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“O esporte é oportunidade de vida e transformação”: a trajetória de Vanessa Borges Soares

da redação - 25 de ago de 2025 às 16:00 362 Views 0 Comentários
“O esporte é oportunidade de vida e transformação”: a trajetória de Vanessa Borges Soares Da Redaçao

''O esporte é oportunidade de vida e transformação no desenvolvimento de qualquer indivíduo.” A frase, dita por Vanessa Borges Soares, resume bem a forma como a professora de Educação Física enxerga a prática esportiva e o papel que ela desempenha na formação de crianças, jovens e adultos.

 

A relação de Vanessa com o esporte começou cedo, aos 10 anos de idade. Foi nessa época que a atividade física passou a fazer parte da sua rotina. O interesse pela Educação Física surgiu de forma natural, inspirado pelo trabalho do professor Luís Fernando “Nando”, atual técnico da equipe feminina de futsal da UCDB.

 

“Foram 11 anos jogando futsal pelo Dom Bosco/UCDB, onde aproveitei a bolsa de estudo para atleta e realizei meu primeiro objetivo de vida: me tornar professora de Educação Física aos 22 anos”, lembra.

 

O esporte como escolha e desafio

 

Vanessa não se limitou ao futsal. Sua trajetória inclui especializações em futebol e voleibol, modalidades que ela considera centrais para o esporte brasileiro. Mas o aprendizado não parou aí. “Gosto muito de desafios, e a Educação Física é diferente por isso. Você tem a possibilidade de buscar conhecimento em várias áreas e modalidades diferentes. Fora essas três modalidades, que são o carro-chefe dos brasileiros, o xadrez e o futvôlei também são modalidades que complementam minha vida no esporte.”

 

Essa diversidade mostra como a formação esportiva vai além da técnica. Para ela, as modalidades se conectam e ampliam as possibilidades de atuação, seja como professora, treinadora ou formadora de novos atletas.

 

Desafios da nova geração

 

Se por um lado há mais acesso à informação e oportunidades, por outro, Vanessa observa dificuldades na permanência dos jovens no esporte. Segundo ela, o maior desafio está ligado à saúde mental. “Ansiedade, medo de serem julgados pela sociedade — principalmente mulheres —, estrutura familiar e o apoio de uma forma geral são os grandes desafios para incentivar atletas a continuarem treinando.”

 

Nesse contexto, o esporte se torna uma ferramenta de enfrentamento, não apenas de desenvolvimento físico. “O esporte é um complemento da educação, é uma extensão da sala de aula e da educação familiar”, afirma.

 

Desigualdade e resistência

 

A professora também reflete sobre o lugar das mulheres nas modalidades em que atua. Para ela, houve avanços, mas a desigualdade de gênero continua presente. “Quando citamos desigualdade de gênero no esporte, vejo o quanto evoluímos no mundo que era tão machista, principalmente nas modalidades de futsal, futebol e lutas. A desigualdade de gênero no esporte ainda existe, mas vem sendo combatida através de mulheres que abrem as portas e fazem a diferença onde passam.”

 

Esse olhar não vem apenas da teoria, mas da prática. Vanessa já enfrentou críticas e situações de resistência ao longo da carreira. “Como mulher e profissional, já tive a vivência de grandes experiências positivas e já tive a experiência de grandes críticas também. Mas sempre acreditei na perseverança do poder do trabalho para continuar e para incentivar a prática esportiva.”

 

O impacto social do esporte

 

Uma das experiências mais marcantes de Vanessa aconteceu logo no início da carreira, quando trabalhou em uma ONG atendendo crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Ali, ela percebeu o poder transformador do esporte de maneira concreta.

 

“Foi através dessa experiência que enxerguei a importância de me dedicar ao trabalho com entusiasmo e construir ambientes de proteção, cuidado e empoderamento desses jovens. Meu projeto de futsal com as crianças e adolescentes passou a ser patrocinado pelo Criança Esperança, algo que marcou positivamente.”

 

A lembrança reforça sua convicção de que a prática esportiva pode mudar destinos e oferecer oportunidades que, muitas vezes, não surgiriam de outra forma.

 

O cenário esportivo no Estado

 

Vanessa também analisa a realidade atual das modalidades em Mato Grosso do Sul. Segundo ela, o voleibol vem em crescimento e pode alcançar um novo patamar nos próximos anos. “Acredito que mais alguns anos estaremos na elite da modalidade”, projeta.

 

Já o futsal enfrenta dificuldades. “Perdemos algumas competições importantes a nível estadual e municipal, como a Copa da Juventude, Taça Canarinho e Copa Morena. Infelizmente, no futsal estamos longe de estar entre os melhores, principalmente no masculino.”

 

Futuro e sonhos

 

Vanessa realizou o primeiro objetivo de se tornar professora. Agora, projeta novas metas. “Pretendo continuar estudando e me especializando, com a meta de chegar a ser Doutora em Educação”, afirma.

 

Além da formação acadêmica, ela revela outro plano de impacto social: “Na prática, tenho vontade de abrir um instituto em Campo Grande para atender jovens atletas, proporcionando inúmeras oportunidades.”

 

O propósito vai além do esporte. É um projeto de vida que reforça sua visão de que a prática esportiva é, acima de tudo, uma chance de transformação. Como lembra ao citar Michael Jordan: “Algumas pessoas querem que aconteça; outras desejam que aconteça; outras fazem acontecer.”

 

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