, tendo a oportunidade de estar jogando o Estadual Série B pelo Náutico, quando conseguimos o acesso à elite do Sul-Mato-Grossense e, no ano seguinte, estar jogando a Série A também”, relata.
Antes disso, André também havia conquistado o Campeonato Estadual Sub-17, quando tinha 15 anos. Entre as lembranças que guarda da carreira, está um gol marcado do meio de campo durante a competição. Segundo ele, a equipe precisava marcar naquele momento, e a oportunidade apareceu.
“Tem um gol do Estadual Sub-17 que eu fiz do meio do campo. Foi um momento em que o nosso time estava precisando muito marcar e acabei vendo a oportunidade e consegui finalizar bem”, lembra.
Para o atleta, a conquista do Estadual Sub-17, o gol marcado do meio de campo e o acesso conquistado na carreira estão entre os momentos que não esquece.
“Teve a conquista do Estadual Sub-17, quando eu tinha 15 anos, e o acesso que consegui na minha carreira. Esses três momentos são inesquecíveis para mim. Foi o momento em que eu vi que eu poderia chegar aonde eu quero”, afirma.
Distância da família e rotina
A trajetória também foi marcada por períodos de dificuldade. Uma das principais experiências aconteceu quando André passou a jogar pelo DAC, de Dourados. A mudança significou ficar longe da família e lidar com uma rotina diferente daquela que conhecia.
“As maiores dificuldades foram quando eu fui jogar no DAC, que foi ficar longe da família e entender que o processo do futebol não é só os treinos e o jogo. É uma rotina que é cansativa”, explica.
Com o passar dos anos, o atleta conta que também passou a lidar com momentos de dúvida sobre a continuidade no futebol. Segundo ele, a possibilidade de desistir apareceu em alguns momentos, mas o apoio das pessoas próximas foi importante para que continuasse.
“A idade vai chegando também. É o momento em que a gente começa a pensar em desistir, só que a família e as pessoas que gostam de você chegam e te apoiam. Isso faz com que você pense melhor, e isso me ajudou muito a não desistir do meu sonho”, conta.
Entre as pessoas que estiveram ao lado dele desde o início estão a mãe, Daine, a tia Elaine e os avós. André também cita Zito, atual presidente do Náutico, e Matheus Sabatine, além de outras pessoas que mantêm contato e enviam mensagens de incentivo.
“As pessoas que mais me apoiaram e me apoiam até hoje foram a minha mãe, Daine, minha tia Elaine, meus avós, o Zito, atual presidente do Náutico, o Matheus Sabatine, que sempre me manda mensagem, e algumas outras pessoas que sempre me mandam mensagens incentivando”, afirma.
Futebol e trabalho
Para André, uma das dificuldades para quem tenta construir uma carreira no futebol em Mato Grosso do Sul é conciliar a atividade esportiva com o trabalho. Ele explica que a quantidade de competições disputadas no Estado acaba limitando o período em que muitos jogadores conseguem atuar profissionalmente.
“As maiores dificuldades são conseguir conciliar o esporte com o trabalho, porque aqui no Estado a gente não tem tantos campeonatos para disputar. Isso acaba deixando muitos atletas empregados apenas um semestre do ano”, explica.
Segundo ele, essa situação também interfere na vida financeira dos jogadores, que precisam encontrar outras formas de renda durante os períodos sem competições.
“Isso acaba prejudicando um pouco nós, atletas, porque, querendo ou não, as contas não esperam e a gente tem que levar comida para casa também”, afirma.
Escolhas desde a infância
A dedicação ao futebol também fez com que André tivesse uma infância diferente da de outras crianças. Enquanto amigos aproveitavam o tempo livre para brincar, ele dividia os dias entre treinos e jogos.
“O futebol já fez eu fazer algumas escolhas, como amadurecer mais cedo que as outras crianças e ter mais responsabilidade mesmo com pouca idade. Enquanto algumas crianças estavam indo tomar banho de piscina, soltar pipa, brincar na rua, eu estava indo treinar ou jogar”, conta.
Apesar das renúncias, o atleta afirma que não se arrepende das decisões tomadas ao longo da infância.
“Essas escolhas foram escolhas das quais eu não me arrependo de ter feito”, diz.
Preparação para continuar
A preparação para seguir no futebol faz parte da rotina de André. O atleta afirma que procura manter diariamente atividades físicas, incluindo corrida, bicicleta e academia. Entre as atividades que considera mais importantes para sua preparação está a corrida na areia.
“A minha preparação física é diária, fazendo exercícios, correndo, andando de bicicleta e fazendo academia. A principal, que é a que mais me ajuda, é correr na areia, em média, por uma hora”, explica.
Além da parte física, ele também procura trabalhar a preparação mental. Para André, situações que exigem atenção e respostas rápidas podem contribuir para desenvolver a capacidade de tomar decisões sob pressão.
“A preparação mentalmente eu costumo trabalhar diariamente com exercícios que têm que pensar mais e tomar ação rápida, com muita pressão. Muitas vezes, em casa mesmo, eles me ajudam fazendo pressão, falando para eu fazer várias coisas ao mesmo tempo. Tudo isso serve como um treino e exige um pouco mais de atenção também”, relata.
Próximos objetivos
Aos poucos, André busca se preparar para os próximos desafios. Entre os objetivos está chegar ao Campeonato Sul-Mato-Grossense em melhores condições físicas e, posteriormente, buscar uma oportunidade em outro Estado.
“Os meus objetivos são conseguir estar melhor fisicamente no ano que vem para poder estar jogando o Sul-Mato-Grossense em alto nível e depois estar indo para algum outro Estado também”, projeta.
O objetivo de longo prazo é alcançar o futebol nacional e chegar à elite.
“Meu sonho é conseguir chegar à elite do futebol brasileiro”, afirma.
Olhando para a própria trajetória, André também faria algumas recomendações para a versão mais jovem de si mesmo. A principal delas seria aumentar a dedicação aos treinamentos e manter a disposição para enfrentar as dificuldades do caminho.
“Se eu pudesse falar algo para mim do passado, eu falaria para mim treinar mais, ter mais força e mais vontade. Que o futebol vale a pena cada segundo e cada escolha que eu iria fazer”, conclui.