Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, 18:49

“O esporte me manteve, me salvou e mantém minha saúde”, diz atleta

da redação - 20 de fev de 2026 às 15:30 24 Views 0 Comentários
“O esporte me manteve, me salvou e mantém minha saúde”, diz atleta Da Redação

“O esporte me manteve, me salvou e mantém minha saúde ao longo desses anos até hoje.” A frase resume a relação de Roberta de Lima Medina com o atletismo. Nascida em 08 de maio de 1991, em Campo Grande (MS), ela iniciou na modalidade entre 2002 e 2003, por meio de um projeto da Rede Municipal de Ensino. O que começou como uma atividade escolar tornou-se parte central de sua vida.

 

“Comecei no atletismo em um projeto pela escola da rede municipal de ensino. Eu era muito ativa e sempre gostava de participar dos projetos da escola”, conta. Na época, Roberta enfrentava crises de bronquite asmática. “Eu sofria muito de bronquite asmática, e os pediatras falavam para minha mãe que eu tinha que fazer natação desde muito pequena. Mas, naquela época, minha mãe não tinha condições de pagar.”

 

Foi no projeto escolar que a corrida passou a fazer parte de sua rotina. “Através desse projeto fui fortalecendo minha saúde, sem saber dos benefícios da corrida na minha vida, naquela época em que eu tinha 12 anos.” Além da melhora no quadro respiratório, vieram as primeiras oportunidades esportivas. Após competir nos Jogos Escolares, foi observada pelo treinador Valdir Nogueira de Jesus. “Ele me viu competir nos escolares e, dali por diante, outras oportunidades apareceram.”

 

Com o incentivo, Roberta conseguiu bolsa em uma escola particular, o Colégio ABC. “Isso foi muito importante para minha educação na parte do estudo.” Além de representar o colégio, passou a competir pelo clube em eventos estaduais e nacionais.

 

Os primeiros passos foram nas provas de salto em distância. “Era nível mediano, em vista de outras atletas.” Depois, vieram as provas de 100 a 400 metros com barreiras. “Acho que meu treinador estava me testando”, diz. “Eu era meio rápida, mas um pouco resistente também.” Com o tempo, encontrou o caminho no meio-fundo. “Me descobri no meio-fundo. Nos 1.500 metros e 3.000 metros de pista foi onde mais me destaquei.”

 

O contato com competições nacionais ampliou sua visão sobre o esporte. “Ficava impressionada em ver outras atletas, como corriam, como saltavam, como eram fortes. Pensava em ser como elas, mas não sabia como.” Ainda assim, manteve o objetivo de evoluir. Já na fase adulta, foi convocada para disputar o Troféu Brasil, a principal competição do país.

 

Atualmente, Roberta continua competindo em provas de pista e rua. “Hoje gosto muito de competir 800 metros de pista, 1.500 metros, 3.000 metros e 5 km de rua, mas já fiz até meia maratona.” Segundo ela, essas distâncias exigem equilíbrio. “Tenho que manter a velocidade e a resistência para sustentar a intensidade.”

 

Mesmo após mais de duas décadas no esporte, afirma que a motivação permanece. “Entro na pista e vem só a vontade de dar meu máximo. Mas tem que estar treinada.” Em 2026, a rotina envolve treinos seis vezes por semana. “Treino depois do meu trabalho, intercalo horários e vou fazer meus treinos. Quero alcançar alguns objetivos este ano.”

 

Aos 35 anos, a atleta afirma que o corpo exige atenção diferente. “Venho de quatro gestações. A recuperação pós-parto muda muito de uma para outra. Tenho muito cuidado com fortalecimento para não lesionar.” Ela destaca também a importância da alimentação, hidratação, acompanhamento médico e cuidado com a saúde mental. “A recuperação muscular já é um pouco mais lenta, então temos que cuidar.”

 

A maternidade marcou diferentes fases da trajetória. Quando os filhos eram pequenos, contou com o apoio da mãe e do padrasto. “Eu ia treinar no horário que desse, até no horário de almoço. Minha mãe me ajudava muito.” Hoje, os filhos já estão maiores e não moram com ela. “Eles torcem muito por mim e me apoiam mesmo de longe.”

 

Houve também um período de afastamento do esporte, motivado por trabalho, filhos pequenos e mudanças na rotina. “Tive anos difíceis, fiquei afastada.” O retorno aconteceu após um alerta familiar. “Minha mãe viu o quanto minha saúde estava sendo afetada. Antes dos 30 anos, eu tinha pressão alta, dores no corpo, muitas dores de cabeça. Não era vida viver no remédio.” Naquele momento, estava com 70 quilos e decidiu retomar a atividade física. “Foi o gatilho. Fui me conectando com as corridas novamente.”

 

Hoje, morando em Bonito (MS), observa o crescimento das corridas de rua no Estado, mas aponta carências na base. “Nas pistas tem que haver mais projetos nas escolas para fomentar o atletismo desde a base. Vejo essa carência.” Para ela, o interior também precisa de atenção. “Aqui tem material humano, mas falta mais incentivo e um olhar para esse trabalho tão importante para o desenvolvimento da criança e do adolescente.”

 

A corrida também está presente na vida familiar. O esposo é atleta, e o casal desenvolve trabalho e projeto voltados para a modalidade. “O atletismo está em tudo para mim. Vivo intensamente a corrida.”

 

Ao falar sobre sonhos e persistência, deixa um recado. “Não desista, mesmo que você veja que é impossível. Faça o que você gosta. Não coloque obstáculos.” Ela orienta mães a incluírem os filhos na rotina, quando possível. “Leve junto, mesmo que seja no carrinho. Já é o primeiro passo.” E conclui: “Você pode até não realizar aquele sonho, mas os sonhos alimentam a nossa alma. Nos mantêm vivas para que todo dia possamos mentalizar e correr atrás. Tudo é possível naquele que crê.”

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